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Mercedes 70 anos: gigante dos pesados também deixou marca em carros nacionais

Montadora construiu uma trajetória própria no mercado brasileiro de automóveis e hoje aposta em uma gama importada cada vez mais eletrificada

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Redação AB

28 set 2026

5 minutos de leitura

Quando se fala em Mercedes-Benz no Brasil, é difícil escapar dos caminhões e ônibus. Afinal, foi com os veículos comerciais que a marca construiu sua história industrial no país desde a década de 1950. Mas a estrela de três pontas também percorreu uma longa estrada no mercado de automóveis. E a trajetória começou de forma bastante diferente da atual.

Nos primeiros anos, os carros da marca eram produtos de baixíssimo volume, associados ao público de maior poder aquisitivo e também às autoridades governamentais. Na década de 1960, a montadora já comercializava automóveis de luxo no Brasil, especialmente para diplomatas, e mantinha uma oficina especializada em importados na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Era um mercado distante da escala que a empresa alcançaria décadas depois. A Mercedes ainda não tinha uma operação dedicada aos automóveis de passeio no país e os modelos chegavam essencialmente como produtos de representação da marca. A partir dos anos 1990, porém, o cenário mudou.

Abertura das importações mudou o jogo

A abertura do mercado brasileiro aos veículos importados abriu espaço para uma nova estratégia. A Mercedes-Benz criou a Starauto, unidade de negócios dedicada à comercialização dos automóveis da marca no Brasil. O resultado apareceu rapidamente. Segundo a própria empresa, as vendas, que estavam na casa de 500 automóveis por ano, chegaram a aproximadamente 5 mil unidades anuais no fim da década de 1990.

Foi nesse período que o consumidor brasileiro passou a ter acesso de maneira mais estruturada a uma gama que ia muito além dos tradicionais sedãs. Classe C, Classe E e Classe S ganharam espaço, enquanto cupês, conversíveis e esportivos passaram a compor o portfólio.

O Classe C, lançado mundialmente em 1993 como sucessor do 190, tornou-se um dos principais produtos da marca no mercado local. Ao mesmo tempo, a Mercedes ampliava a oferta de SUVs, esportivos e modelos de diferentes segmentos. Mas a história brasileira da marca não ficaria restrita apenas aos importados.

1999 marca a virada para a produção nacional

O passo mais ambicioso veio em 1999, quando a Mercedes-Benz começou a fabricar o Classe A em Juiz de Fora (MG), um movimento que surgiu na esteira de políticas setoriais que concediam isenções às empresas do setor com produção local.

A escolha do modelo dizia muito sobre a estratégia daquele momento. Em vez de trazer ao país apenas os grandes sedãs que tradicionalmente representavam a marca, a empresa apostava em um automóvel compacto, desenvolvido para ampliar sua presença em novos mercados.

O Classe A W168 tinha uma arquitetura bastante particular, com o chamado “piso sanduíche”, e tornou-se o primeiro automóvel Mercedes-Benz produzido em série no Brasil. A fábrica mineira produziu cerca de 63,4 mil unidades até 2005. A experiência, porém, não ficou limitada ao hatch.

A fábrica mineira também recebeu a produção do Classe C, inicialmente com forte orientação para exportação. Depois, a planta foi utilizada para produzir o CL Sport Coupé e, posteriormente, o CLC, cupê derivado do Classe C.

A segunda fábrica veio quase duas décadas depois

A Mercedes-Benz voltaria a apostar na produção brasileira de carros em 2016, mas dessa vez em Iracemápolis, no interior de São Paulo. A nova fábrica recebeu investimento superior a R$ 600 milhões e começou produzindo o Classe C. Logo depois, a planta passou a fabricar também o GLA, SUV compacto da marca.

A operação tinha uma característica curiosa: Classe C e GLA compartilhavam a mesma linha de produção, embora utilizassem arquiteturas diferentes. A Mercedes chegou a destacar que era a primeira vez em sua rede global que veículos de tração dianteira e traseira dividiam a mesma linha produtiva.

A segunda experiência nacional, entretanto, duraria pouco. Em dezembro de 2020, a Mercedes-Benz anunciou o encerramento da produção de automóveis premium em Iracemápolis. A empresa citou a transformação de sua rede global de produção, a situação econômica do país e a queda nas vendas de automóveis premium agravada pela pandemia. Era o fim da produção brasileira de automóveis Mercedes-Benz.

Importados e eletrificação: a estratégia atual

Após o encerramento da fábrica de Iracemápolis, a Mercedes-Benz voltou a operar no mercado brasileiro de automóveis exclusivamente por importação. O portfólio, entretanto, ficou muito mais amplo do que aquele existente nos anos 1990.

Hoje, a gama brasileira reúne sedãs como Classe C, Classe E e Classe S, além de SUVs como GLA, GLB, GLC, GLE, GLS e Classe G, cupês, conversíveis e modelos de alto desempenho da divisão Mercedes-AMG.

Em 2026, a marca também ampliou sua atuação no segmento de veículos de passageiros com a chegada do Classe V, lançado no Brasil em setembro nas versões V 300 Avantgarde e V 300 Elegance.

Vale lembrar que a empresa tem tradição em veículos comerciais leves, com a Sprinter, vendida aqui no Brasil desde 1997 e que já está em sua terceira geração. Este ano, inclusive, a linha de vans e furgões recebeu opção de câmbio automático.

Mas talvez a mudança mais significativa esteja debaixo do capô. A Mercedes-Benz iniciou a comercialização de veículos elétricos no Brasil em 2020, com o EQC 400, primeiro modelo 100% elétrico da marca no mercado nacional e responsável por inaugurar oficialmente a família EQ no país.

Depois, entraram no portfólio local modelos como EQA, EQB, EQE e EQS, além das versões AMG derivadas dos elétricos. Em 2024, a Mercedes afirmava ter sete modelos 100% elétricos disponíveis no segmento de luxo brasileiro.