
Depois de ano aquecido para vendas de caminhões em 2024, a Volvo espera redução de 10% no tamanho do mercado brasileiro este ano. A companhia divulgou na quarta-feira, 12, a expectativa de que a demanda local gire em torno de 98 mil unidades – considerando os veículos acima de 16 toneladas, que é o segmento em que a fabricante atua.
“Tivemos uma deterioração do cenário macroeconômico depois da Fenatran, com o cancelamento de pedidos”, conta Wilson Lirmann, presidente da companhia para a América Latina. Segundo ele, houve desistência ou falta de aprovação de crédito de 30% da demanda da feira. O índice é normal, mas há o risco de novos cancelamentos, já que parcela de 30% pediram para postergar os pedidos.
Dólar e inflação em alta, demanda por caminhões em baixa
Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo Caminhões, aponta como fatores críticos para 2025 a alta dos juros e também o reajuste do diesel. Segundo o executivo, esses movimentos fazem com que os operadores de transportes segurem a decisão de compra de caminhões. “É algo prejudicial porque atrasa a renovação da frota”, observa.
Lirmann acrescenta que a volatilidade cambial e a pressão inflacionária que vem dos insumos, com aumento de materiais como o aço, por exemplo, podem provocar reajuste no preço dos veículos, mais um aspecto que contribui com a retração.
“No começo do ano, já precisamos fazer incremento de 5% na tabela por causa da inflação. Não há nada definido ainda, mas, com o aumento do dólar, temos um impacto de cerca de 6% nos preços que reflete o conteúdo importado dos caminhões”, conta Alcides.
Novo ciclo de investimentos a partir de 2026
Mesmo com a contração das vendas esperada para 2025, o executivo garante que o cenário não é de todo negativo. “Apesar da queda, em 2025 teremos um dos patamares mais altos de vendas dos últimos 20 anos”, lembra. E a Volvo já elabora um novo pacote de investimentos para o mercado brasileiro.
“Temos visão de longo prazo para o Brasil. A despeito das flutuações, o país é o segundo maior mercado de caminhões da empresa no mundo. E o maior de todos quando falamos de ônibus. Com isso, estudamos um aporte que deve começar no ano que vem”, diz Wilson Lirmann.
Desde 2023, a companhia aplica R$ 1,5 bilhão – ciclo que termina este ano. O montante foi destinado ao desenvolvimento e lançamento de modelos com novas tecnologias para a descarbonização, soluções de segurança, ao lançamento de novos serviços e à expansão da rede, que hoje conta com 107 concessionárias.
Volvo Brasil atenderá ao mercado mexicano
Apesar do mercado interno mais abatido, a Volvo espera fortalecer as exportações em 2025. No ano passado, 14% da produção da companhia no Brasil foi destinada a mercados internacionais. “Devemos ter um número mais robusto agora”, comenta Lirmann.
Um dos motivos para isso é que a operação nacional será responsável por atender ao México, que é um mercado interno de 40 mil caminhões por ano. “A fábrica que o Grupo vai construir lá vai atender apenas ao mercado dos Estados Unidos. Para o mercado mexicano, exportaremos veículos fabricados em Curitiba (PR)”, diz o presidente.
Além disso, ele estima melhora de outros grandes destinos para exportações da empresa na América Latina, como Argentina, Chile e Peru.
