
Quando li a ficha técnica do BYD Atto 8 e olhei para o SUV fui conferir se era aquilo mesmo. O modelo de 7 lugares recém-lançado pela marca chinesa, à primeira vista, nem parece ter mais de 5 metros de comprimento.
Culpa em parte do desenho. Ele tem aquele estilo genérico dos modelos chineses, mas os vincos e a terceira coluna e o balanço traseiro curto enganam os olhos.
Bastou entrar no SUV neste primeiro – e breve – contato da Automotive Business com o carro para perceber que, dentro, os números fazem jus. O BYD Atto 8 é espaçoso para caramba nas duas primeiras filas.
Massagem no banco traseiro do BYD Atto 8

Comecei como passageiro no banco da segunda fila. Há folgas para pernas, joelhos e pés. Os encostos têm ângulos de inclinação e acomodam bem o corpo.
O mesmo encosto traseiro oferece mimos. Massagem nas costas – acionada por este que vos escreve antes mesmo do carro começar a andar -, ventilação bem-vinda nesse fim de verão e aquecimento.
Ainda na segunda fila, impressiona o teto panorâmico. Ele começa pouco depois da primeira coluna e vai até quase a altura da terceira fila de bancos.

Outro ponto que chama a atenção é o acabamento. Materiais estofados e tecidos de bom gosto adornam as portas e os tons escurecidos reforçam um ambiente agradável.
O porém fica para o acerto da suspensão. Na traseira, reflete direto os buracos e o passageiro sente os quiques quando o BYD Atto 8 passa por quebra-molas e valetas.
Antes de assumir o volante, aquela checada na terceira fila de bancos. O rebatimento dos bancos da segunda fileira é confuso e o espaço lá nos assentos extras é apertado, mais indicado para crianças.
Acabamento sofisticado e poucos botões

Passo para o banco do motorista e logo encontro uma posição de dirigir adequada. Ajudada pelos ajustes elétricos e pelo bom ângulo do volante.
Mais uma vez o acabamento impressiona. O painel tem revestimentos emborrachados e suaves ao toque, com desenho discreto e sem exageros.
A tela de 15” da central multimídia não é daquelas giratórias e o sistema traz Google Assist. A operação é pouco intuitiva e demanda tempo para se acostumar. Por falar nisso, faltam comandos físicos no BYD Atto 8, uma espécie de maldição dos carros chineses.
Conforto e silêncio a bordo

Hora de dirigir e ver como o SUV grandão se comporta. A avaliação do Atto 8 foi curta, pouco mais de 20 minutos na região de Santo Amaro, zona sul de São Paulo (SP), próximo ao BYD Vision Center que a marca acabara de inaugurar.
Em trajeto basicamente urbano, no trânsito pesado, o SUV tem rodar confortável e direção suave, com diâmetro de giro bom para manobras. O silêncio a bordo impressiona.
Nas poucas esticadas possíveis, o híbrido mostra ao que veio. Em situações de baixa velocidade, o motor elétrico responde prontamente, como é de se esperar. O 0 a 100 km/h, pela montadora, é feito em 4,9 segundos.
Ao ganhar velocidade, o 1.5 turbo até deu o ar da graça, de forma igualmente suave. Só que no trânsito paulistano pesado, praticamente apenas o motor elétrico atuou. Segundo a BYD, o Atto 8 é capaz de rodar até 111 km em modo EV.
E mesmo no trajeto curto, mais uma vez aquela percepção de que o crossover merece uma calibragem melhor para o mercado brasileiro. Além da suspensão, as dimensões, o tamanho das rodas e o centro de gravidade contribuem para um comportamento ainda “molenga” demais.
De qualquer forma, ainda teremos a oportunidade de avaliar por mais tempo e com calma o BYD Atto 8. E, sem dúvida, o SUV é um bom candidato na terceira edição do Prêmio Lançamento do Ano, da AB.

