
A startup Lecar ficou devendo em sua primeira participação no Salão do Automóvel de São Paulo. A empresa havia prometido apresentar no evento uma versão funcional daquele que seria o seu primeiro modelo nacional. A realidade, no entanto, foi diferente: os holofotes do evento iluminaram um protótipo da picape Campo desprovido de trem de força.
A Lecar, conduzida pelo empresário Flávio Figueiredo Assis, surgiu há 4 anos e aspira ser a primeira montadora brasileira por meio de um esquema logístico que envolve peças de prateleira de fornecedores tradicionais da indústria automotiva nacional.
Até hoje, a grande promessa da startup é o lançamento de um modelo híbrido flex produzido em uma fábrica em Sooretama (ES) em 2026. Mas o plano pouco andou até agora. Não há veículo, tampouco fábrica.
“Para a gente é bem simbólico estar no Salão do Automóvel e ser reconhecida como uma montadora em desenvolvimento. Sabemos que somos uma sementinha e temos um longo trabalho pela frente”, disse Assis. “Agora encontramos nossa tecnologia e parceiros, vamos acelerar e consolidar nossos planos.”
Construção da fábrica da Lecar no ES prometida para março
O projeto industrial em Sooretama está em fase de homologação final, disse Figueiredo, e o início das obras está previsto para o primeiro trimestre de 2026. O empreendimento terá capacidade para produzir 120 mil veículos por ano. O projeto envolve área de solda e cabine de pintura. A estamparia seria terceirizada.
O prefeito de Sooretama, Fernando Camiletti, esteve presente no Salão do Automóvel para reforçar essa parceria entre a Lecar e o município.
“Temos consciencia das limitações de fazer um carro no Brasil, por isso nos apoiamos na parceria com grandes fornecedores internacionais”, disse o CEO. “Estamos também negociando com fornecedoras chinesas, inclusive para transferência de tecnologia.”
Lecar promete 150 pontos de venda até 2026
Para chegar aos consumidores, a Lecar também promete uma rede formada por cinco concessionárias até o fim do ano. Até o final de 2026, a promessa é de 150 concessionarias.
“Nossa estratégia é também atuar com os lojistas de seminovos, porque acreditamos que esse mercado é muito grande”, explicou o vice-presidente de marketing e inovação, Rodrigo Rumi.