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Balança comercial negativa de veículos aumenta munição da Anfavea contra importados

Avalanche de veículos trazidos de fora, puxada por eletrificados chineses, superou as exportações em 2024
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Fernando Miragaya

14 jan 2025

3 minutos de leitura

Mais certo que todo mês você ter de pagar contas de luz, água e gás são as queixas da Anfavea em relação aos importados. No balanço de 2024, a balança comercial desequilibrada na importação x exportação de veículos só serviu para aumentar a ofensiva da indústria.

Desde o começo de 2024 a entidade que reúne as montadoras chama a atenção para a avalanche de veículos importados que chegam ao país. Em especial, os eletrificados chineses.

Segundo dados consolidados da associação apresentados nesta terça, 14, foram importados mais de 466 mil veículos em 2024. Alta de 33% em relação ao total trazido de fora em 2023 e o maior volume importado pelo setor nos últimos 10 anos.

Já as exportações em 2024 somaram 398,5 mil, pequena queda de 1,3%. E poderia ter sido pior, uma vez que a Argentina salvou as vendas externas de veículos, com uma retomada no segundo semestre.

Brasil perde participação em mercados da AL

Ao todo, o Brasil exportou mais de 160 mil unidades para seu principal parceiro comercial, alta de 48% em relação ao ano anterior. Além da Argentina, só para o Uruguai vendemos mais na América Latina: 38 mil unidades e crescimento de 22%.

No mais, as fabricantes brasileiras perderam participação nos principais mercados da região. Principalmente no México (-25%) e Chile (-29%).

“Estamos perdendo participação em países que são fundamentais para o Brasil. Houve crescimento de mercados na América Latina, mas o Brasil perdeu participação”, afirma o presidente da Anfavea, Marcio de Lima Leite.

O executivo adiantou que a associação prepara um estudo que deve ser entregue até fevereiro ao Governo Federal com diretrizes para aumentar a competitividade das exportações de veículos.

Anfavea critica alíquota para importados

Ao mesmo tempo, voltou a disparar contra as alíquotas de importação para os veículos eletrificados. Só as compras da China alcançaram mais de 120 mil unidades em 2024, alta de 180% em relação a 2023.

Tais importações destes veículos teriam representado uma renúncia fiscal de R$ 6 bilhões em 2024, de acordo com cálculos da entidade.

“Alguma coisa precisa ser revista e não está funcionando. Essa combinação de foco exportações e conter o excesso de importações é fundamental se queremos ter um país com geração de empregos e anúncio de investimentos como vem ocorrendo”, afirma.

Marcio de Lima Leite voltou a defender a recomposição da tarifa originária para os veículos importados híbridos e elétricos.

“Temos as alíquotas mais baixas do mundo. Outros países têm estabelecido uma política de proteção aos seus mercados, o Brasil não. Além de não tributar, ainda ofereceu uma redução da alíquota mínima. Não podemos perder competitividade em função de tarifas baixas”, critica.

Argentina deve animar exportações em 2025

Apesar do cenário apocalíptico desenhado pela Anfavea, as perspectivas de exportações são positivas para 2025. A entidade trabalha com um aumento de 7,4% nos embarques de veículos no ano.

A Argentina é um dos mercados que deve contribuir para este crescimento. A expectativa é que as vendas para o país vizinho cresçam 20% em 2025.