
O mercado de caminhões movidos a biocombustíveis ainda engatinha no país, mas importantes negócios já estão sendo fechados por aqui. Na quarta-feira, 30, Volvo e o Grupo Potencial, com atuação em Lapa (PR), anunciaram a venda de 31 veículos pesados equipados com motor que gera combustão com diesel e, também, com biodiesel.
Os caminhões envolvidos no negócio são do modelo FH B100 flex. O lote comprado pela empresa paranaense fazem parte de uma frota de 200 caminhões.
“Serão entregues mais 12 unidades até o fim do ano, totalizando um investimento de R$ 52 milhões”, disse Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente de novos negócios, comercial e relações do Grupo Potencial. Em Lapa, o grupo produz biodiesel, óleo vegetal, glicerina refinada, farelo de soja, dentre outros insumos.
Os veículos comprados da Volvo serão utilizados no transporte de soja e farelo de soja em implementos basculantes e também vão levar combustíveis em carretas-tanque. A empresa vai ampliar a produção de combustível: o volume vai saltar dos atuais 912 milhões de litros para 1,7 bilhão de litros/ano até 2030 em razão de um aporte de R$ 10 bilhões, que incluirá também a produção de etanol de milho e biogás.
Volvo FH flex pode rodar até 2 mil quilômetros
O B100 Flex pode ter cabine estendida, cabine leito e leito com teto alto. A capacidade de tração vai até 200 toneladas. A potência do motor está entre 380 e 500 cavalos. A capacidade do tanque é de mil litros, com autonomia para até 2 mil quilômetros. Todos são equipados com transmissão automatizada i-Shift. Os caminhões tratores podem ser 4×2, 6×2 ou 6×4. Aqueles com chassi rígido têm configurações 6×4 ou 8×4.
“Quando abastecido com biodiesel puro, a redução de emissões de CO2 do poço à roda pode chegar a 90%, dependendo da origem e do método de produção do biodiesel”, contou Jeseniel Valério, gerente de engenharia de vendas da montadora.
Para Volvo, Move Brasil não reverterá perdas de volumes do setor
De janeiro a maio, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram emplacados em todo o país 39,2 mil caminhões, registrando queda de 15,1% na comparação com o mesmo período de 2025. Para Alcides Cavalcanti, vice-presidente de vendas da fabricante, o Move Brasil 2 não será capaz de reverter a queda anual de mercado.
“Setenta e cinco por cento dos recursos do programa já foram utilizados e o restante deve se esgotar em mais dez dias. Esses caminhões serão entregues até setembro, então não se sabe o que ocorrerá no último trimestre”, contou.
O executivo recorda que, no começo de 2026, já considerava uma retração de 10% a 15% para o mercado de caminhões.
A Volvo é a terceira colocada no ranking de venda de caminhões no Brasil e teve 6.960 unidades entregues no período, atrás da VWCO (11 mil) e da Mercedes-Benz (9,8 mil). Contudo, ela é líder no segmento mais representativo, os pesados. Nestes cinco meses a empresa de origem sueca anotou 5,5 mil caminhões pesados licenciados.
Outro segmento em que a Volvo atua é nos semipesados, ocupando neste caso a quarta posição, com 1,5 mil unidades no acumulado até maio. Vale dizer que os pesados e semi representaram 75,9% dos emplacamentos realizados neste início de ano, considerando todas as marcas envolvidas.
Diesel ainda impera entre caminhões
O combustível fóssil mantém o predomínio entre os veículos comerciais. De acordo com dados da Anfavea, até maio foram emplacados 46,6 mil caminhões e ônibus movidos a diesel, equivalentes a 98,5% do total.
Comerciais pesados que utilizam fontes alternativas de energia ainda têm pequena representatividade nas vendas totais. De janeiro a maio de 2026 foram licenciados em todo o país 467 caminhões e ônibus 100% elétricos, equivalentes a apenas 1% dos emplacamentos no período.
Neste mesmo intervalo chegaram às ruas 69,7 mil automóveis e comerciais leves movidos a eletricidade. Neste caso, a fatia de mercado sobe para 6,3% dos emplacamentos totais. Entre os veículos leves há também os híbridos e híbridos plug-in, que até maio já passavam de 121 mil unidades, representando 11% dos licenciamentos nestes primeiros cinco meses de 2026.
Na linha de veículos pesados, outra opção ao diesel que vem sendo explorada no Brasil são os motores a gás. Em todo o ano passado foram licenciados 669 caminhões e ônibus movidos a esse tipo de combustível.
E de janeiro a maio de 2026 chegaram às ruas 251 unidades. Desse total, 207 eram caminhões Scania, a maior parte destinada ao transporte de carga geral e canavieiro. A Scania produz no Brasil dois motores a gás, um com 9 litros e potências entre 280 e 340 cavalos e outro de 13 litros e 420 ou 460 cavalos.