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Direto do RIW: Brasil pode ser hub global da indústria automotiva

Anfavea, ABVE e Sindicato dos Metalúrgicos defendem convivência entre diferentes tecnologias para ampliar a competitividade global da indústria automotiva brasileira

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Natália Scarabotto

06 ago 2026

4 minutos de leitura

A acelerada transição energética e tecnológica está redesenhando a indústria automotiva global. Em vez de apostar em uma única tecnologia, o Brasil pode se consolidar como um hub global de diferentes soluções: desde os carros elétricos, híbridos, flex até os motores de combustão para serem mais eficientes e movidos a biocombustíveis.

Essa estratégia foi tema de discussão no Rio Innovation Week (RIW) na quarta-feira, 6, discutido entre representantes da ABVE, Anfavea e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. As entidades defenderam que a mobilidade brasileira será marcada no futuro pela convivência de diferentes tecnologias e isso poderá tornar o país mais competitivo para produzir motores diversos.

“Um dos temas centrais é que o Brasil vai conviver com várias tecnologias de produção e pode ser um hub de motor a combustão, por exemplo, para melhorar a produção sendo mais eficiente e menos poluente. Além de explorar os biocombustíveis que temos e são muito estratégicos”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Damasceno.

Indústria automotiva aposta no Brasil como polo global

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, reforçou no evento a importância da indústria automotiva brasileira no mercado global, mesmo diante de mercados maiores, como Estados Unidos, Europa e China.

“Eles têm volumes muito maiores, mas o Brasil não é descartável”, disse. “Temos um parque fabril há 70 anos e somos o sexto maior mercado do mundo. Agora, nos tornamos atrativos para outros mercados, como a China, pelo ecossistema que temos, de engenheiros, pesquisadores e fábricas, o que pode nos posicionar como importante polo produtor global.”

Para isso, ele aponta que o país precisa ser capaz de responder rapidamente às demandas do mercado, seja na fabricação de veículos ou de componentes, como as baterias elétricas.

“Para a Anfavea, o nosso motivador de trabalho é um dia poder montar todo o carro elétrico aqui, incluindo a fabricação de baterias”, disse. “Mas produzir célula de bateria é caro, precisa de volume e provavelmente o Brasil ainda não faz essa conta fechar, mas podemos conseguir esse volume dependendo de outras variáveis.”

Calvet ressaltou também que a vantagem competitiva da indústria está na velocidade de adaptação às rápidas transições tecnológicas e energéticas.

“O mundo todo está passando por uma transição. A diferença é a velocidade de resposta que conseguimos dar para atender as demandas. O mercado chinês não dá conta do mundo inteiro, então vai ter que conviver também com outras tecnologias.”

Convivência entre tecnologias deve permanecer

Os carros elétricos ganham cada vez mais força no mercado brasileiro e já representam cerca de 16% do market share, sendo a maioria de fabricantes chinesas. Ainda que as entidades projetem um avanço contínuo da eletrificação da mobilidade, elas não descartam as demais tecnologias, nem o motor de combustão.

“As empresas que tiverem um leque maior de produtos terão mais vantagem. Não é escolher uma tecnologia, mas saber utilizar todas no portfólio, incluindo até tecnologias únicas nossas, como o híbrido plug-in flex”, afirmou o presidente da ABVE, Ricardo Bastos.

Até porque a infraestrutura de recarga para veículos elétricos no Brasil ainda não acompanha o crescimento da frota. Segundo a ABVE, o país conta com quase 35 mil carregadores, em média um equipamento para cada 20 carros elétricos. “Precisamos aumentar essa infraestrutura com carregadores rápidos e investimento do setor público e privado”, completou.

Além disso, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, ressaltou o perfil socioeconômico do país como uma barreira para a adoção integral dos carros elétricos e de tecnologias mais avançadas.

“Há espaço para muitas tecnologias, mas temos um gap, porque somos um país de renda média baixa onde as pessoas têm dificuldade de comprar bens mais caros e depois têm dificuldade com o custo de manutenção grande”, afirmou.

Na visão das três entidades representativas, o avanço das montadoras chinesas deve continuar no Brasil, com a instalação de novos parques fabris, centros de pesquisa e desenvolvimento e até data centers, que já despertam o interesse das gigantes da tecnologia.