
O Metrô de São Paulo divulgou hoje a nova edição de sua Pesquisa Origem e Destino, com dados coletados em 2023. O estudo mostra que, pela primeira vez desde o estudo de 2002, o transporte individual superou o coletivo em quantidade de viagens na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).
Segundo o levantamento, o transporte individual representou 51,2% dos deslocamentos motorizados na capital paulista e o coletivo, 48,8%.
É preciso colocar em contexto que o transporte motorizado individual perdeu 886 mil viagens entre 2017 e 2023, apesar do aumento da frota de 22%, que hoje soma 5,375 milhões de automóveis particulares. Assim, a performance do transporte individual se deveu aos aumentos dos deslocamentos por táxi convencional e por aplicativo (137%) e por motocicleta (16%).
Deslocamentos diminuem na maior cidade do país

O número geral de deslocamentos caiu de 42,007 milhões em 2017 (data da última pesquisa) para 35,661 milhões em 2023, queda de 15,1% – e isso mesmo com a população aumentando em 2%. Ou seja, os paulistas estão se deslocando menos.
O transporte coletivo perdeu 3 milhões de viagens, sendo que, entre elas, a maior queda foi entre os ônibus, que contaram 2,6 milhões de deslocamentos a menos.
As viagens a pé caíram 24,7% e as por bicicleta aumentaram 25%. Segundo o metrô, 43,9% das famílias da região metropolitana não têm automóvel (queda de 3,2% em relação a 2017, o que indica que há menos donos de carro agora na RMSP).

Das 35,7 milhões de viagens realizadas na Grande São Paulo, 16,5 milhões (46,2%) ocorreram por motivo de trabalho. O segundo motivo continua sendo a educação, responsável por 12,9 milhões das viagens diárias, 36,2% do total.
Uma boa notícia para quem pega ônibus e metrô é que o tempo médio de viagem por modos coletivos diminuiu em quase todas as faixas de renda, com exceção da faixa 3 (de R$ 5.280 a R$ 10.580).
Em contrapartida, o tempo médio de viagem por modos individuais aumentou em todas as faixas, com exceção da faixa 4 (de R$ 10.580 a R$ 15.840).
Os dados apontam que, quando o cidadão precisa percorrer até 6.000 metros, ele dá preferência ao transporte individual. Quando precisa se deslocar mais do que isso, prefere o transporte coletivo.
Efeito da pandemia
A pandemia foi o principal motivo pela queda nos deslocamentos na RMSP. Segundo a pesquisa, um total de 3.848.582 pessoas afirmou ter abandonado um ou mais modos de deslocamento.
Uma das principais mudanças efetuadas pelo evento foram as novas formas de trabalho, que permaneceram no pós-pandemia e levaram a transformações sociais e econômicas. Apesar de 87,3% dos trabalhadores terem permanecido no formato presencial, 12,7% ficaram no trabalho híbrido, no home office/teletrabalho ou no trabalho remoto o tempo todo.
“Embora pareçam participações pequenas, as mudanças no acesso ao trabalho e escola identificam certa consolidação desses novos formatos não só em relação à mobilidade, mas a outros aspectos essenciais da economia urbana”, conclui a pesquisa. Os empregos, por exemplo, cresceram 11,7% no período, cinco vezes mais que o percentual de aumento da população.
Em média, cada pessoa deixou de usar 2,4 modos de deslocamento durante a pandemia. E os modais de transporte coletivo foram os que mais deixaram de ser usados: ônibus (queda de 37% nas viagens), metrô (-31%) e trem metropolitano (-26%).
Das 3,84 milhões de pessoas que deixaram de usar algum modo de deslocamento na pandemia, a maioria era do sexo feminino (57,3%), de renda familiar entre R$ 2.640 a R$ 10.580 (67,2%), com trabalho regular (45,2%), aposentados (15,3%), estudantes (15,2%) e pessoas com escolaridade de nível médio completo e superior completo (60,6%).
A divisão modal nos distritos do município de São Paulo mostra que os que mais utilizaram transporte individual são os que ficam em zonas periféricas, longe do Centro, justamente onde há menos oferta de transporte público.
