
A produção de etanol para uso como combustível aumentou no país na esteira do uso do milho no processo e, também, porque a gasolina passou a usar mais do produto na mistura que, hoje, abastece a frota circulante de veículos flex.
No entanto, se a oferta do combustível aparenta estar deixando de ser um temor – considerando certas vulnerabilidades da sua produção, como questões climáticas que afetam a safra de cana, por exemplo – uma outra velha barreira à sua massificação no país segue erguida.
Acontece que a distribuição do combustível continua restrito a região denominada Centro-Sul, a qual engloba estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, não a toa a região que concentra a maior parte das usinas instaladas no país.
Juntos, os estados são responsáveis por 86% da produção nacional de etanol combustível, e também não por acaso a oferta do produto é maior nessa região.
O fato é visto pela indústria automotiva e outros agentes que a orbitam como algo que complica o alcance de metas de descarbonização.
De acordo com Luciano Rodrigues, diretor de inteligência setorial da Unica, a entidade que representa os produtores de cana de açúcar, hoje são dois os fatores que travam a chegada do etanol em regiões afora a Centro-Sul: imposto e preço do frete.
“Acreditamos que pelo menos a questão do imposto será resolvida por meio da reforma tributária, que deve padronizar as alíquotas”, disse Rodrigues na terça-feira, 28. “Mas isso deverá acontecer dentro de sete ou oito anos, restando depois apenas a questão do frete.”
Produção e oferta do etanol cresce na Ásia
Enquanto por aqui o etanol segue disponível em apenas parte do país, em outras localidades do planeta ele segue ganhando corpo no mercado.
Segundo Evandro Gussi, CEO da Unica, o combustível aumentou sua participação na frota de países como Índia e Japão, o que teria provocado uma série de lançamentos de veículos híbridos por lá.
“Tanto a Índia quanto o Japão já tem definido um road map para, pelo menos, aumentar a quantidade de etanol na mistura com a gasolina”, contou Gussi.
A entidade lançou na terça uma campanha publicitária intitulada “Vai de Etanol”, na qual especialistas e celebridades comentam os benefícios do uso do combustível em automóveis na comparação com a gasolina.
Isso, de certa forma, acrescenta um elemento a mais na lista de entraves ao seu uso, a qual já conta, como mencionado acima, com o frete e o imposto.
No caso, a vontade popular. Ainda que haja etanol disponível em todas as bombas do país, o consumidor ainda precisa querer. Ser convencido para tal.
