
O Governo Federal criou um programa que vai subsidiar a compra de automóveis zero quilômetro para motoristas de aplicativo e taxistas pessoa física. A iniciativa vai se chamar Move Motoristas e está em ajustes finais em Brasília (DF) para seguir à sanção presidencial.
Segundo apurou a reportagem, o programa deverá ser apresentado até sexta-feira, 15, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o MDIC. Não houve envolvimento das associações de classe em seu desenho, como a Anfavea (montadoras) e a Fenabrave (distribuidores).
Por outro lado, seus representantes já foram avisados a respeito do programa que, assim como o Move Brasil, destinado ao setor de caminhões e ônibus, tem como principal atrativo o crédito subsidiado para aquisição dos veículos.
As semelhanças seguem. O governo vai conceder créditos que têm como fonte recursos do Tesouro Nacional e do BNDES. À reportagem, uma fonte ligada à indústria comentou que os bancos das montadoras também estarão envolvidos nessa engenharia financeira.
O valor total que será concedido, no entanto, segue oculto por trás do biombo governamental. Segundo reportagem do jornal O Globo, o crédito envolve juros mais baratos do que aqueles praticados no mercado, baseados na Selic, algo em torno de 12% ao ano com carência de seis meses.
A publicação informou, ainda, que os veículos envolvidos no Move Motoristas deverão custar até R$ 150 mil. Por outro lado, a fonte ouvida em off disse que isso ainda está sendo estudado, e que a medida poderá envolver também modelos de automóveis elétricos.
O assunto, inclusive, é forte tema de debate entre aqueles que desenham o programa. Inserir no escopo modelos elétricos beneficiaria as montadoras chinesas, quem tem estoque alto desembarcado no país e toda a sorte de carros com preços nessa faixa, o que poderia provocar descontentamento nas marcas ocidentais que mantém produção local.
O fato é que esta é o quarto aceno que o governo federal faz ao consumidor envolvendo a compra subsidiada de veículos novos. Primeiro, o Carro Sustentável, que envolve os modelos considerados de entrada. Depois, o Move Brasil no segmento de pesados, que foi ampliado na sequência numa espécie de segunda fase. Agora, o Move Motoristas.
Com a medida, o governo também acena à indústria, que vem buscando há tempos formas de aumentar o volume de vendas no país no momento em que a Selic inibe os financiamentos de longo prazo.
Em diversas oportunidades a própria Anfavea, que é a associação que representa parte das montadoras de veículos no país, reconheceu que as vendas de caminhões – em crise – poderiam ser bem piores não fosse o Move Brasil. O mesmo efeito se nota com o Carro Sustentável no mercado de leves.
