
O primeiro modelo híbrido flex da Baic no mercado brasileiro será o utilitário esportivo X55, um SUV médio de 5 lugares. A informação foi confirmada por Oswaldo Ramos, COO da marca no país, na quarta-feira, 28, durante apresentação do compacto elétrico Arcfox T1.
O executivo disse que uma unidade do modelo já está rodando em testes no Brasil realizados pela sistemista Bosch. Vale lembrar que o fornecedor é considerado o pai da tecnologia bicombustível aqui no país. Ramos contou que a motorização está praticamente pronta, mas o processo de homologação exige tempo e deverá levar quase um ano.
“A gente vai acabar lançando o flex em 2028”, contou o executivo. Ele explicou, ainda, que a tecnologia faz parte do planejamento de produtos da marca para o mercado brasileiro e que a adaptação da oferta local também está relacionada aos planos futuros de manufatura no país.
A decisão de desenvolver um híbrido flex responde às características específicas do mercado nacional, entre elas a presença do etanol na matriz de combustíveis e as mudanças na proporção do biocombustível misturado à gasolina.
Para Ramos, desenvolver o sistema flex desde o início pode ser uma alternativa mais adequada do que recalibrar repetidamente o veículo conforme as alterações na composição da gasolina. “É mais fácil já fazer flex de uma vez e você tem certeza que isso aqui vai funcionar”, disse.
Na sua avaliação, a tecnologia também oferece uma resposta ao consumidor que deseja combinar a condução elétrica no uso cotidiano com a possibilidade de utilizar combustível em viagens e em deslocamentos mais longos.
Etanol amplia as possibilidades do híbrido
Ramos avalia que a combinação entre eletrificação e etanol pode ser especialmente adequada para os híbridos plug-in, que permitem recarregar a bateria externamente e percorrer parte dos trajetos com propulsão elétrica. Nesse tipo de veículo, o motor a combustão pode ser utilizado com menor frequência, dependendo dos hábitos de condução e da disponibilidade de recarga.
O executivo aponta o preço do etanol, suas características de armazenamento e o potencial de redução das emissões como fatores que reforçam a escolha da montadora por este tipo de motor. Para ele, o etanol pode complementar a eficiência do sistema elétrico, especialmente quando o veículo precisa percorrer distâncias maiores. “A melhor combinação do mundo é o híbrido flex, usando etanol mesmo”, afirmou Ramos.
A escolha pela motorização flex também tem a ver com a construção de uma identidade local para a marca. Oferecer um sistema compatível com os combustíveis brasileiros ajuda a aproximar o produto das necessidades do consumidor e pode contribuir para sua aceitação no mercado de usados.
O executivo contou, ainda, que a variação da proporção de etanol na gasolina também despertou questionamentos entre as próprias fabricantes chinesas. Segundo ele, a necessidade de adaptar os sistemas de gerenciamento eletrônico às mudanças na composição do combustível torna a solução flex uma alternativa para dar maior previsibilidade ao funcionamento do veículo.
Baic quer adaptar produtos ao consumidor brasileiro
A estratégia da Baic é desenvolver uma oferta adequada ao mercado local, em vez de simplesmente importar veículos concebidos para outras regiões. Isso envolve decisões sobre tecnologia, motorização, equipamentos e posicionamento de preços, além de compreender os hábitos de utilização dos automóveis no Brasil.
Ramos considera que as marcas chinesas ainda precisam aprender muito sobre o consumidor brasileiro, construir operações de pós-venda e desenvolver relações consistentes com as redes de concessionárias.
“A origem chinesa não garante, por si só, uma vantagem competitiva. É necessário combinar um produto adequado com uma estratégia capaz de atender às expectativas do consumidor local. As fabricantes tradicionais, por sua vez, dispõem de experiência e redes estabelecidas, mas precisam estar abertas a mudanças no desenvolvimento e na comercialização de seus veículos”, disse Ramos.
Manufatura local só em 2028
O desenvolvimento de produtos para o Brasil se conecta aos planos da Baic de ampliar sua presença industrial no país. Ramos afirmou que já existe um plano de manufatura associado à linha de produtos que a empresa pretende oferecer até 2028. Ele reconhece que somente após este período será possível iniciar a produção local no Brasil.
Ramos também mencionou a possibilidade de ampliar gradualmente a participação de componentes nacionais, como vidros e pneus, conforme a operação amadurecer. A nacionalização, segundo ele, pode simplificar a logística e contribuir para a viabilidade econômica da operação.
