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Governadores entram na briga contra SKD enquanto BYD reage

Seis estados enviam carta a Alckmin sobre pleito de redução de imposto para montagem de veículos e chinesa chama montadoras rivais de “dinossauros”
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Fernando Miragaya

30 jul 2025

4 minutos de leitura

Planta da BYD em Camaçari: chinesa diz que montagem estava prevista desde o começo

Aquele meme do “fogo no parquinho” virou um parque temático da discórdia. Dias após as montadoras ameaçarem rever seus investimentos, agora foi a vez de os governadores de seis estados entrarem na briga contra o pleito de redução tarifária para montagem de veículos eletrificados em SKD e CKD. AO mesmo tempo, a outra parte interessada, a BYD, reage.


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Em carta enviada ao vice-presidente e ministro da indústria Geraldo Alckmin, os governadores dos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo manifestaram preocupação quanto à possibilidade de a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovar os pedidos de reduções de impostos para os dois sistemas de montagem de veículos.

Governos: SKD e CKD trazem risco de desindustrialização

No documento, os governadores dizem que seus estados representam as unidades federativas responsáveis pela maior parte da produção nacional de veículos. Por isso, batem na tecla da “desindustrialização” que a medida, se aprovada, pode ocasionar.

“As medidas em análise, se aprovadas nos moldes pleiteados, podem representar risco de desestímulo à industrialização local e gerar efeitos adversos na cadeia automotiva como um todo”, diz a carta. 

“A substituição da produção local por montagens de kits importados com baixo valor agregado tende a comprometer empregos, fragilizar fornecedores nacionais e enfraquecer a política industrial construída ao longo de décadas”, completa.

Ainda na carta, os governadores Claudio Castro (RJ), Eduardo Leite (RS), Jorginho Mello (SC), Ratinho Junior (PR), Romeu Zema (MG) e Tarcísio de Freitas (SP) solicitaram um adiamento na decisão da Camex. E pediram que seja iniciado um debate mais amplo com os estados e as montadoras. 

“Solicitamos respeitosamente que o Governo Federal estabeleça um canal de diálogo com os estados produtores e fabricantes de veículos automotores antes da eventual tomada de decisão, garantindo que os impactos regionais e setoriais sejam devidamente considerados”.

BYD contra-ataca

Em meio à polêmica do tema, a BYD, a principal pleiteante da redução tarifária para SKD e CKD, também se posicionou. Em nota oficial, a marca chinesa usa de ironia para criticar a carta assinada por montadoras contra a revisão tributária para tais tipos de montagem de veículos.

A BYD diz que as fabricantes tradicionais querem que o governo impeça a redução temporária dos impostos “para quem ousa oferecer carros melhores por um preço mais justo”. A empresa chama indiretamente as montadoras de “dinossauros” e classifica o movimento de “chantagem emocional com verniz corporativo”.

“Assinada por representantes da Toyota, Stellantis, Volkswagen e General Motors, a carta tem o tom dramático de quem acaba de ver um meteoro no céu. O problema não é o meteoro, claro. O problema é que ele está sendo bem recebido pelos consumidores aqueles mesmos que, por décadas, foram obrigados a pagar caro por tecnologia velha e design preguiçoso”, diz a nota.

A fabricante chinesa se defende dizendo que a redução temporária dos impostos sobre montagem de veículos com peças desmontadas ou semi-desmontadas segue uma lógica. 

“Não faz sentido aplicar o mesmo nível de tributação sobre veículos 100% prontos trazidos do exterior e sobre veículos que são montados no Brasil, com geração de empregos locais, movimentação da cadeia logística e pagamento de encargos”.

A empresa garante que já está finalizando a primeira etapa das obras da fábrica de Camaçari (BA), cuja produção já foi adiada por diversas vezes. E reforça que o contrato com o Governo da Bahia já previa montagem enquanto o restante da estrutura é finalizado. 

“Nada foi alterado. Tudo dentro do planejamento desde o começo”, afirma a nota, que, ao fim, ainda traz mais críticas afiadas às montadoras concorrentes.

“O Presidente deveria ouvir essas cartas – e usá-las como prova de que está no caminho certo. Porque se os dinossauros estão gritando, é sinal de que o meteoro está funcionando”.