
A partir de um investimento inicial de US$ 10 milhões, chega ao Brasil a Voge. A marca chinesa pertence à Loncin e já começou a produzir em Manaus (AM). A montagem ocorre dentro da estrutura da Dafra, onde também são montadas motocicletas Ducati, KTM, Royal Enfield e Sym. A previsão é abrir seis concessionárias até o fim do ano, começando por São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Rio de Janeiro. “Pretendemos vender mais de 1.200 motos ainda este ano”, afirma o gerente-geral, Rodrigo Moutinho, que acumula experiência em diferentes fabricantes de motos instaladas no Brasil. “O plano é ter 32 concessionárias até 2030. E nossa intenção é vender entre 8 mil e 12 mil motos ao ano nos próximos três anos.”
A marca Voge (pronuncia-se “vôudge”) chega ao Brasil pela própria Loncin e pelo Grupo Vaca & Caruso, que também atua com a Voge na Argentina, quarto maior mercado mundial da marca, atrás apenas da China, Espanha e Itália.
A Voge começa no Brasil com quatro modelos, duas scooters e duas big trails. Os preços ainda não são definitivos, mas serão salgados, já que a Voge se posiciona como divisão premium da Loncin. O modelo mais em conta será a scooter SR3, com motor de 250 cc e preço estimado a partir de R$ 35 mil.

Em seguida vem a big trail DS525X, com motor de 500 cc, a partir de R$ 45 mil. A outra scooter, SR4 Max, tem 350 cc e partirá de R$ 50 mil. Por fim, a big trail DS 900 X, com 900 cc, partirá de R$ 75 mil. A garantia é boa, mas tem “asteriscos”: cinco anos (*ou 36 mil quilômetros) para a scooter SR3 e cinco anos (**ou 60 mil km) para as demais. Segundo Moutinho, esses limites de quilometragem foram estabelecidos a partir de pesquisas com as fabricantes já instaladas em Manaus.
Os altos valores se devem ao posicionamento e às tecnologias empregadas. Como exemplo, todos os modelos vêm com câmera frontal, painel digital com múltiplas funções, freios ABS, controle de tração e iluminação por LEDs.
Parte dos modelos conta ainda com aquecimento de manoplas e/ou do assento, radar anticolisão na traseira e para-brisa com ajuste elétrico. As motocicletas vão disputar mercado sobretudo com modelos BMW e Triumph. E as scooters, também com BMW, Dafra, Kymco, Yamaha e Zontes.
Produção já inclui fornecedores locais
Para produzir em Manaus é preciso cumprir o chamado Processo Produtivo Básico (PPB), que prevê a importação das motos totalmente desmontadas e inclusão de itens produzidos localmente. Entre os fornecedores brasileiros, Moutinho citou a fabricante de baterias Moura, a Pirelli Pneus e a Motul, que fornece lubrificantes e fluidos.
A Voge tem menos de dez anos. Foi lançada em 2018 na China. Segundo Moutinho, vendeu mais de 600 mil motos nos últimos cinco anos e deve superar 250 mil unidades somente em 2026. Para criar motos alinhadas com a expectativa dos consumidores de mais de 60 países onde já atua, a Voge utiliza três estúdios de design fora da China. Eles ficam na Alemanha, Áustria e Itália e têm feito um bom trabalho: não dá para apontar algum detalhe estranho ou “de gosto duvidoso”, uma forma educada para amenizar um desenho feio ou mal-resolvido.
Mercado anual acima dos 2 milhões
A Voge não chega ao Brasil por acaso. Em 2025, o mercado local registrou recorde de venda de motos, 2,2 milhões de unidades, e o acumulado de 2026 já aponta alta de 19% sobre iguais meses do ano passado. E este bom resultado não se deve apenas às marcas consolidadas como Honda e Yamaha. Também foi puxado pela Shineray, que desde 2021 é a terceira em número de emplacamentos.
Daquele ano até o primeiro quadrimestre de 2026, a fatia de mercado da Shineray saltou de 1,2% para 6,5%. E é provável que termine o ano acima de 7%, em razão da ampliação de sua rede de concessionárias, que saltou de 339 em outubro do ano passado para as atuais 508.
Além de modelos de entrada, o site da Shineray tem motos de 250 cc de todos os estilos (urbanas, esportivas, trails e customs) a partir de R$ 20.590. A empresa também já traz modelos de 400 cc a partir de R$ 33.490 e de 600 cc por R$ 51.990.
Outra que desperta o apetite pelo mercado local é a Royal Enfield, marca inglesa adquirida por um grupo indiano em 1994. A empresa se instalou no Brasil em 2017 e tem atualmente 11 modelos diferentes no País, produzidos a partir de motores de 350, 450 e 650 cc, com preços entre R$ 19.990 e R$ 37.490.
Em Manaus, a Royal Enfield produz não só dentro da Dafra, mas também em outra unidade do Grupo Multi. E já prepara uma fábrica própria na capital amazonense, que, segundo ela, vai operar em adição às já existentes. Sua 50ª concessionária foi inaugurada na terça-feira, 26. A empresa obteve a sexta colocação em 2025. No acumulado até abril de 2026, porém, ela aparece na sétima posição.
O sexto lugar pertence agora à indiana Bajaj, que se instalou no Brasil no fim de 2022, passou a produzir em Manaus em 2024 e em 2025 ampliou sua capacidade produtiva de 20 mil para 48 mil motos/ano a partir de um investimento de US$ 10 milhões. Sua rede se expandiu rápido e já soma 72 concessionárias.
Os seis modelos montados no Brasil têm motores de 150, 160, 200, 250 e 400 cc. Os preços vão de R$ 16.300 a R$ 26.990. A moto de entrada (Pulsar 150) foi a nona mais vendida no segmento urbano, de acordo com a Fenabrave, entidade que reúne as associações de concessionários. E as opções de 160, 200, 250 e 400 cc ocupam do segundo ao sexto lugar entre as motos naked, também de acordo com a Fenabrave.
Moto Morini e CFMoto: novas concorrentes de alta cilindrada
A Voge também vai enfrentar outras duas marcas instaladas em Manaus (AM) e focadas em modelos de alta cilindrada trazidos da China. Uma delas é a Moto Morini. A empresa iniciou a produção e vendas na metade de 2025. O investimento informado foi de R$ 250 milhões. Atualmente são oito concessionárias, distribuídas pelo Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Até o fim do ano serão 12 unidades. As motos à venda são big trails ou variações do estilo custom, têm motores entre 650 e 700 cc e preços sugeridos entre R$ 48.800 e R$ 57.700. Para o segundo semestre haverá mais duas big trails, de 450 e 1.200 cc. Vale dizer que a marca de origem italiana pertence, desde 2018, ao Zhongneng Vehicle Group.
A outra marca que começa a trazer motos de alta cilindrada da China para montar em Manaus é a CFMoto. São modelos do tipo big trail e custom, com motores de 450 a 700 cc e preços entre R$ 37 mil e R$ 53 mil. Em 30 de maio serão inauguradas as oito primeiras concessionárias, metade na Região Sul e metade no Sudeste. A intenção é ter 11 lojas até o fim do ano.
A CFMoto já estava em Manaus havia mais de uma década, mas a linha de produtos era focada em quadriciclos, que permanecem à venda.