
A Stellantis foi uma das primeiras empresas a estudar a possibilidade de aplicação de motores movidos apenaS a etanol em seus veículos, chegando a afirmar no passado que o projeto estava pronto na gaveta aguardando estímulos do mercado. Hoje, com o reaquecimento do debate, e com a General Motors saindo na frente com um produto de linha, a montadora acredita que o seu carro movido pelo biocombustível se tornará realidade se o consumidor for estimulado de alguma forma.
“Estou falando de isenção de rodízio e de pagamento de IPVA, por exemplo”, disse Marcio Tonani, vice-presidente de engenharia, na segunda-feira, 20. “Uma outra opção seria uma linha de crédito específica para aquisição desses modelos. O consumidor tem que se sentir beneficiado de alguma forma para comprar um carro movido apenas a etanol”, completou o executivo.
A General Motor iniciou essa jornada no mundo do etanol com uma versão do compacto Chevrolet Onix chamada Eco. A configuração oferecida no mercado é equipada com motor turbo e o preço sugerido pela montadora em maio foi de R$ 103.190 no modelo hatch e R$ 106.990 na versão sedã.
Tonani disse que a empresa já testou em bancada o seu motor a etanol, e que este tipo de motorização poderia ser viável em qualquer segmento, uma vez que melhorar a eficiência e, claro, o nível das emissões.
“Testamos uma versão alterando a calibração do software do sistema para reconhecer o combustível”, disse. Além dessa opção, as montadoras podem promover alterações no bloco do motor de modo a modificar a taxa de compressão, que no caso do etanol é maior do que a da gasolina.
A Volkswagen é outra montadora que testa motores calibrados para funcionar apenas com etanol, no caso, uma unidade da picape Saveiro. O carro, no entanto, precisaria ser submetido a um estudo de viabilidade econômica da equipe de vendas para se tornar um produto do line-up oficial da empresa na região. É possível que este sistema seja embarcado em um modelo utilitário.
Modelos como esse são interessantes por duas razões. A primeira tem a ver com o apelo ESG que eles podem conferir às frotas corporativas, uma vez que a queima do etanol é mais limpa do que a da gasolina.
A outra é o benefício fiscal. O motor a etanol viabiliza a entrada do veículo no Programa Carro Sustentável, que confere redução de tributos aos veículos mais eficientes e mais limpos.
