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Carros autônomos desafiam leis sobre acidentes e dados

BYD investe em direção autônoma enquanto setor discute responsabilidade por acidentes e segurança de dados

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Natália Scarabotto

11 ago 2026

3 minutos de leitura

Os carros estão cada vez mais automatizados, com tecnologias de direção autônoma, conectividade, geração de dados e inteligência artificial. Com tudo isso, o carro virou praticamente um software sobre rodas, o que traz novos desafios como segurança, proteção de dados e responsabilização em caso de acidentes.

Esse foi um dos temas debatidos durante o Rio Innovation Week, em um painel com o diretor de relações públicas e marketing da BYD no Brasil, Pablo Toledo, e a sócia da Vitalino Advogados, Lorena Botelho, responsável por tecnologia e inovação.

Um dos pontos da conversa foi sobre a responsabilização dos carros autônomos em caso de acidentes. No Brasil, atualmente, as tecnologias chegam até o nível 2, como sistemas de assistência à condução, pacote ADAS, controle de frenagem e piloto automático assistido.

Mas nos EUA, China e Europa já são usados sistemas de condução automatizada mais avançados e diversos casos de acidentes têm sido registrados desde que a Tesla lançou o seu primeiro piloto automático.

“O chairman da BYD já fez um pronunciamento dizendo que todos os carros BYD que sofrerem possíveis acidentes envolvendo o sistema de direção autônoma serão ressarcidos”, disse o diretor de relações públicas e marketing da BYD no Brasil, Pablo Toledo. “Isso é um statement da confiança que temos na nossa tecnologia. Vamos ter um crescimento de IA muito grande nos próximos anos.”

O anúncio foi feito pelo CEO e fundador da empresa, Wang Chuanfu, em maio, durante evento em Shenzhen, na China.

A advogada Lorena ressalta justamente essa responsabilização. “Vamos precisar ter uma reforma do Código de Trânsito Brasileiro para entender como vai ser a responsabilidade se esse carro bater? Há uma tendência do Judiciário de beneficiar o consumidor. Mas não é uma questão fácil, em menos de cinco anos não vamos conseguir definir isso.”

BYD investe em pesquisa para avançar em carros autônomos

Para isso, a BYD tem atualmente 122 mil profissionais dedicados a P&D em todo o mundo. No Brasil, a empresa anunciou R$ 300 milhões para instalação de um centro de P&D no Rio de Janeiro. Há planos também para São Paulo e Bahia.

No Rio de Janeiro, será um centro de desenvolvimento focado em direção autônoma e também um centro de experiência, com área para drift, pista off-road, testes com carro que pula e carro anfíbio.

Já na Bahia, na fábrica de Camaçari, a ideia “é avançar o trabalho que já temos com o Senai e ter um centro de P&D voltado para o desenvolvimento de carros com motor híbrido a etanol”, disse Toledo.

Dados gerados pelos carros também desafiam regulamentação

Outro ponto levantado foi a segurança e o armazenamento dos dados.

Segundo a BYD, o convênio com o Rio de Janeiro também abrange um centro de dados de direção autônoma. “Acha que o governo do Brasil vai ficar tranquilo tendo um centro de dados na Itália e não no Brasil? O governo quer ter essa nuvem aqui com todos os tipos de dados que estamos gerando através dos carros”, disse Toledo.

Para Lorena, essa questão também é extremamente importante e precisa ter respaldo jurídico, principalmente quando são dados armazenados na nuvem. “Enquanto avança na implementação dessas tecnologias que geram dados, não temos regulamentação de algumas coisas”, disse.

Ela ressaltou ainda que isso não é apenas para os dados gerados pelos carros, mas também para as fábricas automatizadas e conectadas na nuvem.

“Precisa ter uma governança dos dados dos brasileiros pelas montadoras, e também um tratamento com a LGPD que esteja bem certificado para montadoras e fornecedores. É preciso prever nos contratos essa questão do tratamento de dados, de cibersegurança nas fábricas, tudo isso”, completou a advogada especializada em tecnologia.