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EMISSÕES

O que é o retrofit, técnica que fez a Bosch misturar diesel e etanol no motor

Sistemista aposta em tecnologia que pode ser alternativa barata aos frotistas que buscam reduzir emissões de seus veículos pesados
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Bruno de Oliveira

07 mai 2026

2 minutos de leitura

A Bosch assina o projeto do sistema flexfuel que revolucionou a indústria automotiva nacional, que passou a oferecer automóveis com motores que rodam com gasolina e etanol. Na Agrishow deste ano, a sistemista mostrou que esse método pode ser viável também no universo dos veículos pesados – ainda que um pouco diferente.

Na quarta-feira, 6, a empresa anunciou que vai investir R$ 29 milhões no retrofit de motores diesel para que eles também funcionem com etanol. A técnica em si não é nenhuma novidade. Mas, para quem não conhece, trata-se de um recurso de engenharia que atualiza uma plataforma já existente. Uma adaptação.

No caso dessa tecnologia, a Bosch criou um sistema de injeção de etanol que assume a combustão do motor em determinados momentos da tração. Não se trata, portanto, de um motor flex, mas um conjunto auxiliar que troca o tipo de combustível em algumas rotações.

“Na prática nós instalamos duas unidades de controle eletrônico que gerenciam a injeção dos dois combustíveis no motor de forma separada. O motor inicia a ignição com diesel, depois em algumas rotações entra a injeção de etanol”, explicou Paulo Rocca, vice-presidente de inovação e novos negócios da Bosch na América Latina.

Os ganhos podem ser três. Algo a mais de potência, e redução do consumo de diesel, podem estar na lista. Redução de emissões também é outro, já que há queima de etanol em algum momento da tração. Mas há outro, talvez o mais importante neste caso, que é o fato desse sistema representar uma alternativa barata aos frotistas que precisam reduzir emissões das frotas que mantêm.

Não há como negar que aproveitar um ativo já existente configura um custo menor na comparação com a compra de um novo veículo pesado.

Cummins e MWM também apostam no retrofit

Não são todos os frotistas que possuem perfil de investimento suficiente para renovação total de caminhões, por exemplo. O retrofit, nesse caso, se mostra como algo viável ou introdutório em empresas que estão passando por transição e que não podem despender recursos milionários em veículos novos movidos a biocombustíveis ou eletricidade.

O caso da Bosch neste nicho de mercado não é único. A fabricante independente de motores MWM, controlada pela Tupy, já há algum tempo tem em sua oferta serviço de retrofit de motores, convertendo powertrain diesel em um conjunto movidos por biometano. A Cummins é outra fabricante de motor que também testa no mercado motores “dual” que funcionam com sistema similar ao da Bosch.