
Reunir mulheres do setor automotivo para criar conexões, trocar experiências e ampliar o debate sobre diversidade e… tomar um cafezinho. Essa foi a proposta do 1º Café Mulheres Automotivas, realizado pela Automotive Business.
O evento aconteceu na sexta-feira, 17, no prédio do Insper, em São Paulo e reuniu 150 mulheres. O encontro é parte do Movimento AB Diversidade, que fomenta a agenda no setor em diversas frentes.
“Quando começamos a falar de mulheres no setor e a realizar a primeira pesquisa, em 2017, eu achei que estava sozinha. Mas vieram muitas respostas de mulheres que me fizeram perceber que ali tinha um propósito”, diz a CEO da Automotive Business, Paula Braga.
A programação contou com uma apresentação sobre a evolução da diversidade no setor automotivo nos últimos nove anos. Além disso, apresentou a proposta da 2ª edição do livro Mulheres no Automotivo, da editora Leader.
A participação especial ficou por conta da escritora e ex-ministra Dorothea Werneck para um bate-papo e sessão de autógrafos do seu novo livro.
O café encerrou com uma palestra sobre posicionamento de imagem e como traduzir autenticidade por meio da aparência e do estilo, com a fisioterapeuta dermatofuncional Thais Navega.
“Se, em 2017, plantamos essa sementinha, este evento hoje vem como um segundo marco no Movimento AB Diversidade, junto com a 2ª edição do livro Mulheres Automotivas. Existe uma demanda que precisamos atender assim, criando conexões, estando juntas e trocando.”
Diversidade avança em 9 anos, mas novos desafios surgem

Desde a primeira pesquisa de diversidade no setor automotivo, realizada em 2017 pela Automotive Business e pela MHD Consultoria, a indústria teve uma evolução importante e, em muitos aspectos, bastante consistente.
A CEO da consultoria, Tania Macriani, e a repórter de diversidade e ESG da AB, Natália Scarabotto, apresentaram a evolução dos principais dados e insights, com base nas pesquisas anuais feitas em parceria.
A participação feminina cresceu de 21% para 24% entre 2017 e 2026, enquanto a participação delas na liderança subiu de 18% para 21%. As mulheres pretas, no entanto, são ínfimas 1%, o que mostra que ainda existem mais barreiras relacionadas à interseccionalidade de gênero e etnia.
O setor automotivo entendeu que diversidade faz parte da estratégia de negócios. Com isso, nos últimos anos, 47% das empresas alcançaram os estágios avançado ou maduro no tema.
Ao mesmo tempo, os desafios de diversidade enfrentados pelos colaboradores e as empresas também mudaram. Se, em 2017, o setor automotivo se perguntava “como contratar mais mulheres?” ou “como ter ações de diversidade?”, hoje, com a maturidade do setor, essas perguntas foram substituídas por questões mais profundas sobre a cultura das empresas.
Os novos desafios agora estão relacionados, principalmente, à sensação de pertencimento, à segurança psicológica e saúde mental, e às oportunidades de crescimento profissional, conforme revela a nova pesquisa de 2026, feita com mais de 3 mil colaboradores do setor.
Livro Mulheres no Automotivo busca novas histórias

Ainda na programação, a editora Leader falou sobre a produção da 2ª edição do livro Mulheres no Automotivo, coordenado por Paula Braga e Silvana Chmelyk.
A publicação é parte do selo “Série Mulheres” criado pela editora há dez anos para reunir autobiografia de profissionais inspiradoras de diversas áreas.
A editora está buscando histórias de diversas mulheres que estão transformando a indústria automotiva para fazer parte do novo lançamento.
Você pode ser uma das mulheres a contar sua história. Inscreva-se aqui.
Dorothea Werneck compartilha aprendizados de cinco décadas de carreira
Dorothea Werneck também participou do café para falar de seu novo livro autobiográfico, “Aprendendo e Vivendo”, que conta episódios oficiais e bastidores dos seus mais de 50 anos de carreira na administração pública.
O livro “Aprendendo e Vivendo” é a continuação de sua primeira obra, “Apesar de ser mulher”, cujo nome surgiu após um episódio ocorrido na década de 1990. Na época, o então presidente da Fiesp, Mario Amato, disse durante uma coletiva de imprensa que Dorothea era “muito competente, apesar de ser mulher”. A declaração causou um rebuliço na imprensa — e para ela, se tornou o título que faltava para o seu livro.

“O livro se chama ‘Aprendendo e Vivendo’… Façam isso na vida de vocês. Em cada momento da vida, estamos aprendendo uma coisa nova. Aprendam e apliquem esse aprendizado”, disse Dorothea durante o evento. “O mais importante na vida é saber quem você é, como você age e reage diante das situações, e ter autoconhecimento”, completou.
Dorothea foi a segunda mulher no Brasil a assumir um ministério, o da Indústria, Comércio e Turismo, e abriu espaço para muitas mulheres em um período dominado por homens.
“Eu nunca me perguntei: ‘Será que consigo fazer isso? E se der errado?’. Eu sempre me perguntei: ‘Por que não?’. Se der errado, vou embora depois”, resume Dorothea sobre como encarou desafios ao longo da vida.
Agora, na nova obra, a escritora retoma a trajetória narrada no primeiro livro, que vai até 1990, e acrescenta capítulos sobre tudo o que viveu até 2026, em público e nos bastidores da profissão.
“Revivi momentos lindos, alegres e alguns pesados. Puxei da memória emoções pesadas que, no momento em que vivi, não pude extravasar. Mas, quando contei para o livro, vi o quanto me doeu”, contou ela.
“Como ter sido demitida do Ministério do Turismo enquanto estava em um voo. Descobri pela imprensa. Quando relembrei disso, chorei, porque estávamos fazendo um trabalho incrível no ministério.”
Os capítulos não seguem uma ordem cronológica, mas são organizados por temas e episódios. Intercalando vida profissional e pessoal, cada capítulo se encerra com uma poesia escrita pela própria Dorothea e recuperada de seus diários antigos.
