logo

AB Diversidade

70% relatam impacto do trabalho na saúde mental no setor automotivo, revela estudo da AB

Pesquisa aponta grandes avanços na agenda de diversidade e inclusão, mas colaboradores sentem impacto na saúde mental e pessoas LGBTQIA+ relatam menor sensação de pertencimento e menos oportunidades de crescimento profissional

Author image

Natália Scarabotto

24 jun 2026

4 minutos de leitura

Tania Macriani, da MHD Consultoria, apresenta os resultados da Pesquisa Diversidade e ESG no Setor Automotivo 2026 no 9º Fórum AB Diversidade

No setor automotivo, 7 em cada 10 profissionais afirmam que o ambiente de trabalho impacta diretamente sua saúde mental, é o que revela a nova Pesquisa Diversidade e ESG no Setor Automotivo 2026, da Automotive Business e MHD Consultoria.

Carga de trabalho elevada, pressão por resultados e dificuldades para equilibrar vida profissional e pessoal estão entre os principais fatores que afetam o bem-estar emocional dos profissionais. Além disso, profissionais LGBTQIA+ e Pessoas com Deficiência (PcDs) são os grupos que percebem com mais frequência fatores que impactam sua saúde mental.

Lançada durante o 9º Fórum AB Diversidade, nesta segunda-feira, 22, a pesquisa foi realizada com 3.047 profissionais de diferentes segmentos da cadeia automotiva, como montadoras e fornecedores, em todo o Brasil.

O levantamento traz um panorama sobre inclusão, pertencimento, oportunidades e respeito no ambiente corporativo, com recortes de gênero (mulheres), etnia (pessoas negras e outras etnias), comunidade LGBTQIA+ e Pessoas com Deficiência (PcDs).

Entre os pontos positivos, está o avanço acelerado da agenda de diversidade, com 90% dos profissionais participando de treinamentos e ações de conscientização promovidos por suas empresas. Além da percepção deles de que essa agenda continua firme ou ganhando ainda mais força no setor.

Pertencimento avança, mas grupos minorizados ainda enfrentam desafios

8 em cada 10 dos profissionais do setor automotivo sentem-se à vontade ou muito à vontade para serem quem são no ambiente de trabalho, o que representa 85% número de pessoas que responderam à pesquisa.

No entanto, observa-se uma experiência menos favorável para profissionais LGBTQIA+ que dizem se sentir meio à vontade, pouco ou nada à vontade (23%), enquanto entre as pessoas com deficiência esse número é de 19%.

Respeito é reconhecido, mas falta espaço para participação

De modo geral, a maioria dos profissionais percebe o ambiente de trabalho como respeitoso e digno, com aprovação acima de 86%. No entanto, quando perguntados sobre a valorização da sua opinião, a percepção dos profissionais cai de forma consistente entre praticamente todos os grupos da diversidade.

Nesse sentido, a pesquisa indica que o principal desafio não parece estar relacionado ao respeito interpessoal, mas à percepção de voz, influência e participação efetiva, principalmente entre pessoas LGBTQIA+ e pessoas negras.

Além disso, a pesquisa revela que profissionais LGBTQIA+ e PcDs também são os grupos que mais percebem limitações de oportunidades para crescimento profissional nas empresas.

Preconceito ainda afeta uma parcela significativa dos profissionais

A pesquisa aponta que, no geral, 21,2% dos profissionais já presenciaram ou sofreram situações de preconceito ou desrespeito no trabalho.

Com um agravante para pessoas LGBTQIA+, que são as mais expostas a situações de preconceito ou desrespeito (38%) — quase o dobro da média geral.

Além disso, 39% nunca fizeram uma denúncia para a empresa, o que aponta a importância de fortalecer a confiança dos colaboradores nos canais de denúncia e, assim, contribuir para ambientes mais seguros.

Empresas ampliam ações e recebem avaliação positiva

A pesquisa também traz perspectivas positivas e animadoras sobre diversidade no setor automotivo. 90% dos respondentes afirmam que sua empresa oferece treinamentos e ações de conscientização sobre diversidade e inclusão.

No setor, os eixos que mais recebem ações são: gênero (84%), etnia/raça (79%), LGBTQIA+ (79%), PcDs (76%), jovens talentos (54%), profissionais 50+ (36%) e refugiados (20%).

Os profissionais também avaliam de forma positiva os esforços realizados pelas empresas no tema de diversidade e inclusão. Em média, 61% dos profissionais avaliam como excelente o esforço de sua empresa para promover diversidade e inclusão.

Essa percepção é significativamente menos favorável para pessoas LGBTQIA+, somando 25% de percepções regulares, ruins ou péssimas.

A avaliação das mulheres foi a mais positiva dentro dos eixos de diversidade. Já a percepção de pessoas negras e PcDs ficou abaixo da média.

Agenda de diversidade segue forte no setor automotivo

Apesar de uma desaceleração global na agenda de diversidade e inclusão, esse movimento não parece ter impactado o setor brasileiro.

Isso porque 90,7% dos profissionais acreditam que as ações de diversidade e inclusão mantêm sua força ou estão ganhando ainda mais relevância. Apenas 5% veem as ações perdendo força no setor.

Entre os profissionais que acreditam que as ações de diversidade estão mais fortes, pessoas negras e mulheres apresentam as percepções mais positivas. Já profissionais LGBTQIA+ e PcDs demonstram maior cautela: embora a maioria também perceba avanço na agenda, esses grupos concentram os maiores índices entre aqueles que acreditam que o tema está perdendo força nas empresas.