logo

Cummins

Projeto Formare capacita jovens para ingressar no setor automotivo

Aulas são adaptadas para as necessidades da empresa e os professores são colaboradores voluntários
Author image

Natália Scarabotto

01 out 2025

5 minutos de leitura

O projeto Formare, da Fundação Iochpe, capacita jovens de baixa renda para entrar no mercado de trabalho. A ação tem como objetivo abrir portas para atração de talentos para o setor automotivo.

Um dos diferenciais da iniciativa é que as aulas acontecem dentro da empresa parceira e a grade curricular é 100% adaptada para atender às necessidades da própria companhia. Além disso, os professores são colaboradores voluntários.

O curso do Formare tem no mínimo 900 horas de duração e desenvolve desde as habilidades socioemocionais, comportamentos no ambiente de trabalho até as competências técnicas necessárias para os jovens. A certificação é homologada pelo Ministério da Educação (MEC).

Com 36 anos de existência, o projeto Formare já capacitou 27 mil jovens e muitos desses foram contratados pela empresa onde fizeram o curso e, a partir dessa oportunidade, construíram uma carreira até alcançarem posições de liderança.

No setor automotivo, o projeto está em uma ou mais plantas da Brose, Cummins, Eaton, Instituto 3M, Maxion, Mahle, Marelli, Maxion Wheels, MWM, Scania, Stellantis, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Bosch e Voith no Brasil. Além das fábricas da Maxion Wheels no México e na Índia.

Curso do Formare é adaptado à empresa

O curso é desenhado para atender as necessidades específicas da empresa e os professores são os próprios funcionários.

“A gente faz um diagnóstico do que a empresa precisa, do que ela não acha no mercado de trabalho ou do tipo de competência que é difícil para ela contratar alguém. A partir disso, a gente monta um curso que atenda a necessidade daquela empresa”, afirma o presidente da Fundação Iochpe, Claudio dos Anjos.

Na Cummins, por exemplo, o curso de assistente de produção industrial dura mais de mil horas, quase um ano. Os alunos desenvolvem todas as competências técnicas e socioemocionais. Ao fim do curso, eles realizam um projeto que resolve um problema real da empresa.

Um dos projetos mais recentes foi na remanufatura das turbinas. A turbina passava nesse processo e tinha de ser testada por 500 metros para ser etiquetada. Os alunos tiveram a ideia de trazer a máquina de etiquetamento mais para perto, ganhando em produtividade e melhor qualidade no processo.

Outro projeto, por exemplo, foi redesenhar o layout de comunicação da fábrica para torná-lo mais claro para os visitantes e acessível para pessoas com deficiência auditiva e baixa visão.

Cummins emprega 85% dos jovens do projeto Formare

Em 11 anos de implementação, a Cummins formou 189 jovens. A média de empregabilidade fica em torno de 85%. E 75% desses jovens continuaram os seus estudos.

Para atingir essa taxa de empregabilidade, Luciana explica que a Cummins investe no networking com fornecedores e empresas parceiras.

“Organizamos um café de empregabilidade para fazer um matching entre os alunos e os fornecedores da Cummins. Nós preparamos o jovem, tanto o currículo, como para fazer um pitch de três minutos para conversar com as empresas”, explicou Luciana Capone, assistente de responsabilidade corporativa e líder do projeto Formare na Cummins.

Além disso, ela explica que o jovem convivendo no dia a dia com os colaboradores e sob as regras da empresa, aprendem muito sobre comportamento e fazem networking.

Para o projeto dar certo, o envolvimento dos colaboradores é essencial, pois são eles quem vão ministrar as aulas. Por isso, é recomendável que a empresa já tenha um voluntariado corporativo estruturado.

Na Cummins o voluntariado corporativo é forte. Segundo Luciana, cerca de 80% dos colaboradores estão envolvidos em um dos 60 projetos de voluntariado da empresa. Desses, 30% estão com o Formare.

Projeto Formare garante todo suporte aos alunos  

Desde quando começou o Projeto Formare, há 36 anos, a organização entendeu que para manter um jovem de baixa renda focado nos estudos é preciso dar estrutura para ele.

Por isso, o programa dá todo o suporte aos alunos com bolsa-auxílio, transporte, alimentação, uniforme e material pedagógico, para que o estudante se preocupe com a coisa mais importante: estudar.

“Na última pesquisa que a gente fez, 93% dos jovens falaram que sem a bolsa auxílio talvez eles não tivessem permanecido no curso. Sem todo esse apoio, teríamos uma evasão grande”, disse o presidente da Iochpe, Claudio dos Anjos.

“O que a gente fez desde o início do programa foi tentar cercar o jovem de tudo o que ele precisa para só focar na sua educação. Acho que esse é um dos segredos do sucesso do programa”, completou ele.  

Programa dá mais perspectiva aos estudantes

O Formare abre portas para estudantes como o Nicolas Sousa, 18 anos, aluno na Cummins. Antes de entrar no projeto, ele pensava em trabalhar com logística. Mas ao ter mais contato com engenheiros, mudou de ideia.

“A gente trocou bastante conversas sobre como que é tudo mais da engenharia de produção, o que você faz no futuro, como você pode se formar, as faculdades que você pode fazer e tudo mais”, disse ele.

“Eu fiquei em dúvida entre engenharia mecânica ou de produção, mas acho que vou fazer de produção”.

Mais do que isso, ele teve a oportunidade de conhecer executivos e se inspirar.

“Tivemos uma aula com o Rafael Torres, que é um diretor global. Ele foi muito importante para a gente, lembro até hoje a aula que ele deu”, contou Nicolas.

“Na aula do Douglas também, ele deu uma aula mais empresarial, mas ajudou muito também na parte da comunicação. Na apresentação, no começo, todo mundo era meio segurado, não tinha muita leveza, só que aí depois a aula dele deu confiança pra gente se comunicar melhor.”

Além disso, Nicolas percebe que desenvolveu habilidades comportamentais ao longo desses últimos meses.

“Acredito que é no ambiente profissional, desenvolvi bastante. Você tem que ter um profissionalismo de estar na empresa na hora, de ser educado, se comunicar e interagir com o pessoal, conhecer o que faz da vida, ter organização também, é um aprendizado contínuo que você continua buscando e sempre aprende mais.”