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Tensão Israel x Irã pode encarecer insumos e refletir na indústria automotiva local

Alta do preço do petróleo vai refletir nas tarifas de combustíveis e plásticos, dizem analistas do setor
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Bruno de Oliveira

26 jun 2025

2 minutos de leitura

O recente acirramento das tensões entre Israel e Irã pode provocar reflexos relevantes em diversas cadeias produtivas globais, e o setor automotivo não estaria imune.

Com o aumento da instabilidade, os preços do petróleo voltaram a subir no mercado internacional. O que pressiona custos e agrava incertezas para montadoras e fabricantes de autopeças em todo o mundo.

Desde o início do confronto, o barril do petróleo tipo Brent ultrapassou a marca de US$ 90, alimentando temores sobre a continuidade do abastecimento. Há também a possibilidade de interrupções em rotas comerciais essenciais, como o Estreito de Ormuz.

Ambas as medidas, segundo especialistas ouvidos pela reportagem de AB, impactam diretamente o valor dos combustíveis, com efeitos em cascata sobre o transporte de veículos, peças e matérias-primas, pra citar alguns exemplos.

Petróleo mais caro preocupa

Para Antônio Jorge Martins, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o fechamento das rotas marítimas na região pode elevar o preço dos derivados do petróleo que são importantes para o setor automotivo, como combustíveis e plásticos, por exemplo.

“Como a política da Petrobras é a de seguir os preços internacionais, é possível que haja um reajuste para cima nos preços da gasolina ou do diesel, uma vez que 20% do petróleo global passa pela costa do Irã”, disse o professor.

Custos operacionais podem se elevar com conflito

No setor automotivo, os combustíveis derivados do petróleo são insumos essenciais tanto no processo produtivo quanto na logística. Além disso, diversos componentes utilizados na fabricação de veículos — plásticos, borrachas sintéticas, fluidos e lubrificantes — são derivados de petroquímicos.

Com a alta nos preços desses insumos, as montadoras podem enfrentar aumento de custos operacionais, o que pode se refletir no valor final dos veículos ao consumidor, apontou Fernando Trujillo, consultor da S&P Global.

Outro ponto crítico é a logística internacional. A ameaça de fechamento parcial de rotas marítimas ou a restrição de passagem em áreas próximas ao Golfo Pérsico têm elevado os prêmios de seguros e provocado atrasos em entregas.

Logística poderá ficar complexa

Esses gargalos logísticos somam-se os desafios ainda persistentes na cadeia de suprimentos global pós-pandemia, como a escassez de semicondutores e de matéria-prima para componentes eletrônicos.

Caso o conflito se prolongue ou escale para um confronto regional mais amplo, dizem os analistas, os impactos poderão ser ainda mais severos, com possível desaceleração na produção automotiva global.

Diante desse cenário, muitas empresas já começam a revisar estratégias de compras e estocagem, além de buscar alternativas de fornecedores e rotas comerciais menos expostas a riscos geopolíticos.

“Isso foi visto durante a pandemia, quando as rotas marítimas ficaram mais restritas a poucas opções, encarecendo o custo de transporte marítimo de peças e e veículos produzidos na Ásia”, finalizou Martins.