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Pesados e exportações puxam queda na produção de veículos

Apesar de bom desempenho do mercado interno, recuo no volume mantém setor em compasso de espera, acentuado pelas conjunturas econômica e internacional
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Fernando Miragaya

06 mar 2026

3 minutos de leitura

Carro em linha de montagem

O ano continua em ritmo de expectativa para a indústria automotiva. A produção de veículos no primeiro bimestre segue com números negativos, impactados especialmente pelo segmento de pesados e pelas exportações.

Balanço revelado pela Anfavea – associação das fabricantes – nesta sexta, 6, mostra que a produção de veículos no país recuou 8,9% no bimestre de 2026, em relação aos primeiros dois meses de 2025. Foram 368 mil unidades que saíram das fábricas, ante 404 mil do ano anterior.

Vendas de leves compensam produção de veículos

A queda ocorre em um cenário de mercado doméstico aquecido, especialmente do segmento de automóveis e comerciais leves. Com direito à melhor média de vendas diárias dos últimos 10 anos.

Os veículos leves salvaram os números de produção no bimestre. Os automóveis e comerciais leves somaram mais de 340 mil emplacamentos.

Mesmo assim, a produção de 348,8 mil veículos de passeio e comerciais leves aponta queda de 8% em relação ao volume fabricado no janeiro-fevereiro de 2025.

A produção de veículos pesados, por sua vez, teve recuo de dois dígitos. Foram 14,6 mil caminhões feitos no bimestre, queda de 27% na comparação com o mesmo recorte do ano passado.

Porém, os primeiros números de fevereiro na produção de caminhões sinalizam uma reação. No mês, foram 7,8 mil unidades, quase 35% a menos que fevereiro de 2025, porém 14,5% de alta em relação a janeiro deste ano.

“Entre os caminhões continuamos nossa saga e com problemas no mercado de pesados, embora os emplacamentos de fevereiro apontem uma melhora, não só com a expectativa de queda de juros, mas também com o programa Move Brasil”, analisa Igor Calvet, presidente da Anfavea.

Apesar desse esboço de reação, o executivo voltou a criticar a Selic. Ele usou como exemplo a manutenção da taxa de juros em 2025, que foi acompanhada de uma queda nos emplacamentos de leves e pesados.

“Mostra o poder (da taxa) de reduzir a demanda agregada, afetando consumo e investimentos”, afirmou.

Já a produção de ônibus teve mais de 4.500 unidades na soma dos dois meses de 2026. Número 5,4% superior ao volume fabricado no bimestre inicial de 2025.

Exportações e conjuntura econômica

As exportações de veículos contribuíram para a queda nos números de produção. Os embarques para o exterior somaram quase 60 mil unidades, 28% a menos que o registrado em janeiro e fevereiro de 2025.

Com isso, as projeções da Anfavea para 2026 também seguem em compasso de espera. Ainda mais afetada por fatores externos, como o novo conflito no Oriente Médio.

“O início de mais um conflito armado aumentando o preço do petróleo e o dólar disparando, e isso tem efeito nos custos logísticos. O país fica mais caro e podemos perder ainda mais competitividade”, disse Igor Calvet.

Além disso, a política tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump, mantém o sinal amarelo na cadeia automotiva.

“Continuamos monitorando essas incertezas tarifárias, pois isso causa instabilidade na política comercial bilateral, mas também em todo o contexto da nossa cadeia de valor ao longo do mundo, já que nossas empresas são integradas globalmente”.

“O ano de 2026 se mostra bastante desafiador”, concluiu o presidente da Anfavea.