
A Baic planeja vender uma picape no Brasil, mas o projeto ainda depende de definições sobre o produto e sua adaptação ao mercado nacional.
Ainda que o produto esteja em desenvolvimento, o COO da marca, Oswaldo Ramos, deu algumas pistas de qual perfil deverá ter o veículo quando desembarcar no país.
Ramos explicou que o segmento tem particularidades que exigem mais do que a simples importação de um veículo desenvolvido para outro país. A definição passa por avaliar as tecnologias disponíveis na plataforma e entender quais delas fazem sentido para o consumidor local.
“Nós não temos hoje na nossa oferta uma picape plug and play para o mercado brasileiro”, disse Ramos na quarta-feira, 28, ao explicar que o modelo precisará ser desenvolvido considerando as condições brasileiras de utilização.
O executivo sinaliza, portanto, que o modelo será diferente da picape Tunland, da marca subsidiária Foton, que inclusive está disponível no mercado brasileiro.
Picape precisa atender a diferentes usos
Na avaliação do executivo, uma das dificuldades para fabricantes chinesas está em compreender como o brasileiro utiliza esse tipo de veículo. Em outros mercados, as picapes podem ter restrições de circulação e desempenhar funções diferentes das observadas no Brasil.
Aqui, o uso combina atividades urbanas, viagens rodoviárias e trabalho no campo. Mesmo consumidores que vivem em grandes cidades podem utilizar o veículo em propriedades rurais ou em deslocamentos ligados ao agronegócio.
“Ela tem que fazer urbano, estrada e fora de estrada”, afirmou Ramos, ao descrever as exigências que considera importantes para o desenvolvimento da futura picape Baic para o mercado doméstico.
O executivo também ressaltou que o mercado brasileiro contempla diferentes portes e propostas de picapes. Por isso, a empresa ainda precisa avaliar qual posicionamento seria mais adequado e quais características poderiam diferenciar o veículo dos concorrentes.
O desenvolvimento poderá envolver engenharia compartilhada com a China e suporte local, especialmente para calibrar componentes e sistemas às condições de uso do país. Ramos citou suspensão e calibração como exemplos de aspectos que precisam ser considerados durante a adaptação.
Tecnologia como diferencial competitivo
Além da robustez e da versatilidade, a Baic pretende usar a tecnologia como diferencial competitivo no segmento. A estratégia, segundo Ramos, não deve se limitar a oferecer um veículo mais barato do que os concorrentes tradicionais.
“Como você oferece, no mesmo preço das picapes tradicionais, uma tecnologia que diferencia muito o produto?”, questionou.
A proposta é aplicar recursos tecnológicos para atender às necessidades de quem utiliza a picape na cidade, na estrada e dentro da propriedade rural. Para o executivo, esse equilíbrio depende de compreender as atividades do consumidor e identificar quais tecnologias realmente agregam valor ao veículo.
O desafio, portanto, é combinar robustez e flexibilidade com funcionalidades que façam sentido para o uso cotidiano. Ramos avalia que ainda há espaço para desenvolver produtos mais adequados às particularidades brasileiras, especialmente no segmento de picapes.
A empresa ainda discutirá as alternativas disponíveis e a configuração destinada ao Brasil. Ramos informou que tem uma viagem à China programada para dezembro, quando deverá participar de conversas sobre produtos futuros da marca.
