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Venda de veículos deve superar 3 milhões em 2026, projeta Anfavea

Entidade revisou projeção para o ano e a expectativa é atingir a maior marca em 14 anos; mercado de veículos leves puxa o resultado, com avanço significativo dos importados

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Natália Scarabotto

07 jul 2026

3 minutos de leitura

Em 2026, a indústria automotiva deve atingir a venda de 3 milhões de veículos, um feito recorde que não acontecia desde 2014. Essa é a nova projeção da Anfavea, representante das montadoras, divulgada nesta terça-feira, 7.

A entidade prevê aumento de 12,1% no setor em comparação com 2025. A projeção é bem maior que os 2,7% projetados pela Anfavea em janeiro. A revisão acontece diante de uma análise do cenário macroeconômico do país.

A nova projeção da Anfavea considera que serão emplacados 2,8 milhões de veículos leves no ano, aumento de 13% em relação ao ano passado.

Já os veículos pesados devem sofrer queda de 6% no mercado, com 129,2 mil unidades comercializadas em 2026.

Com isso, fica claro que o ótimo resultado será mérito dos veículos leves, que vivem uma fase de pleno crescimento, puxado pelas importações chinesas, enquanto o emplacamento de pesados tem caído mês após mês.

“Desde 2014 não tínhamos 3 milhões de emplacamentos e vamos chegar ao crescimento de 12,1%”, disse o presidente da Anfavea, Igor Calvet. “Isso é derivado sobretudo do crescimento de leves que em quase todos os meses superaram os dois dígitos, um altíssimo dinamismo.”

Maior importação, menor produção

Outro fator que chama a atenção é o descolamento entre os emplacamentos e a produção previstos para 2026. Enquanto as vendas devem crescer 12,1%, a produção de veículos leves deve alcançar 6,5%, praticamente metade do ritmo dos emplacamentos.

Isso ocorre porque as importações de veículos, principalmente eletrificados, aumentaram exponencialmente no primeiro semestre de 2026 e devem continuar em alta.

Na contramão, as exportações tiveram desempenho mais fraco no primeiro semestre e devem encerrar o ano com queda de 12%, totalizando 462 mil veículos embarcados.

“O emplacamento deve ser maior do que a produção porque a importação cresce e as exportações estão caindo, sobretudo para a Argentina. Então, a produção cresce, mas não proporcionalmente às vendas, tem um descolamento muito grande nos emplacamentos e na produção”, explicou Calvet.

Primeiro semestre reforça projeção otimista

No primeiro semestre, o Brasil emplacou 1,42 milhão de veículos, crescimento de 18,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os veículos leves somaram 1,36 milhão, aumento de 20,2% em relação a 2025. O resultado é impulsionado pelos carros importados, que já representam 19,7% do market share, com grande destaque para as marcas chinesas.

O mercado de pesados preocupa mais, com queda de 10,5% nas vendas de caminhões entre 2025 e 2026. No primeiro semestre, foram vendidas 48.997 unidades.

Os ônibus também tiveram queda, com 10.228 unidades vendidas, impacto negativo de 11,6%.

Vendas em junho crescem 28% em relação a 2025

A venda de automóveis cresceu 28% entre junho de 2025 e 2026, alcançando as 272.474 unidades.

No mês, os veículos leves também tiveram salto de 28,7%, com 260.528 emplacamentos. A participação de importados é cada vez mais forte e bateu o recorde, com 21,2% do market share em junho.

Já os pesados seguiram registrando queda. O mercado de caminhões caiu 14,7%, com 9.755 veículos emplacados. Já os ônibus somaram 2.191 unidades no mês, aumento de 11% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Vendas maio x junho

Em relação a maio, as vendas tiveram leve recuo de 0,8%. Os automóveis retraíram 1,6%, com 4.131 emplacamentos a menos.

Já os caminhões tiveram uma pequena melhora, com aumento de 15,9% nas vendas, somando 1.335 unidades vendidas a mais. Enquanto os ônibus tiveram aumento de 36,7% nas vendas, com 588 emplacamentos a mais que em maio.