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Produção de veículos tem melhor mês desde antes da pandemia

Mercado interno e exportações colaboram para alta dos números em março, mas Anfavea mantém “pé atrás” em relação a 2026
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Fernando Miragaya

08 abr 2026

3 minutos de leitura

Produção de veículos na fábrica da Nissan, em Resende

O mês de março foi de, ao menos, alívio para o setor automotivo. Em meio à instabilidade geopolítica e econômica mundial, a produção de veículos no Brasil obteve seu melhor resultado para um mês desde outubro de 2019 e o melhor março desde 2018.

Ao todo, segundo balanço da Anfavea, associação das fabricantes, informado nesta quarta, 8, a produção em março atingiu 264,1 mil veículos. O número foi 35% superior a março de 2024 e 27% maior que fevereiro deste ano.

Segundo a Anfavea, esse ritmo de produção em março foi puxado pelo mercado doméstico e também pelas exportações de veículos. Só nos emplacamentos, foram quase 270 mil unidades, 37% a mais que o mesmo mês do ano passado e 47% maior que fevereiro.

A média diária de vendas foi a melhor do ano: 12,2 mil unidades em março, ante 10,3 mil de fevereiro e 8,1 mil em janeiro. Lembrando que o mês passado teve dias úteis a mais que março de 2025 e que fevereiro.

Carro Sustentável e ofertas puxam produção de veículos

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou o aumento da oferta e de promoções como fator principal para a alta nos licenciamentos, como também o Carro Sustentável.

As vendas no varejo de modelos inseridos no programa chegaram a 93 mil no recorte entre julho e março de 2026. Isso representa alta de 67% em relação ao período imediatamente anterior julho/24 a março/25 quando separados os mesmos automóveis.

“O canal de venda do varejo foi mais beneficiado. O programa esteve mais próximo do consumidor final”, acredita Igor.

Já as exportações chegaram a 40,4 mil unidades embarcadas em março. O desempenho representa alta de 1,1% em relação a março de 2025 e de 21,1% na comparação com fevereiro.

Instabilidade segura projeções

Mesmo assim, o discurso da Anfavea é de cautela. “O nível de emplacamentos surpreende, mas não é tempo de comemorarmos”, avisa o presidente da associação.

Isso porque no trimestre, alguns números ainda acendem o sinal de alerta. A produção no acumulado, por exemplo, com 634,6 mil veículos, até indica alta de 6%.

Mas as vendas de caminhões ainda patinam. O total emplacado no segmento janeiro-março de 2026 foi 21% menor que os três meses iniciais de 2025. Só a categoria de pesados registrou queda de 26%.

As vendas externas também ainda mostram queda. No trimestre, 99,7 mil embarques, redução de 18,5% na comparação com o mesmo período de 2025.

“Ainda é um cenário restritivo, houve uma atenuação da queda, mas o cenário é de bastante preocupação”, explica Igor Calvet.

Pesam na balança os conflitos no Oriente Médio, com alta dos combustíveis, a política protecionista ainda forte nos Estados Unidos e a expectativa de manutenção de taxas de juros altas no Brasil.

Com isso, a Anfavea mantém as projeções para 2026, com produção de 2,74 milhões de veículos, o que representaria uma alta de 3,7% em relação ao volume de 2025. Os automóveis e comerciais leves totalizariam 2,58 milhões (+3,8%) e os caminhões, 154 mil (+1,4%).