
Em setembro deste ano, o Metrô de Salvador (BA) comemorou um ano e meio da criação da Sala Elas à Frente, espaço de acolhimento para mulheres em situação de violência. Passageiras em situação de vulnerabilidade podem procurar os serviços da sala, que fica na Estação Pirajá, às terças e quintas, das 9h às 17h
A sala foi inaugurada em março de 2024, fruto de uma parceria entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), a CCR Metrô Bahia e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (SEDUR).
“A iniciativa nasceu da necessidade de oferecer um espaço seguro e reservado dentro do sistema metroviário para acolher e orientar mulheres vítimas de violência, além de atuar na prevenção de crimes de assédio e importunação sexual dentro ou fora do transporte público”, afirma Lídia Marques, analista de comunicação do Metrô Bahia.
Acolhimento dentro e fora do metrô de Salvador
Segundo ela, qualquer mulher que acesse o sistema metroviário e precise de ajuda é bem-vinda.
“O espaço é voltado prioritariamente para mulheres em situação de violência, sejam elas vítimas de importunação, assédio sexual ou outras formas de agressão. Qualquer passageira que precise de orientação, escuta e encaminhamento pode utilizar o serviço”, explica Lídia.
Nesse um ano e meio de funcionamento, a Sala Elas à Frente já atendeu mais de 150 mulheres, às quais ofereceu o suporte.
“A sala conta com uma psicóloga e uma assistente social da SPM, que realizam acolhimento especializado, suporte psicológico e social, além de encaminhamento assistido e direcionado para a rede de proteção como a Casa da Mulher Brasileira. Ou seja, mesmo fora da estação, as vítimas seguem amparadas por políticas públicas estruturadas”, conta a analista de comunicação.
Em paralelo , a CCR Metrô Bahia, concessionária que opera o serviço, também afirma investir na capacitação dos agentes de atendimento e segurança, para identificar e agir diante de casos de violência que ocorram nos trens.
Mulheres sofrem violência no transporte

Pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com o Ipec divulgada em 2025 revela que 73% das mulheres de Salvador já sofreram algum tipo de assédio (a média das 10 maiores capitais brasileiras é 74%).
A rua e outros espaços públicos, como praças e parques, são os lugares onde as vítimas mais reportam sofrer os abusos, com 56% das entrevistadas relatando terem sofrido assédio nesses locais. O transporte público aparece na segunda posição, com 51% das respostas.
Uma segunda pesquisa, realizada pelos Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva com apoio da Uber, ouviu mais de 4 mil brasileiras em nove capitais, incluindo Salvador, e constatou que 71% das mulheres do país já passaram por alguma situação de violência ao utilizar algum meio de transporte em seu cotidiano para se deslocar.
As situações mais reportadas foram olhares insistentes e/ou cantadas inconvenientes (44%), assalto/furto/sequestro relâmpago (26%) e importunação sexual (17%).
Segundo a pesquisa, a maioria das vítimas mudou seus hábitos de comportamento após sofrer violência. Apenas 23% receberam ajuda de pessoas que presenciaram a situação de violência.
“Garantir às mulheres um local seguro, onde possam encontrar apoio e orientação, é mais do que uma política pública. Por meio de iniciativas como essa, seguimos em linha com o nosso propósito de melhorar a vida das pessoas através da mobilidade”, afirma a analista de comunicação.
O Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas (nome formal do metrô da capital baiana) tem 38 km de extensão, duas linhas, 22 estações e dez terminais integrados. Mais de 400 mil passageiros utilizam o serviço todos os dias.