
Imagine uma criança nos anos 1980 com aquele óculos fundo de garrafa esquisitos. Sua estratégia: reconhecer a esquisitice do que carrega à frente do seu campo de visão. A Kia tenta o mesmo subterfúgio com a Tasman.
O personagem citado era este que vos escreve. Mas minha estratégia era bem mais simples. Retirava os óculos, não enxergava nada além de um palmo de distância que os 7,5 graus de miopia permitiam, mas deixava em evidência meus olhos azuis esverdeados.
A retórica da Kia para explicar a Tasman

Obviamente, para a Kia disfarçar a esquisitice da Tasman, não é tão simples. Então, é importante recorrer à retórica e a adjetivos que reconhecem o design controverso da nova picape como instrumento de marketing.
O que não faltou na nova apresentação foi o discurso para evidenciar o slogan “Brutalmente autêntica” que a Kia arranjou para a Tasman.
“Quase todas as picapes médias são parecidas. Ela é diferente, diria autêntica”, disparou José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil.
“Design nunca foi protagonista na Tasman. Foi desenhada para ser lembrada, não para agradar a todo mundo. E isso tem um preço”, reforçou Rafael Delcole, gerente de produto da Kia.
Beleza, mas e aí?

Então, depois de admitir a excentricidade no estilo e adjetivá-la à exaustão de “autêntica”, a Kia evidenciou o que acredita ser suas virtudes. E no papel, a Tasman tem dados que podem se sobrepor ao desenho.
Vamos lá. A picape chega da Coreia do Sul inicialmente em versão única GL com o mesmo motor 2.2 turbodiesel que veio no recém-lançado Sorento.
Porém, na Kia Tasman são 210 cv de potência, ante 194 cv no SUV médio-grande. O torque máximo é de 45 kgfm.
Com câmbio de oito marchas, a picape tem sistema de tração 4×4 com três modos principais: a 4A com distribuição sob demanda, a 4H com tração integral e a reduzida na 4L.

A Kia Tasman impressiona pelo porte. São 5,41 metros de comprimento e 3,27 m de entre-eixos, dimensões maiores que as da Toyota Hilux e da Ford Ranger, as líderes da categoria.
A caçamba tem volume para 1.173 litros e a carga útil é de 1.007 kg, números próximos da média do segmento. O ângulo de ataque é de 28 graus e o de saída, de 26 graus.
O vão livre do solo é de 23,1 cm. Surpreende a boa capacidade de imersão da Tasman, de 80 cm, segundo a Kia.
Picape tem preço competitivo
Surpreende ainda mais o preço de R$ 249.990 da versão, por enquanto, solitária da Kia Tasman.
De equipamentos, seis airbags, controle eletrônico de descida, câmera e sensor de ré, freios a disco ventilados nas quatro rodas e faróis full LED.

Na cabine, quadro de instrumentos eletrônico integrado à central multimídia (12,3” cada), freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold, ar-condicionado automático dual zone, carregador de celular por indução e chave presencial.
Mas vale ressaltar que esta opção não traz nenhum item de assistência à condução (ADAS) robusto. Estes virão em uma versão mais completa que será lançada este ano.
Algo que ajudaria ainda mais a Kia a disfarçar o estilo pouco ortodoxo da Tasman. Mas a fabricante promete que, ao volante, ela vai evidenciar de vez os adjetivos preferidos pela marca.
Em breve, a gente conta aqui como anda a Kia Tasman. E se o menino pode ficar com seu óculos fundo de garrafa.
