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Oficinas mecânicas têm dificuldades em contratar mão de obra

Levantamento mostra que mudanças geracionais e tecnológicas dificultam qualificação de profissionais na reparação automotiva
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Fernando Miragaya

28 ago 2025

3 minutos de leitura

Você já deve ter lido ou ouvido que falta engenheiro no mercado, assim como caminhoneiro no transporte. Outro profissional vital na cadeia automotiva também começa a ser raro. Um levantamento aponta que ⅓ das oficinas mecânicas tem dificuldades em contratar mão de obra qualificada.

A pesquisa foi feita em âmbito nacional pela Oficina Brasil, empresa que monitora o setor de reparação e reposição automotiva. O estudo revela que uma em cada três oficinas mecânicas relataram obstáculos e dificuldades em encontrar mão de obra.


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Segundo a Oficina Brasil, a transformação do setor de aftermarket em termos de digitalização e eletrificação, além de um novo perfil de profissionais, se apresentam como causas principais para essa carência de mão de obra qualificada nas oficinas mecânicas.

“A profissão do reparador está passando por um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que vemos um profissional mais digital, mais qualificado e atento à gestão do negócio, ainda enfrentamos a dificuldade de formar e reter talentos”, diz André Simões, diretor executivo da Oficina Brasil.

“A qualificação contínua é fundamental para que esse novo perfil acompanhe a velocidade das transformações tecnológicas do setor”, completa.

O perfil da mão de obra e das oficinas mecânicas

O setor de reposição automotiva movimenta R$ 60,2 bilhões ao ano apenas em peças técnicas e lubrificantes, com mais de 74,6 mil oficinas ativas e cerca de 300 mil profissionais. 

A pesquisa também traçou um perfil atual do reparador brasileiro: 68% ocupam cargos de proprietário ou chefe de oficina. A idade média é de 42 anos, 74,8% são casados, 58,8% têm de um a dois filhos, 72% cursaram o ensino médio e 18% concluíram o ensino superior.

A participação feminina no setor cresceu 230% desde 2019. O número de profissionais mulheres passou de 5% para 16,5%. 

A participação feminina na mão de obra das oficinas é maior na faixa etária mais jovem. Entre os reparadores com até 24 anos, 43% são mulheres. Na faixa até 29 anos, o índice é de 37%. Além disso, 68% das profissionais já ocupam posições de liderança ou gestão.

A rotina de trabalho se revela intensa. Em média, cada oficina atende 123 veículos por mês, crescimento de 52,5% em relação a 2020. 

Decisão de compra das peças é do dono da oficina

As compras, pelo estudo, ficam em R$ 67,6 mil mensais e o tíquete médio das oficinas mecânicas é de R$ 550 por serviço.

A gestão de compras é feita geralmente por canais mais ágeis, com 72,3% dos pedidos realizados pelo WhatsApp ou pelo bom e velho telefone. Apenas 7% ainda fazem compras em lojas físicas e presencialmente.

Para 54% dos entrevistados, a qualidade do componente é o principal ponto na decisão de compras de peças. Outros 27% são motivados pela reputação da marca.

Além disso, mais da metade (56,8%) afirma não delegar a compra de componentes ao dono do carro, para manter o controle e garantir qualidade e prazo.

“Esses números evidenciam que o reparador brasileiro está assumindo um papel cada vez mais estratégico dentro da cadeia. Ele não é apenas quem executa o serviço, mas quem define padrões de qualidade, influencia o consumo e conduz a relação com o cliente”, acredita André.