
Um Honda CR-V movido a hidrogênio está rodando pelo Brasil. Porém, se você acha que ele pode ser lançado por aqui em breve, sinto lhe decepcionar porque isso dificilmente acontecerá.
Não será por falta de vontade da Honda. Afinal, a marca importou uma unidade dos Estados Unidos exclusivamente para testes em fevereiro de 2025.
O veículo chegou antes mesmo do acordo firmado pela montadora com a Neoenergia, que realiza um investimento milionário para produzir hidrogênio no Brasil.
O projeto faz parte do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), regulado pela Aneel. Atualmente, a empresa investe mais de R$ 30 milhões na produção e desenvolvimento do gás.
Desde dezembro passado, a concessionária mantém uma estação de abastecimento de hidrogênio em Taguatinga, no Distrito Federal.
Automotive Business foi até a cidade vizinha à capital Brasília para conhecer as instalações da Neoenergia e dirigir o CR-V.
CR-V a hidrogênio tem célula de combustível

O SUV usa uma célula de combustível movida a hidrogênio. É ela que produz energia para a bateria de 17,7 kWh que alimenta um motor elétrico. No caso do Honda, a bateria também pode ser recarregada em qualquer estação de recarga, como em um veículo híbrido plug-in.
Quem movimenta o veículo é sempre um motor elétrico dianteiro de 176 cv e 31,7 kgfm. A eletricidade que alimenta a bateria é gerada pela célula de combustível e o escapamento só existe para expulsar a água gerada ao fim do processo.
A autonomia no modo elétrico é de até 47 km, enquanto o alcance total chega aos 434 km quando os tanques de hidrogênio estão cheios. Estes, inclusive, suportam até 4 kg de hidrogênio.
Como anda o CR-V a hidrogênio?
Houve um primeiro contato bastante breve com o CR-V e:FCEV. Aliás, se não fossem os adesivos colados na carroceria, dificilmente descobriria que estava dirigindo um carro movido a hidrogênio.
O CR-V se comporta como um carro elétrico em todas as situações – até porque ele é tracionado por um motor elétrico. Não há ronco do motor e a condução é suave na maioria do tempo. As respostas são rápidas para um veículo deste porte.
Abastecimento rápido como em um posto de gasolina
O abastecimento acontece sob uma pressão de 700 bar em veículos leves e 350 bar nos comerciais. Essa diferença acontece pelo tamanho dos cilindros, que são menores nos automóveis e demandam maior pressão para comprimir até quatro quilos de hidrogênio. Se não houver compressão suficiente, o veículo pode perder autonomia.
Todo o processo é rápido e não leva mais do que cinco minutos no caso do CR-V. Esse é um importante diferencial em relação aos veículos elétricos. Especialmente quando se fala em pesados – afinal, um caminhoneiro não pode se dar ao luxo de esperar várias horas até o fim da recarga antes de seguir viagem.
Além disso, o porte avantajado de caminhões e ônibus favorecem a instalação de cilindros maiores. Com isso, os pesados podem rodar ainda mais e realizar menos paradas ao longo da viagem para reabastecer.
Falta “apenas” a infraestrutura de recarga, já que, hoje, o número de postos de abastecimento pelo mundo é de pouco mais de 1.000. Esse é um dos grandes motivos que impedem a popularização dos carros a hidrogênio pelo mundo.
Hidrogênio verde é chave para atingir metas de descarbonização
A planta da Neoenergia produz hidrogênio verde, ou seja, cujas matérias-primas são renováveis. Aqui, ele é fabricado a partir da quebra das moléculas de água, por meio de um processo químico chamado eletrólise.
Uma corrente elétrica é usada para quebrar as ligações químicas existentes entre o hidrogênio e o oxigênio. Esse é considerado um método verde, desde que a eletricidade utilizada seja obtida a partir de fontes de energia limpas e renováveis.
O hidrogênio verde é considerado fundamental para a transição energética. O Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU traçaram metas para a descarbonização do planeta. Entre elas, os signatários esperam que o hidrogênio verde substitua o petróleo e o gás natural como o principal recurso energético até 2050.
