
A Leapmotor completou dez anos de existência em dezembro de 2025 registrando o maior volume de vendas da sua história, 596,5 mil unidades. O resultado representa mais do que o dobro do volume visto em 2024 e também foi maior, inclusive, do que obtido pela Fiat, marca também controlada pela Stellantis, no Brasil ao longo do ano passado.
O plano da empresa para 2026 é chegar a 1 milhão de unidades vendidas no mundo, e a operação comercial e industrial recentemente iniciada no Brasil pode servir de impulso para se alcançar a meta. Produzir e vender os utilitários esportivos B10 e C10 no país tem a ver com isso, ainda que a expectativa seja a de aumentar as vendas na China.
A montadora é mais uma de origem chinesa que busca expansão internacional para escoar sua volumosa produção de veículos, de forma a conseguir mais negócios. O segredo para isso não é outro senão chegar em novos mercados com uma oferta interessante do ponto de vista de produto e, claro, sob a ótica do preço.
A respeito desse último item, a fabricante de alguma forma subverteu a lógica da indústria para ter mais margem para reduzir o tíquete de sua oferta, se caso for necessário. Acontece que 65% dos componentes que integram os seus veículos tem como origem as linhas da própria montadora.
A Leapmotor, portanto, domina a produção das partes estratégicas dos seus carros, como chassi, arquitetura eletrônica, sistema de bateria, de direção elétrica e o pacote de auxiliares de direção. Verticalizar o desenvolvimento e a produção de componentes marca um novo momento na indústria, que há anos optou por diluir a produção de componentes no parque de fornecedores.
Para Felipe Daemon, líder da empresa na América do Sul, o controle da produção dos elementos críticos dos carros da Leapmotor é algo fundamental para o boa execução do plano de internacionalização da companhia porque também reduz custos de produção dentre outros benefícios.
Leapmotor aposta na verticalização de componentes
“É uma tendência interessante, proporciona flexibilidade, redução de custos e acelera o desenvolvimento das novas tecnologias. A Leapmotor cria e já aplica essas tecnologias em seus carros, algo que demoraria mais no modelo outsourcing”, contou o executivo na quarta-feira, 22, na fábrica de componentes da montadora instalada em Huzhou, na China.
Esse modelo vertical de produção, aliás, é algo que deverá ser replicado pela empresa na sua produção em solo brasileiro, que se dará até o final do ano, em regime SKD/CKD, na unidade Stellantis de Goiana (PE). Dessa forma, um eventual nível de nacionalização de componentes do B10 e do C10 deverá ficar abaixo dos 40% – se isso acontecer, é bom lembrar.
A busca pela marco de 1 milhão de unidades vendidas passa também pela diversificação global da oferta. Neste ano, a empresa incorporou novos modelos no mercado chinês, como é o caso do sedã B01, o SUV cupê C11 e o SUVão de luxo D19.
SUVinho A10 tem tudo a ver com o mercado brasileiro

O D19 é vendido na China em duas versões. Uma 100% elétrica (BEV) e outra híbrida equipada com o extensor de autonomia REEV. O carro é grande, com 5.252 metros de comprimento, 1.780 metros de altura e 1.995 metros de largura, com entre-eixos de 3.110 metros. Chama a atenção o seu interior luxuoso, com uma destacada tela de 21,4 polegadas instaladas na parte traseira.
Mas quem chama a atenção mesmo é o SUV compacto A10, que fora da China também atende pelo nome de B03X. Esse BEV da Leapmotor ainda não está confirmado para o mercado brasileiro, mas tem forte aderência ao Brasil sobretudo porque tem porte similar aos dos SUVinhos que estão na moda no país, como é o caso do Volkswagen Tera, por exemplo, ou SUVs B, como o T-Cross.
