
A indústria brasileira registrou uma alta robusta nas exportações de veículos em janeiro de 2025. Ainda que sobre uma base (muito) fraca, os números do começo do ano sinalizam a retomada do mercado argentino, fundamental para o ritmo de embarques a partir do Brasil.
O balanço da Anfavea, entidade que reúne as montadoras, revelou que as exportações de veículos em janeiro chegaram a 28,7 mil unidades. O número foi 52,3% superior ao do mesmo mês de 2024.
O próprio presidente da Anfavea, Marcio de Lima Leite, durante apresentação dos resultados, admitiu que janeiro de 2024 foi um dos piores meses de exportações de veículos para a indústria.
Mas fez questão de frisar as compras argentinas, que tiveram alta de três dígitos.
“Não podemos deixar de comemorar a Argentina. O mercado argentino estava andando de lado e esse ano podemos ter surpresas”, disse o executivo.
Argentina deve alavancar exportações de veículos
As exportações de veículos para o maior parceiro comercial do Brasil passaram das 19 mil unidades em janeiro de 2025. Alta de 207% em relação às pouco mais de 6 mil unidades embarcadas no primeiro mês de 2024.
Desta forma, a Argentina representou 68% do volume nas exportações de veículos no começo do ano. E animou a Anfavea, que projeta para 2025 um mercado argentino entre 550 mil e 600 mil carros, bem superior à média de 350 mil unidades/ano que vinha sendo trabalhada
Nem mesmo a isenção de taxa para veículos elétricos adotada recentemente no país vizinho arrefece as esperanças da associação – pelo menos no curto prazo.
“O mercado argentino continuará tendo crescimento. A questão dos elétricos serve de alerta, mas não vai representar um volume que vai tirar a participação do Brasil, pois a Argentina tem os mesmos desafios de infraestrutura”, analisa o presidente da Anfavea.
Brasil perde participação em mercados tradicionais
Ao mesmo tempo, a Anfavea demonstrou preocupação com a queda na participação dos automóveis brasileiros em mercados importantes. As exportações de veículos para o Chile caíram 6% e para a Colômbia, 4%.
Os dois países, contudo, aumentaram o volume de vendas sem seus respectivos mercados domésticos.
Os embarques para o México foram os piores, despencaram 80%, com menos de 800 unidades enviadas em janeiro de 2025. Consequência de menor produção aqui de carros destinados ao país, como também aumento da atividade industrial mexicana.
“As exportações para o México tinham salvado o ano passado e agora temos um cenário menor. Tivemos alguns produtos que são destinados para o México com produção mais restrita no fim de 2024 e início de 2025. Mas o próprio México está trabalhando muito sua produção local”, acredita o presidente da Anfavea.
Ao todo, o valor das exportações de veículos neste primeiro mês de 2025 atingiu US$ 807,8 milhões, alta de 30% em relação às cifras negociadas em janeiro de 2024.
Importados têm maior participação em 13 anos
O balanço da Anfavea deste mês não ficou tão marcado pela chiadeira em relação aos importados chineses. As compras de fora somaram mais de 39 mil unidades em janeiro, aumento de 24,8% na comparação interanual.
A Argentina respondeu por mais de 19 mil unidades, alta de 33% em relação aos embarques de janeiro do ano passado e quase metade de todo o volume de veículos trazidos para cá no mês.
Da China vieram mais de 10 mil unidades, aumento de 31% em relação ao mês inicial de 2024 e participação de 26% nas importações.
De qualquer forma, a Anfavea não perdeu a chance de dar aquela chorada habitual. E alfinetou os 23% de market share dos importados no total emplacado no país.
“As importações continuam em ritmo acelerado e criam um desequilíbrio com a nossa produção. A produção poderia ter crescido mais de 15,5%. É a maior participação de importados no mercado desde março de 2012”, afirmou Marcio de Lima Leite.
