
A fabricante de baterias Northvolt entrou com pedido de falência na Suécia. A própria empresa confirmou a informação nesta quarta-feira, 12.
A decisão representa um duro golpe na indústria automotiva europeia, que via na Northvolt uma das maiores esperanças de rivalizar com as grandes fabricantes de baterias da China.
Northvolt pediu concordata antes de falência oficial
A Northvolt já havia solicitado concordata em novembro de 2024, nos Estados Unidos.
Simultaneamente, a companhia destituiu o então CEO Peter Carlsson. O executivo é cofundador e estava à frente da Northvolt desde sua fundação em 2016.
Agora, porém, não há mais recursos para sustentar a operação.
“Apesar de buscar todas as opções disponíveis para negociar e implementar uma reestruturação financeira, e mesmo com o suporte de liquidez de nossos credores e principais contrapartes, a empresa não conseguiu garantir as condições financeiras necessárias para continuar em sua forma atual”, disse a Northvolt.
O atual CEO da empresa, Tom Johnstone, confirmou o fim das atividades.
“Não foi uma decisão tomada de forma leve. Apesar dos esforços exaustivos, essa decisão representa o único caminho realista para a Northvolt e seus acionistas”.
Dívidas da Northvolt passam de US$ 8 bilhões
Documentos divulgados no fim de janeiro revelaram que as dívidas acumuladas pela companhia passam de US$ 8 bilhões.
A falência foi declarada oficialmente por uma corte de Estocolmo, na Suécia. Representa um duro golpe na indústria local – o maior deles desde a bancarrota da Saab Automobile mais de uma década atrás.
O processo de falência será supervisionado por um administrador nomeado pela justiça sueca. As etapas incluem a venda do negócio e seus ativos e a liquidação de obrigações pendentes.
Os braços Northvolt Germany e Northvolt North America não estão incluídos no pedido de falência. Porém, como são subsidiárias integrais da Northvolt AB, todas as decisões ligadas às operações precisarão ser aprovadas pelos credores do grupo.
Empresa teve empréstimo cancelado e vendeu divisão para Scania
A Northvolt tentou se livrar da falência nos últimos meses.
Em 2024, a empresa conseguiu um empréstimo de US$ 5 bilhões para expandir uma de suas fábricas. O empréstimo, no entanto, foi cancelado por causa dos problemas financeiros da companhia.
No fim de janeiro, a Northvolt vendeu sua divisão de baterias industriais para a Scania – ironicamente uma de suas acionistas.
A Systems Industrial é especializada em sistemas de bateria para indústria pesada e emprega cerca de 300 pessoas em duas unidades de pesquisa e desenvolvimento: uma delas fica Estocolmo (Suécia) e a outra na Polônia.
Porsche lamenta falência da Northvolt e VW não se pronuncia
Enquanto isso, montadoras com contratos vigentes com a Northvolt já se mexem. É o caso da Porsche, que lamentou o desfecho.
“Sigo convicto de que precisamos de desenvolvedores de baterias que sejam competentes na Europa”, afirmou o CEO da marca, Oliver Blume.
A Volkswagen confirmou que permanece em contato com a Northvolt, mas não quis comentar o caso.
A BMW também não se pronunciou. Vale lembrar que, em 2024, a fabricante alemã cancelou um contrato de longo prazo de US$ 2 bilhões firmado em 2020 para fornecer baterias para carros elétricos. Os componentes nunca foram entregues pela Northvolt.