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Mercedes 70 anos: os caminhões que marcaram as sete décadas no país

Torpedo, Mercedinho, Actros: Relembre modelos icônicos da Mercedes-Benz que marcaram a evolução do transporte de cargas no país

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Redação AB

28 set 2026

11 minutos de leitura

Os 70 anos da Mercedes-Benz no Brasil contam um pouco da história do desenvolvimento da indústria automotiva de pesados no país. Inaugurando as operações da marca no Brasil, o L312, conhecido como “Torpedo”, foi o primeiro modelo fabricado no país e abriu portas para a evolução no transporte de cargas em território nacional.

Para relembrar os modelos mais marcantes da história da Mercedes-Benz, preparamos uma lista dos caminhões icônicos que contam, por si só, como foi a evolução da marca em território brasileiro.

L 312, o “Torpedo” (1956)

Inaugurando as produções da marca no Brasil, o L 312, conhecido como “Torpedo” foi o primeiro modelo fabricado no país. Ele foi lançado em 1956, no mesmo ano em que foi inaugurada a fábrica da marca em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, em um evento que marcou a história da indústria brasileira, contando com nomes como o presidente da época, Juscelino Kubitschek.

Com um cofre de motor fino e comprido que lembrava um projétil, o L 312 foi apelidado de torpedo e era equipado com um motor nacional de seis cilindros, movido a diesel, com 4,6 litros e potência de 110 cv. Na época, esse tipo de propulsão junto da capacidade de 6 toneladas de carga útil, representou uma revolução no transporte de cargas do país. Isso porque o modelo provou ser mais econômico do que veículos a gasolina.

Esse detalhe pode ter se perdido na memória de quem viu o L 312 em atividade, mas o modelo ainda contava com uma assistência técnica itinerante composta de versões adaptadas do próprio caminhão, chamadas de “carros oficina”.

LP 321 (1958)

A Mercedes iniciou a década de 60 já com um novo modelo inovador no portfólio. O LP 321 chegou em 1958, sendo o primeiro caminhão com cabine avançada no Brasil, num contexto de crescimento da economia do Brasil e ampliação do adensamento populacional no interior dos estados brasileiros.

A montadora teve a visão de que o país precisava de caminhões que não só conseguissem trafegar por vias pavimentadas dos centros, mas também estradas de barro e areia, de pouca manutenção. Foi assim que o LP 321 nasceu, com uma carroceria maior e capacidade de 10 toneladas.

Produzido até 1970, ele possuía um motor a diesel OM-321, com seis cilindros em linha com 120 cv a 3.000 rpm. Por causa da cabine avançada, que se estendia completamente acima do motor, ele recebeu o apelido de “cara chata”.

O icônico LP 321 também foi responsável pela origem de uma extensa família para atender aos locais de difícil acesso. Como exemplo, temos o LP-321 4×4, o primeiro caminhão com tração nas quatro rodas do Brasil. Depois dele, surgiram também o cabine-leito LP 331 e o LP-333, que tinha dois eixos direcionais, direção hidráulica e 180 cv, carregando 20 toneladas.

L 1111 (1964)

Primeiro caminhão com cabine semiavançada, o L 1111 foi lançado no Brasil em 1964. Apelidado de “onze onze”, ele foi um dos mais populares da Mercedes-Benz por aqui.

O L 1111 possuía o mesmo motor do “cara chata”, OM-321, com seis cilindros em linha e 110 cv de potência. A família se dividiu em cinco modelos: a versão L, que contava com três opções com diferentes distâncias entre os eixos, sendo 3.600 mm, 4.200 mm e 4.823 mm; a versão LS (basculante) e a versão LK (cavalo-mecânico).

Os atributos que fizeram o L 1111 se destacar foram robustez e durabilidade, responsáveis por garantir um alto valor de revenda. Outro destaque era a manutenção relativamente fácil do caminhão, que possibilitava que o caminhoneiro conseguisse fazer reparos por conta própria com ferramentas básicas. 

O conforto do veículo também foi um marco. Ele contava com uma cabine ampla, assentos de altura ajustável e sistema de ventilação.

L 1113 (1970)

Apesar das qualidades que fizeram do L 1111 um sucesso, seu defeito era não ter tanta potência. Pensando nisso, a Mercedes-Benz desenvolveu o L 1113, que era mais potente.

Ele contava com o motor OM-352, primeiro da marca com injeção direta de combustível. Ele possuía seis cilindros, 5,7 litros e 130 cv a 3.000 rpm, um propulsor considerado leve, confiável e de baixo custo de manutenção.

Com a chegada do L 1111 e do L 1113 no mercado de pesados, eles também iniciaram uma revolução, mostrando que veículos de carga podiam ser além de potentes, confortáveis e acessíveis também.

L 608 D, conhecido como “Mercedinho” (1972)

Com caminhões da Mercedes desbravando as estradas do Brasil, houve um momento que os centros urbanos precisavam de um modelo para contar também, foi quando surgiu o L 608 D.

O “Mercedinho”, como era chamado, chegou com a proposta de ser um caminhão urbano focado em entregas, lançado em 1972. Ele possuía motor 3.8 de quatro cilindros que contavam com injeção direta, 85 cv e caixa de cinco velocidades ZF. Sua capacidade era para 3.500 kg.

O “Mercedinho” estava disponível em três versões: uma com cabine, outra com meia cabine e mais uma com chassi nu. Foi um sucesso: ao fim do primeiro ano nas lojas, ele já detinha 35% da participação no segmento de pesados. Além das inovações, ele contava com um design que chamava atenção, o que também influenciou no seu sucesso.

L 1620 (1996)

O L 1620, sucessor direto do L 1113, foi um semipesado lançado em 1996 que também fez sucesso nas ruas do Brasil.

Originalmente, ele era um modelo 4×2, mas isso foi revisto e foi adicionado um terceiro eixo. Depois dessa mudança, o L 1620 começou a ser oferecido em duas versões 6×2: a Classic, com motor 6 cilindros turbo intercooler de 211 cv e torque de 71 kgfm entre 1200 e 1900 rpm, e a Eletrônica, que possuía motor 6 cilindros turbo intercooler de 231 cv e torque de 83 kgfm entre 1200 e 1600 rpm.

Como sucessor do L 1113, suas maiores qualidades eram as mesmas de seu antecessor: robustez, fácil manutenção e alto valor de revenda. Também por isso, o L 1620 foi o caminhão mais vendido do Brasil por mais de dez anos, sendo o mais procurado entre aqueles que cumpriam rotas curtas ou médias.

LS 1935 (1990)

Um dos grandes sucessos da Mercedes-Benz foi lançado em 1990. O LS 1935 é um dos destaques da marca dentro do segmento de caminhões extrapesados. Ele contava com um motor poderoso, o OM-447 LA, com 360 cv e o freio Top Brake, sistema que está presente até hoje nos caminhões da marca.

O LS 1935 foi também o modelo que criou o termo “teto alto”, isso porque a altura interna da cabine foi aumentada e acabou virando moda durante os anos 90.

O caminhão também abriu portas para o seu sucessor, o LS 1938, lançado em 1998. Ele chegou de modo inovador, com o motor eletrônico de 380 cv. Considerado um dos maiores avanços na história dos propulsores a diesel, o LS 1938 tinha caixa de 16 marchas, freios a disco nas quatro rodas com sensor de desgaste das pastilhas, rodas de alumínio, ABS opcional, sendo o primeiro da marca com essa tecnologia, ar condicionado e desembaçador do vidro traseiro.

Accelo (2003)

O Accelo foi um ícone ainda do início dos anos 2000. Lançada em 2003, a família marcou a nova geração de caminhões leves da Mercedes, vindo para substituir a linha 608/709/710 e projetada para os grandes centros. O Accelo contava com conforto interno, baixo consumo de combustível e versatilidade para as manobras.

De início, o Accelo estava disponível nos modelos 715 C, de 7 toneladas, e 915 C, de 9 toneladas. O modelo contava com as travessas parafusadas do chassi, a suspensão por molas parabólicas, os amortecedores e barras estabilizadoras na dianteira e traseira e os coxins para o trem-de-força, que minimizavam ruídos e vibrações. Ele também possuía o motor eletrônico OM-612 LA, de cinco cilindros e 156 cv a 3.800 rpm, com injeção eletrônica common-rail.

Hoje, o Accelo foi adaptado e agora a família é composta pelos modelos 815, 1016 e 1316, caminhões de 8 a 13 toneladas de PBT. Nessa última versão, a 1316, o 3º eixo já sai da fábrica instalado e permite a instalação de carroceria com até 8 metros.

O Accelo conta com motor de 4,8 litros com a tecnologia BlueTec 5, capaz de diminuir o consumo de combustível e a emissão de poluentes, segundo a Mercedes-Benz. Ele também exibe um painel com diagnóstico onboard, câmbio automatizado de seis velocidades, bancos ergonômicos, freios Top Brake e ABS de série.

Axor 3131 autônomo (2018)

Outro modelo icônico é o 3131. Lançado em 2018, o caminhão autônomo foi uma revolução tecnológica. Em uma escala de 0 a 5, ele alcança o nível 2 de autonomia, isso significa dizer que o veículo não possui sensores para detectar obstáculos, mas consegue direcionar e acelerar sozinho, com um humano acompanhando sua operação.

Mesmo que a versão autônoma do 3131 utilize a base do original, ela conta com uma grande diferença visual, a bitola de 3 m, maior que a do modelo padrão da família.

O caminhão foi desenvolvido em parceria com a Grunner Tec, uma empresa especializada em produtos para o campo. O 3131 é usado especificamente no auxílio da colheita de cana-de-açúcar e atua sempre em parceria com uma colheitadeira também autônoma, se geolocalizando por meio de GPS. Com a área da fazenda mapeada previamente, o caminhão autônomo circula pela colheita sem esmagar mudas ou compactar o solo próximo a elas.

Novo Actros (2019)

Foi no ano seguinte que a Mercedes-Benz lançou o caminhão mais inteligente do Brasil, o novo Actros, que combina diversos sistemas de segurança e navegação.

Com motor OM 471 de 13 litros, 6 cilindros em linha e duplo comando de válvulas DOHC, 2 de admissão e 2 de escape por cilindro, o Actros tem potência de 530 cv com elevado torque de 2.600 Nm. Além disso, inclui sistema de injeção eletrônica CDI, ou seja, Common-Rail e X- Pulse com multiplicador de pressão.

Na segurança, ele tem boa assistência. Possui assistente de fadiga, assistente de ponto cego, controle de proximidade, sensor de chuva, novos defletores de ar, farol alto inteligente, freio motor de alta performance, com 560 cv de potência de frenagem, e outros atributos que fazem dele super inteligente.

Na navegação, o Sistema Uptime evita paradas não programadas. Ele conta com sistema de gestão de frota Fleetboard, volante multifunção touch e duas telas de alta resolução, uma delas com informações vitais e outra com opções de conforto e produtividade.

Arocs (2021)

O Arocs chegou com uma proposta de robustez para trabalhos mais severos fora de estrada. A linha lançada em 2021 se destaca pela resistência, durabilidade e produtividade, capaz de atender a aplicações e serviços dos segmentos de construção civil, mineração, madeira e outras atividades que exigem um modelo mais robusto. O caminhão extrapesado conta com opções de tração 6×4 e 8×4 em versões cavalo mecânico, plataforma e basculante.

Com motor OM 460 LA de 13 litros e 6 cilindros em linha, o Arocs entrega potências de até 510 cv com torque elevado de 2.400 Nm. Ele ainda conta com o câmbio automatizado Mercedes PowerShift 3 de 12 marchas e eixos traseiros com redução nos cubos, garantindo resistência nas operações.

A segurança do Arocs, que confere resistência no trabalho pesado, é um dos seus pontos mais fortes, junto com a possibilidade de adequação ao trabalho pesado. O modelo conta com cabines estendidas, podendo ser equipado com leito teto baixo, e possui posto de trabalho ergonômico, alavanca de câmbio na coluna de direção e freio-motor potente.

Retratado pela marca como um caminhão para todo tipo de serviço fora da estrada, a linha tem capacidade máxima de tração de 150 toneladas e peso bruto total técnico de até 58 toneladas, capaz de atender todos os tipos de movimentação de carga com robustez.