
Questões ligadas à geopolítica, como o tarifaço de Donald Trump, são os principais desafios que a Iochpe-Maxion enfrenta hoje em sua operação global. De forma que a empresa buscou formas de se blindar para manter o balanço no azul.
“Anos atrás eu te diria que o nosso principal desafio era a inflação. Hoje é a geopolítica que nos chama a atenção”, disse na terça-feira, 26, Pieter Klinkers, o CEO global da companhia, que esteve em São Paulo (SP) para apresentação de resultados para investidores.
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O executivo, que assumiu o cargo há poucos meses depois de exercer a função de CFO da divisão de rodas da Iochpe-Maxion, mencionou o tarifaço de Trump como um dos componentes políticos que deixam a empresa em estado de alerta.
Estratégias da Iochpe-Maxion para encarar tarifaço de Trump
Para driblar os efeitos dessa e outras mazelas oriundas do campo fiscal, a empresa apostou na intensificação da produção local em seus principais mercados, como América do Norte, Europa e América do Sul, onde o Brasil é expoente em termos de receitas.
No ano passado, a companhia já havia informado que pretendia aumentar sua capacidade produtiva na Europa e na Índia para explorar melhor esses mercados com produção local.
Uma estratégia que não é de hoje. Afinal, a companhia é uma das mais internacionais do seu setor, com 33 fábricas instaladas em 14 países, nas quais produz, além das rodas, componentes estruturais para veículos leves e pesados.
“Exportamos muito pouco do Brasil para os Estados Unidos, de forma que o impacto na nossa operação é próximo de zero”, comentou o executivo. O cenário é antagônico ao de muitas autopeças locais que, ao contrário da Iochpe-Maxion, dependem das vendas no mercado norte-americano.
E por falar em Brasil, o executivo afirmou que o mercado local tem oferecido oportunidades de crescimento, ainda que o mercado e caminhões, por exemplo, apresente baixos volumes de vendas.
Receita mais alta no primeiro semestre do ano
De qualquer forma, a receita da companhia na região representou a segunda maior fatia do faturamento global registrado no primeiro semestre do ano, que totalizou R$ 8 bilhões, 8% a mais sobre o resultado visto nos seis primeiros meses do ano passado.
A maior fatia está nas mãos do mercado europeu, 37,3%. Nos países asiáticos, onde a companhia tem participação pequena em termos produtivos, a receita representou 8,6% do todo. A América do Norte, por sua vez, foi responsável por 26,3% do faturamento no primeiro semestre.
O Ebitda da companhia, que é o lucro antes de juros, impostos e amortizações, foi de R$ 805 milhões. Resultado abaixo do visto em igual período no ano passado, quando a empresa registrou R$ 1,1 bilhão, e que indica um menor poder de geração de caixa.
Isso ocorreu por causa de uma menor demanda no mercado externo, sobretudo na Europa e na América do Norte, na esteira do desaquecimento visto na indústria automotiva dessas localidades. Efeitos cambiais negativos e aumento dos custos de matérias-primas e logística também influenciaram no resultado.
Empresa busca diversificação para aumentar lucro
O lucro líquido, segundo o seu balanço divulgado na terça-feira, 26, foi de R$ 98 milhões, também um valor abaixo na comparação com o registrado no janeiro-junho do passado, quando a empresa reportou R$ 116,3 milhões.
A companhia sabe que precisa impulsionar os negócios para proporcionar melhores resultados aos seus investidores.
A saída seria diversificar a oferta atual, com a venda de produtos em segmentos onde a empresa não tem forte participação, assim como adicionar mais produtos com alto valor agregado a ela.
Os exemplos, como sugere o seu balanço, são oportunidades no segmento de veículos fora de estrada e rodas para veículos leves construídas com compostos mais modernos, com ligas resistentes e leves ao mesmo tempo.
