
Há poucos metros da entrada principal do aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais (PR), brota do chão um imenso outdoor. Nele, o anúncio, em letras grandes, que a 8ª Expo Motorhome está para acontecer na cidade.
Quando eventos são anunciados assim, para não escapar aos olhos de ninguém em pontos estratégicos, significa que é algo grande.
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Quilômetros mais tarde, já no pavilhão do Expotrade Pinhais, a reportagem da AB teve a certeza de que, sim, o evento é de fato um compromisso relevante para um público cativo chegado em campismo e caravanismo.
Foi esse público que urrou quando as portas da feira se abriram. É este mesmo público que a Marcopolo mira com uma nova unidade de negócios deicada ao segmento de motorhome.
Como nasceu o motorhome da Marcopolo
A fabricante de carrocerias de ônibus decidiu diversificar os negócios e pegou parte de suas fichas para apostar em um nicho ainda pouco percebido por empresas do seu porte no país. Desta forma, nasceu a Marcopolo Motorhome.
Para marcar a estreia, a fabricante desenvolveu com uma série de parceiros, como as também gaúchas Agrale e Tramontina, um modelo de motorhome batizado de Nomade.
Ele chega para competir em um mercado que, segundo a Marcopolo, representa um volume de 4 mil veículos por ano.
O número, porém, pode ser maior, considerando que muitos aventureiros recorrem a soluções caseiras para customizar ônibus, vans ou furgões. Afinal de contas, por baixo de uma carroceria de motorhome há um chassi veicular.
“É um segmento que ainda tem muito espaço para ser explorado. Nos Estados Unidos, por exemplo, o tamanho do mercado é de mais de 100 mil unidades”, disse João Paulo Ledur, diretor de estratégia e transformação digital.
“Criamos um ecossistema de parceiros para construir esse nosso primeiro modelo”, completou.
Motorhome exigiu expansão da fábrica da Marcopolo
O executivo revelou que a empresa criou uma espécie de anexo da fábrica instalada em Caxias do Sul (RS) para produzir o Nomade.
A parte estrutural tem elementos fornecidos pela montadora Agrale. Já a parte dormitório do veículo merece atenção maior, e fica sob responsabilidade de outra empresa parceira, a Tramontina.
É ela quem faz a montagem da área de convivência/dormitório do motorhome da Marcopolo. Ou seja, o principal atrativo de um veículo nesse segmento.
O do Nomade, por exemplo, tem 16 m², cama, teto panorâmico, iluminação de LED, janelas basculantes, refrigeradores, fogão, banheiro, TV, mesa para quatro pessoas, entre outros itens caseiros.
Quem move tudo isso dentro e fora das estradas é o motor diesel Cummins F3.8 de 175 cv equipado com caixa de transmissão da Allison.
Como é um segmento ainda muito explorado por empresas com processos artesanais de produção, a Marcopolo pretende apresentar uma oferta que possa conceder mais serviços ao cliente campista. Como garantia, manutenção, peças de reposição etc.
Iveco e Mercedes-Benz também exploram mercado aventureiro
Pelo espaço de exposição da feira, é possível ver como a maior parte das empresas que exploram esse ramo aventureiro são de pequeno e médio porte. Afora a novata Marcopolo, Volvo, Scania, Mercedes-Benz e Iveco são os outros grandes nomes do setor automotivo que, direta ou indiretamente, exploram o segmento com seus veículos do tipo chassi-cabine.
O Nomade da Marcopolo é fruto de um processo de diversificação que a tradicional fabricante de carroceria de ônibus adotou desde a pandemia de Covid-19.
Naquele momento, a empresa reduziu seu tamanho e sua força de trabalho na esteira da redução da demanda por ônibus rodoviários no Brasil e no mundo. A estratégia de diversificação, que também envolve o desenvolvimento de um chassi de ônibus elétrico, surge como uma lição aprendida: no caso, a de não depender apenas de poucos negócios e se expor aos momentos de estiagem comercial.
Esta não é a primeira vez em que a Marcopolo aposta em motorhomes. Entre as décadas de 1970 e 1980 a empresa inseriu em sua oferta nacional um modelo chamado Bambino, que era equipado em um primeiro momento com motor da perua Volkswagen Kombi, depois com motor do Passat refrigerado a ar.

No mais, ululam na feira fornecedores dos mais diversos tipos de equipamentos e acessórios, como refrigeradores, compartimentos de carga e, também trailers – sim, os trailers ainda estão por aí como opção mais barata de acomodação sobre rodas.
Mais barato que isso, talvez uma diária de AirBnB. Ou o camping tradicional que alberga barracas e tendas.
