
Segundo o IBGE, cerca de 10 milhões de pessoas têm deficiência auditiva no Brasil. Desde 2002, a Lei 10.436/2002 reconhece as Libras (Língua Brasileira de Sinais) como linguagem oficial da comunidade surda, e institui a obrigatoriedade de tradução em escolas e serviços públicos e privados.
Mesmo assim, a comunicação para muitas pessoas surdas ainda é uma barreira, principalmente no ambiente de trabalho.
Para quebrar essa barreira, empresas do setor automotivo apostam em diversas iniciativas para inclusão de surdos. Como aplicativos de tradução virtual nas fábricas, curso de formação em Libras e palestras com conteúdo acessível.
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Fábricas são mais acessíveis com Libras
As iniciativas mais comuns são aquelas que facilitam a comunicação das pessoas com deficiência auditiva no dia a dia de trabalho. Conheça algumas iniciativas de inclusão de surdos nas empresas do setor:
- Stellantis: A Stellantis oferece aos seus funcionários uma plataforma de atendimento em Libras, instalada em todas as unidades industriais no Brasil. O serviço oferece tradução em Libras feita por intérpretes, ao vivo, via videochamada, 24 horas por dia e todos os dias da semana.
A plataforma conta com três modos de funcionamento: para interações presenciais, mediação de chamadas online e reuniões virtuais com intérpretes agendados. - Cummins: Em uma iniciativa parecida, a Cummins também aposta no uso da tecnologia para tornar o ambiente de trabalho mais inclusivo. Em 2023, a empresa implementou um QR Code com recurso de tradução de Libras.
Em apenas 18 meses após a implementação, a Cummins teve um aumento de 250% no uso do serviço de intérprete de Libras. Isso resultou em mais inclusão em participação dos colaboradores surdos nas reuniões e, consequentemente, aumento da produtividade. - Phinia: Em sua planta em Piracicaba (SP), a Phinia emprega 45 pessoas com deficiência auditiva na manufatura. Para garantir a comunicação e integração deles à equipe, a empresa oferece um curso de Libras, que é obrigatório para profissionais que têm contato direto com pessoas com deficiência no dia a dia, como líderes da linha de produção, RH, ambulatório médico, e segurança, mas é opcional para os demais funcionários.
Phinia tem curso voltado para mecânicos surdos
Além das fábricas, a Phinia também realiza palestras técnicas voltadas para mecânicos surdos. Já participaram cerca de 250 pessoas em eventos presenciais, além do público online.
A ideia surgiu após a empresa identificar a demanda da comunidade surda por conteúdo automotivo em seu site. Em 2020, a Phinia implementou em seu site o Hand Talk, aplicativo de tradução de Libras. Em um mês, foram mais de 5 mil traduções, o que revelou o interesse e a necessidade desse público por conteúdo automotivo acessível.
Com isso, a Phinia foi atrás para estudar e entender melhor a comunidade surda e suas necessidades. Ao conhecer o grupo Caminhoneiros Surdos do Brasil, descobriu que existia uma grande necessidade de levar conteúdo técnico em Libras para mecânicos surdos.
“A maioria dos mecânicos aprenderam por intuição, não tiveram formação. Então, a partir daí, começamos a estudar mais sobre essas pessoas, sobre essas necessidades. É um mercado tão carente no sentido de formação técnica e conteúdo inclusivo para pessoas surdas”, disse a diretora de marketing global da Phinia, Camila Rocha.
Além disso, a empresa tem uma plataforma online com diversos cursos online de mecânica, para a parte do sistema de injeção, a parte diesel e bombista, todos com acessibilidade.
Phinia superou desafios para garantir acessibilidade
Segundo Camila, os principais desafios foram entender o que era relevante para esse público e ter que construir um conteúdo acessível sobre mecânica do zero.
“Eu acho que o principal desafio foi entender o que era, de fato, valioso para eles. Além disso, muita coisa a gente teve que começar do zero, não tinha nada muito pronto. Por sorte, tinha o HandTalk, e aprendemos muita coisa com essa tecnologia, mas não existia muito conteúdo pronto e acessível na parte de mecânica.”
Engajada com o tema, a empresa levou a pauta também para os eventos automotivos. Em uma edição da Automec, a Delphi promoveu a primeira palestra feita por um profissional surdo. Inicialmente, eram 50 vagas, porém mais de 250 pessoas solicitaram a inscrição.
“A nossa ideia é ampliar a visibilidade dessas pessoas e tentar ajudar não só com o conteúdo produzido pela Delphi, mas para que as outras empresas da indústria também entendam, enxerguem esse público e comecem a pensar de forma mais inclusiva com o conteúdo que alcança todo mundo”, afirmou Camila.