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Indústria persegue os 3 milhões de veículos, mas juros e dólar arrefecem projeções para 2025

Anfavea estabelece aumento do mercado interno e maior competitividade como algumas das metas prioritárias para este ano
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Fernando Miragaya

14 jan 2025

4 minutos de leitura

Retomar o número de 3 milhões de veículos parece uma obsessão para a indústria. E a Anfavea crê que tem plenas condições de atingir novamente este patamar. Porém, o cenário macroeconômico esfria qualquer otimismo da entidade que reúne as montadoras.

Durante apresentação do balanço do setor em 2024, nesta terça, 14, a Anfavea afirmou que prevê um crescimento de 7,8% na produção para 2025. O que significa volume de 2,75 milhões de unidades.

Em relação aos licenciamentos, a alta projetada pela indústria para 2025 é de 6,3%, ou 2,8 milhões de veículos. Já as exportações anotariam crescimento de 7,4%, impulsionado principalmente por uma maior demanda do mercado argentino.

Selic e câmbio podem jogar contra indústria de veículos

Isso porque a indústria está bem ciente dos desafios para 2025. Se por um lado a Anfavea prevê alta de 2,2% do PIB, aumento da confiança do consumidor e estabilidade das taxas de desemprego e inflação, há preocupações pontuais.

A principal delas diz respeito à taxa de juros. A Anfavea crê em uma Selic de 14,25% ao ano em 2025, contra 12,25% a.a. registrados no fim de 2024.

“Precisamos de um ecossistema saudável e é muito importante a oferta de crédito. O crescimento em 2024 ocorreu porque o sistema tem funcionado muito bem, com setor de autopeças, fabricantes e parceiros, como os bancos. Para 2025 temos desafios, como o custo do crédito”, afirma o presidente da Anfavea, Marcio de Lima Leite.

Outra questão é o câmbio. A entidade trabalha com o dólar a R$ 5,90 em 2025 – o mercado prevê a moeda estrangeira na casa dos R$ 6. O que se reflete nos custos de produção.

Para tentar driblar esse impacto, a indústria praticamente só tem como alternativa aumentar o índice de nacionalização dos seus veículos.

“Localização, está é a grande oportunidade de conter esses desequilíbrios nos custos de produção. Montadoras e fornecedores têm ido neste sentido”, diz o executivo.

“Há uma procura das empresas para que haja essa localização. Poderia ser em uma velocidade maior, mas será uma tendência no ano de 2025 para conter esse impacto do dólar”, completa.

Anfavea tem pontos prioritários para 2025

Esse movimento se junta (e se confunde) a outros chamados pontos prioritários que o setor automotivo vai perseguir em 2025. O ganho de competitividade dos veículos produzidos pela indústria brasileira também é primordial para o aumento das exportações.

A Anfavea, inclusive, revelou que até fevereiro vai entregar ao governo um estudo para aumentar as vendas externas neste ano.

“Precisamos olhar para o comércio exterior, o fortalecimento de acordos e de nossa competitividade na América Latina. Isso vai ser fundamental em 2025”, adianta Igor Calvet, diretor executivo da associação.

Tais metas da indústria também passam pelo equilíbrio da balança comercial de veículos, onde ainda sobram críticas para a tributação dos veículos eletrificados importados.

Também em relação ao governo seguem outras conversas. Como a qualificação de compras públicas. A indústria pleiteia regras mais claras e fiscalização em relação às licitações de compras de veículos.

Na prática, a Anfavea defende que tais editais priorizem carros e máquinas que tenham conteúdo naconal maior.

“Quando analisa o nível de produção local das empresas que têm ganhado os contratos, ele é baixíssimo. Há que se ter um olhar mais próximo nessas regras de compras públicas. Estamos apresentando para o governo esses pontos”, explica Marcio de Lima Leite.

Renovação de frota de veículos continua na pauta da indústria

Foco na matriz energética dentro do processo de descarbonização e renovação da frota são outras frentes consideradas prioritárias pela indústria de veículos em 2025

“Não adianta falarmos de descarbonização sem falarmos da descarbonização da frota circulante. Precisamos ter regras duras para compra de veículos novos. É fundamental ter um olhar urgente neste sentido”, defende o executivo.

Ao mesmo tempo, a Anfavea garante que quer se antecipar às novas tecnologias para não perder o bonde da história. Marcio de Lima Leite afirmou que a indústria precisa ter uma visão à frente e saber o que os veículos terão.

“Sempre falamos que o Brasil perdeu o timing de algumas tecnologias que avançaram, como a transmissão automática. Para 2025, precisamos acelerar agora quais os itens que as fabricantes irão demandar, qual o futuro da indústria automotiva, para que se tenha produção no Brasil”, ressalta o presidente da Anfavea.

O executivo frisou que a entidade já trabalha junto a outros órgãos nesta questão. Como Sindipeças, Fenabrave, SAE e AEA. “Não podemos ficar reféns de importações nas tecnologias automotivas”, completa.