
O mercado nacional de veículos apresentou no acumulado do ano um desempenho que joga as vendas no lado azul do gráfico. Mas ainda há fatores que mantêm a indústria, mais uma vez, em estado de atenção.
Um deles é a queda dos volumes nas vendas de veículos realizadas no varejo, o que denota que ainda há consumidor pessoa física reticente a respeito da aquisição de um veículo zero quilômetro – a despeito dos incentivos que foram concedidos há dois meses.
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Os dados da Anfavea, a associação que representa os fabricantes locais, mostram que as vendas de veículos nacionais caíram 9% no acumulado do ano até agosto na comparação com o mesmo período no ano passado, com 504 mil unidades.
As vendas de veículos realizadas pelo canal direto, por outro lado, aumentaram 12,5%, somando 507 mil unidades. O que mostra que no país o principal cliente de automóveis novos ainda são os frotistas ou pessoas jurídicas.
Carro Sustentável deu fôlego às vendas de veículos
Ainda que o programa Carro Sustentável tenha representado um fôlego a mais nas vendas dos modelos novos de entrada, injetando 26% a mais de veículos nas vendas totais do segmento entre julho e agosto (70,4 mil unidades), o resultado parece não ter força para melhorar os números de emplacamentos.
Quando vemos os resultados no segmento de caminhões, o quadro segue o mesmo dos meses anteriores, com o declínio sendo a tônica do momento, sobretudo no segmento de pesados.
Até agosto, as vendas somaram 74,3 mil unidades, queda de 7% ante o volume negociado em igual período em 2024. Na comparação entre agosto deste ano com o do ano passado, a queda foi de 22,5%, com 10,6 mil unidades licenciadas.
Juros e inadimplência seguem como entraves
As montadoras apontam mais uma vez que o cenário de crédito não é favorável às aquisições, com os juros em alta na carona do aumento da inadimplência no país.
Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, todos esses fatores tornam mais difícil o prognóstico de médio e longo prazos a respeito de como o mercado vai se comportar daqui para a frente.
A entidade revisou para baixo as suas projeções para o ano, dando a dimensão do quão imprevisível está o comportamento do consumo de veículos no Brasil.
Meta de vendas ameaçada
Um comportamento que, inclusive, poderá redundar em volumes de vendas menores do que o esperado para o ano. Sobre isso, Calvet alerta que o ritmo das vendas de veículos já está abaixo daquele necessário para que a projeção da Anfavea se concretize em dezembro.
A associação projeta vendas totais da ordem de 2,765 milhões de unidades, o que representará, caso o cenário se concretize, alta de 5% ante as vendas realizadas no ano passado.
A projeção anterior das montadoras, divulgada no começo do ano, era mais otimista. Crescimento de 6,3%, com 2,8 milhões de unidades emplacadas.
