
Nos últimos 30 anos, os carros evoluíram do motor de combustão ao powertrain elétrico para se tornarem menos poluentes em prol da descarbonização do setor. Mas não é só isso que importa.
O processo produtivo pode ser tão poluente quanto os propulsores que utilizam combustíveis fósseis. Por isso, as montadoras adotam estratégias sustentáveis em suas fábricas, como energia solar ou eólica, reuso de água e a troca de solvente por água no processo de tintura.
Com programas como o Mover, a medição do poço a roda ganha força e mostra a importância de construir uma cadeia automotiva sustentável de ponta a ponta.
No especial de 30 anos da Automotive Business, perguntamos para algumas montadoras quais ações de sustentabilidade elas adotaram ao longo dos últimos anos.
HONDA

Em 1997, a Honda começou a sua produção de carros em Sumaré (SP) e logo instalou uma estação de tratamento de efluentes, um sistema que despolui a água utilizada no processo produtivo. Em 2019, construiu outro sistema na planta de Itirapina (SP).
As duas unidades realizam o tratamento de efluentes industriais e domésticos, contribuindo para a preservação ambiental e o cumprimento das normas de sustentabilidade.
Em 2014, a Honda inaugurou o seu parque eólico chamado Honda Energy, em Xangri-lá (RS) com o objetivo de gerar energia limpa e renovável para a sua produção, minimizando o impacto ambiental da indústria.
Com isso, a Honda é autossuficiente em energia elétrica limpa e renovável. O parque gera 100% de energia elétrica das fábricas em Sumaré (onde acontece a montagem dos motores), e em Itirapina (responsável pela produção dos modelos nacionais da marca), além de um escritório em São Paulo.
Com isso, a Honda já produziu mais de 1,1 milhão de automóveis com energia eólica, deixando de emitir 51 mil toneladas de CO2 na atmosfera.
Mais recentemente, em 2022, a montadora adotou a pintura a base de água em sua produção de automóveis, contribuindo para o melhor uso do recurso e reduzindo o uso de solventes.
IVECO

Em 2010, a Iveco inaugurou a Ilha Ecológica no Complexo Industrial de Sete Lagoas (MG). A área é voltada para tratamento sustentável de resíduos líquidos e sólidos, priorizando a reciclagem e recuperação de materiais.
Na Argentina, a Ilha Ecológica da fábrica de Córdoba já reciclou mais de 6.400 toneladas de madeira, 770 toneladas de aço e 245 toneladas de plástico, transformando materiais em peças produtivas, brinquedos e kits escolares, além de apoiar iniciativas de compostagem e arborização.
A planta de Sete Lagos adotou também práticas de reuso de água para irrigação de áreas verdes, limpeza de pisos e manutenção de torres de resfriamento. Atualmente, são reutilizadas cerca de 10.600 m³ de água por ano no complexo, contribuindo para a gestão da água potável para todos.
Em 2011, a empresa consolidou sua evolução com a conquista da certificação internacional ISO 14001, voltada para sistemas de gestão ambiental.
Nissan

O Complexo Industrial de Resende (RJ) da Nissan existe há 11 anos e foi desenvolvido para reduzir o impacto ambiental desde a construção da planta até os processos de produção.
A planta tem matriz energética 100% eólica para alimentar os processos produtivos, adquirida no Mercado Livre de Energia e certificada pelo I-REC (Certificado Internacional de Energia Renovável).
Além disso, a planta é Aterro Zero, faz reuso de água da produção para sistema de ar condicionado e pintura dos veículos.
A Nissan implementou, em 2024, dois projetos ambientais que utilizam tecnologias da indústria 4.0 para economizar recursos naturais na linha de produção.
Os prédios da Pintura, Plástico e Utilidades foi instalado um novo sistema de monitoramento para gestão de energia, que consiste na digitalização em tempo real do sistema e recursos energéticos da planta. São monitorados mais de 240 pontos de consumo de recursos no total. Somente da Pintura e Plástico, por exemplo, são 81 pontos de monitoramento de eletricidade, 29 de gás natural e 10 de água.
TOYOTA

Em 2012, a Toyota inaugurou a fábrica de Sorocaba (SP) com o conceito de ecofactory, padrão internacional de ecoeficiência que adota práticas e tecnologias sustentáveis voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa, economia de energia e água e diminuição do volume de resíduos.
Esse compromisso se traduz na prática em processos produtivos de baixo carbono, ganhos de eficiência energética, inovação tecnológica e engajamento dos colaboradores. Além disso, a fábrica foi projetada promovendo reflorestamento no entorno.
Agora, a Nissan quer ampliar a planta de Sorocaba como parte de um investimento de R$ 11,5 bilhões no Brasil. Também uma ecofacotory e um dos principais destaques será a otimização do processo de pintura, que dispensará o uso de água na cabine. Substituindo solvente por tinta à base de água a serão reduzidas 20% das emissões de CO2 na produção.
Além disso, a nova planta terá taxa de reciclabilidade dos resíduos gerados na operação será superior a 99%, reforçando a produção sustentável.
O novo edifício terá energia certificada de fonte limpa e renovável, além de iluminação de LED, que reduz o consumo de energia elétrica.
A proximidade com os fornecedores, apenas 1 km da fábrica, também impacta na descarbonização já que reduz a circulação de caminhões e o consumo de combustível da cadeia de produção.
No ano passado, a planta de Sorocaba inaugurou um centro de peças logístico com energia 100% renovável, sistema de ventilação natural e reutilização de água da chuva para banheiros e serviços de limpeza.