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Trânsito no centro de Nova York cai após implementação do pedágio urbano

Medida polêmica também estimula adoção do transporte público
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Victor Bianchin

06 fev 2025

3 minutos de leitura

Trânsito em Manhattan, Nova York – Foto: Fabien Bazanegue/Unsplash

Uma das medidas mais polêmicas do atual governo de Nova York, nos EUA, é a chegada de um pedágio urbano. Ao menos, por enquanto, deu resultado e fez o trânsito no centro de Nova York cair.

O programa foi idealizado pelo ex-governador Andrew Cuomo em 2019 e implementado agora sob a administração da governadora Kathy Hochul. Desde o dia 5 de janeiro, os motoristas que passam pela área delimitada com seus veículos precisam pagar pedágio.

A área de cobrança abrange toda a região central e sul de Manhattan, incluindo bairros como Midtown, Village, Chinatown, High Line, Chelsea e Wall Street. O pedágio é cobrado todos os dias, mas os valores variam de acordo com o horário.

No horário de pico (6h às 20h nos dias úteis), cobra-se a taxa completa, que é de US$ 9 (R$ 52) para carros, US$ 4,50 (R$ 26) para motos e entre US$ 14,40 e US$ 21,60 (R$ 83 e R$ 125) para caminhões e ônibus, dependendo do tamanho e função do veículo. A cobrança é feita apenas uma vez por dia e não há guichês: a tarifação é feita por meio do sistema eletrônico E-ZPass.

Uma pessoa comum que dirija um carro leve por Manhattan de segunda a sexta teria, portanto, uma despesa extra de R$ 1.040,00 por causa do pedágio em um mês como fevereiro, que tem exatamente 20 dias úteis.

A medida tem como objetivo reduzir o número de veículos que circulam diariamente por Manhattan em pelo menos 80.000, aliviando os engarrafamentos crônicos da região. Além disso, espera-se que a iniciativa gere cerca de US$ 15 bilhões para financiar melhorias na infraestrutura de transporte, como metrôs e ônibus.

Está dando certo

Dados da Autoridade de Transporte Metropolitano (órgão municipal que controla o transporte) indicam que, entre 5 e 24 de janeiro, 553 mil veículos entraram em Manhattan ao sul da rua 60 (ou seja, entraram na área de cobrança) em cada dia útil. Isso representa queda de 5% (33 mil) no número de veículos em relação ao que seria projetado para os dias úteis em janeiro caso não houvesse pedágio.

“Quando se trata de trânsito na zona [de pedágio] e quando se trata do impacto que o programa teve no transporte público, o que nós estudamos, o que nós esperávamos e o que nós planejávamos parece estar acontecendo”, declarou Juliette Michaelson, vice-chefe de políticas e relações externas da MTA, na semana passada em uma reunião de diretores.

“São ótimas notícias para quem vive aqui, para quem trabalha aqui e para quem apenas visita ocasionalmente”, afirmou.

A tarifa estimulou uma parte da população a adotar o transporte público. A quantidade de usuários do metrô aumentou 7,3% nos dias úteis e 12,2% aos fins de semana, em comparação aos dados do ano passado. Já os passageiros dos ônibus cresceram 5,8% nos dias úteis e 21% no fim de semana.