
A Stellantis planeja elevar para cerca de US$ 10 bilhões seus investimentos nos Estados Unidos, em um movimento estratégico para reforçar sua presença em um dos mercados mais lucrativos do mundo e, ao mesmo tempo, amenizar os efeitos do tarifaço do presidente Donald Trump.
A dona de marcas como Fiat, Peugeot, Citroën e Jeep deve anunciar nas próximas semanas cerca de US$ 5 bilhões em novos recursos, somando-se a um valor semelhante já anunciado no início do ano. Os planos ainda estão em discussão e podem sofrer ajustes antes do anúncio oficial.
Os investimentos, previstos para os próximos anos, devem ser direcionados principalmente às fábricas em Illinois e Michigan, incluindo possíveis reaberturas, contratações e lançamentos de novos modelos.
Aporte deve fortalecer marca Jeep nos EUA
A prioridade será a recuperação da força da Jeep naquele mercado, mas há espaço também para novos aportes em Dodge e Chrysler, marcas que perderam protagonismo nos últimos anos.
A iniciativa faz parte de uma recalibragem global de investimentos liderada pelo novo CEO, Antonio Filosa, que assumiu o cargo em maio.
O executivo busca corrigir desequilíbrios regionais deixados pelo antecessor, Carlos Tavares, que havia direcionado a produção e a engenharia para países de menor custo, como o México, enquanto reforçava a aposta na Europa.
O movimento da Stellantis segue a tendência de grandes empresas que anunciam megainvestimentos nos EUA para agradar o governo Trump e reduzir o impacto de novas tarifas sobre produtos importados.
A Hyundai, por exemplo, ampliou em agosto seu plano de investimento no país para US$ 26 bilhões até 2028.
Stellantis revê negócios na Europa
Filosa, veterano da antiga Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e ex-CEO da montadora na América do Sul, tenta estabilizar o grupo após perdas de participação de mercado nos EUA e na Europa. Ao mesmo tempo, enfrenta os desafios do tarifaço de Trump, que está redesenhando o cenário global do setor automotivo.
Enquanto reforça sua aposta nos EUA, a Stellantis reduz investimentos na Europa. Filosa já cancelou a participação da empresa em uma joint venture de veículos a hidrogênio com a Michelin e a Forvia, e avalia vender o serviço de compartilhamento de carros Free2move.
A mudança de foco preocupa sindicatos europeus, especialmente na Itália e na França, onde a Stellantis enfrenta excesso de capacidade produtiva e queda na demanda. A empresa suspendeu temporariamente a produção em oito fábricas, afetando modelos como o Alfa Romeo Tonale e o Fiat Panda.