
O Massachusetts Institute of Technology, também conhecido como MIT, é um dos principais expoentes da academia nos EUA e dos seus quadros saíram nomes que ajudaram a inventar o radar e os chips eletrônicos. Com tanta efervescência, o instituto mantém uma revista para divulgar suas descobertas, a MIT Technology Review, cujo editor, Niall Firth apresentou no SXSW as 10 tecnologias que devem ditar as tendências em 2026.
Na lista há coisas interessantes como a ressurreição de animais extintos por meio de resgate de DNA, modificação genética de pessoas e plantas e também a IA como uma espécie de acompanhante de seres humanos em níveis diversos de interação. Mas vou focar nas tendências que dizem respeito ao setor automotivo – ou que pelo menos resvalam no cotidiano das empresas que compõem essa indústria que representa 20% do PIB do segmento no país.
Reatores nucleares como alternativa aos geradores diesel
Uma delas é o desenvolvimento de pequenos reatores nucleares. Empresas da China e também dos EUA estão investindo em equipamentos que utilizam a energia proveniente do choque das partículas do átomo para gerar eletricidade barata e de fornecimento constante. Essa fonte teria potencial, portanto, para ser uma alternativa sustentável aos geradores que hoje utilizam motores diesel para fornecer energia.
Firth atenta para o fato da tecnologia ainda estar em fase de testes nessas localidades, sem mencionar o medo coletivo que a geração de energia nuclear provoca — quem ficaria em paz ao saber que no hospital ou no mercado existe um aparato que contém em seu interior material radioativo instável? Por outro lado, caminhões movidos a gás anos atrás produziam o mesmo temor em motoristas até que a propaganda e os resultados de testes os tornaram mais amigáveis ao público consumidor.
“A tendência é impulsionada pelo aumento da demanda global por eletricidade. Sem mencionar que esses microreatores são compactos e mais fáceis de se construir”, disse o editor da revista do MIT. Scania, Cummins e MWM que se cuidem.
Baterias de sal armazenam menos energia por enquanto
Outra tendência que deve se destacar neste ano são as baterias que utilizam íon de sódio para armazenar eletricidade. Há muito se fala nas baterias de sal, como são conhecidas, desempenhando uma espécie de salvação para todos os males provocados pela bateria de lítio, hoje o tipo mais utilizado em equipamentos eletrônicos e, principalmente, em veículos elétricos.
Na comparação, a bateria de sal é mais barata porque o elemento é mais abundante na natureza do que o lítio, com sua extração relativamente mais simples e menos invasiva. Elas também são consideradas mais seguras porque têm um risco muito menor de se incendiarem. Pesa contra elas o fato de ter uma capacidade de armazenamento menor do que as baterias de lítio. Até por isso as baterias de sal devem ganhar corpo no mercado de veículos compactos, como scooters.
“Trabalho como jornalista na área de tecnologia há pouco mais de 20 anos. E o que descobri é que fazer previsões sobre mudanças tecnológicas é incrivelmente fácil, porque você pode literalmente dizer qualquer coisa e ninguém vai te cobrar”, brincou Firth em sua apresentação no SXSW, no sábado, 14. Sempre tem alguém para cobrar, Niall. Sempre tem.
