
A BYD mal começou suas atividades em Camaçari (BA) e já enfrenta problemas relacionados à falta de peças importadas que vão alimentar a sua linha de montagem na unidade.
A montadora está há 15 dias com uma carga composta por kits de montagem oriundos da China – chamados internamente pela companhia de módulos – retida no porto de Salvador (BA), sem meios de desembaraço. Seriam kits para montar 9,8 mil veículos da marca.
Descubra no #ABX25 qual é o futuro do mercado de carros elétricos seminovos. Garanta sua vaga
À reportagem, uma fonte ligada à BYD informou que a retenção dessa carga de peças no porto mantém paralisadas as atividades na fábrica há pelo menos 10 dias. Atividades essas que, por ora, envolvem o treinamento dos funcionários que vão atuar na montagem final.
Com peças no porto, BYD pode dar férias na fábrica que nem começou a operar
A mesma fonte disse, ainda, que a montadora cogita a concessão de férias coletivas a esses funcionários caso os kits sigam retidos pela entidade aduaneira no local.
O interlocutor contou que a montadora não consegue acessar o material porque a quantidade de kits extrapola a cota de importação estabelecida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) recentemente.
Segundo a pasta, as fabricantes que entraram no regime cotista são Audi, BMW, Caoa, GAC, GWM, Honda, Hyundai, Jaguar Land Rover, Kia, Mercedes-Benz, Omoda Jaecoo, Porsche, Renault, Volvo, além da própria BYD.
Pela regra, essas empresas terão uma cota para importar o equivalente a US$ 463 milhões em kits. Os conjuntos de peças podem ser de carros semi-desmontados (SKD), quando a carroceria já está armada, ou totalmente desmontados (CKD), o que envolve uma montagem local do chassi.
Procurada, a BYD confirmou que tem a carga de peças presa no porto de Salvador, mas não se manifestou a respeito das razões que motivaram a medida. Nem se de fato vai conceder férias coletivas aos funcionários da unidade.
A reportagem apurou que, na semana passada, o presidente da companhia no Brasil, Tyler Li, esteve em Brasília (DF) reunido com integrantes do MDIC para tratar do tema. O encontro foi registrado na agenda do vice-presidente da república e ministro da pasta, Geraldo Alckmin.
Fábrica de Camaçari ainda segue sem produzir veículos
A BYD iniciou as negociações para compra da unidade, que era controlada pela Ford, em 2022, e concluiu a compra da planta em meados de 2023. Na oportunidade, também anunciou investimento da ordem de R$ 5,5 bilhões.
Inicialmente a fabricante prometeu produção anual de 150 mil veículos, com aumento gradativo até chegar a impressionantes 600 mil/ano até 2030.
De lá para cá, adiou por vezes a inauguração da fábrica, que teve episódios de trabalho análogo à escravidão. A BYD ainda prometeu ter um centro de pesquisa e desenvolvimento na Bahia.
Na inauguração da fábrica, a montadora informou que serão montados o subcompacto elétrico Dolphin Mini, o SUV híbrido Song Pro (nas versões GL/GS) e o sedã híbrido King (GL/GS).
O plano inicial indicava até o fim do ano a produção de 50 mil unidades no sistema SKD. Para os próximos anos, contudo, a empresa planeja nacionalizar toda a produção, sendo ela mesma a responsável pela fabricação de alguns componentes.
A fábrica da BYD na Bahia deverá funcionar completamente em dezembro de 2026, de acordo com Augusto Vasconcelos, gestor da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia.
De acordo com o sindicato local dos matalúrgicos, um quadro formado por 1 mil funcionários trabalha na fábrica atualmente.
