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7 fatos sobre o Fiat Fastback híbrido

Andamos na versão eletrificada que impulsiona as vendas do SUV-cupê da marca italiana
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Fernando Miragaya

17 mar 2025

7 minutos de leitura

Lançado em 2024, o tão aguardado Fiat Fastback híbrido chegou como o primeiro eletrificado da marca italiana e do Grupo Stellantis no Brasil. Contudo, havia uma desconfiança se a versão eletrificada do SUV-cupê iria emplacar pelo fato de ser um híbrido-leve.

Pois bem, o Fastback híbrido calou a boca de muita gente – inclusive deste que vos escreve. O modelo caiu na graças do mercado e, hoje, três em cada 10 unidades do SUV licenciadas no país têm o motorzinho elétrico auxiliar.

Automotive Business teve contato com o Fastback híbrido por uma semana. Foram mais de 300 km ao volante do crossover da Fiat, experiência a qual detalhamos agora.

1. Antes de mais nada, Fastback é um híbrido leve da Fiat

Juntamente com o Pulse, o Fiat Fastback estreou a gama Bio-Hybrid na Stellantis. Essa plataforma foi apresentada em 2023 e sugere o caminho da eletrificação do grupo automotivo.

A começar por esse sistema híbrido leve, onde um pequeno motor elétrico funciona como gerador no Fastback. Ou seja, ele não traciona as rodas, apenas dá suporte ao motor de combustão 1.0 turbo em determinadas situações, o que é promessa de redução de consumo e emissões (veja mais adiante).

O plano da Stellantis é que essa seja a primeira etapa do Bio-Hybrid. Esse sistema “leve”, por exemplo, vai ser adotado em modelos de outras marcas do grupo já este ano

Depois disso, uma segunda etapa prevê a linha de motores híbridos flex plenos, onde o propulsor elétrico movimenta as rodas em determinadas situações. O degrau seguinte é o híbrido plug-in. Só para 2030 é que a Stellantis enxerga a produção de um 100% elétrico no país.

2. Como é o conjunto híbrido leve do Fastback

O conjunto híbrido leve do Fastback usa duas baterias de 12V. Uma de chumbo-ácido fornecida pela Clarios fica no cofre do motor. A outra, de lítio, da Samsung, foi instalada abaixo do banco do motorista.

As peças funcionam dentro de um sistema chamado de DBSM (de dual-battery switch module ou módulo de comutação de duas baterias). É ele quem controla as duas baterias, conectando-as ou separando-as de acordo com a “estratégia” da central eletrônica.

Ao mesmo tempo, um pequeno motor elétrico de 12V e 3kW é ligado ao motor de combustão e alimentado pela bateria auxiliar de íon de lítio. Esta faz as vezes do alternador e também atua como motor de arranque.

Desta forma, o sistema opera em quatro modos possíveis:

  • e-Start&Stop: quando o veículo para completamente o motor de combustão é desligado e nas desacelerações ele permanece em funcionamento sem injetar combustível, para priorizar a regeneração de energia.
  • e-Assist: durante acelerações e retomadas, as baterias de lítio e chumbo fornecem energia para o motor elétrico, que gera torque adicional para o motor de combustão.
  • Alternador Inteligente: este modo atua em duas possibilidades e conforme as condições das baterias. No modo alternador, se as baterias estiverem com pouca carga o alternador permite o carregamento das mesmas. No modo neutro, com as baterias carregadas, o alternador permite que as baterias mantenham as cargas elétricas do veículo.
  • e-Regen: é o sistema de regeneração de energia durante desacelerações, que converte a energia mecânica em energia elétrica para carregar as duas baterias. Segundo a Stellantis, o sistema é capaz de regenerar até 25% da energia que seria desperdiçada no motor convencional.

O conjunto hibrido do Fastback foi desenvolvido pela Stellantis com diversos parceiros e é instalado na linha de montagem do carro em Betim (MG).

3. Como anda o Fiat Fastback híbrido?

Ao volante do Fiat Fastback é difícil perceber as diferenças das opções híbridas para as puramente a combustão. A telinha de 7″ nos instrumentos disponível na versão Impetus é que informa como atua o sistema.

No mais, o motor turbo da linha GSE de 130 cv com etanol e 125 cv, com gasolina, oferece as mesmas arrancadas ágeis e respostas rápidas.

Méritos também do bom casamento entre o motor de três-cilindros e o câmbio automático do tipo CVT fornecido pela Aisin já visto em outros Fiat, Citroën e Peugeot.

Com sete marchas simuladas, nem parece uma caixa continuamente variável, em especial nas retomadas, em que a transmissão não fica segurando os giros até o dia seguinte. As trocas sequenciais, por sua vez, proporcionam uma interação maior do motorista com o conjunto mecãnico, ainda mais em subidas e descidas de serra.

Com este conjunto, o Fiat Fastback híbrido promete um 0 a 100 km/h em 9,4 segundos, quando o carro é abastecido 100% com etanol. E em 9,7 s quando com apenas gasolina no tanque – dados da marca italiana.

4. Equipamentos

São duas as configurações híbridas do Fiat Fastback. A Audace e a Impetus, que espelham as suas variantes puramente a combustão. A linha 2025 do SUV-cupê ganhou alguns itens, enquanto as versões eletrificadas são as únicas que podem receber a cor azul Amalfi.

Vale lembrar que é a partir da Audace que o modelo começa a receber os itens de assistência à condução (Adas), como frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa e assistente de farol alto.

Ainda desde a Audace, o Fiat Fastback híbrido tem retrovisor eletrocrômico, central multimídia com tela de 10” e conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay, carregador de celular por indução, partida remota do motor, chave presencial e sensor de chuva.

O Fastback Impetus recebe a mais a telinha de 7” no quadro de instrumentos, sensores de estacionamento dianteiros, retrovisores com sistema tilt down e rebatíveis eletricamente, bancos revestidos de couro, faróis de neblina, teto em outra cor e rodas de liga leve com aros de 18”.

Bom reforçar que toda a família do SUV-cupê é equipada com quatro airbags, câmera e sensores de ré, ar-condicionado automático e digital com saídas para o banco traseiro, faróis e lanternas de LEDs, freio de estacionamento eletrônico e rodas aro 17”.

5. Quanto custa?

O Fiat Fastback Hybrid flex parte de R$ 155.990 na versão Audace, que custa R$ 6 mil a mais que a mesma opção sem o sistema híbrido leve. A mesma diferença das variantes Impetus, cujo modelo eletrificado sai por R$ 165.990.

*preços apurados na primeira quinzena de março de 2025

6. Consumo

Não dá para dizer que o consumo é o grande apelo do Fiat Fastback híbrido. Segundo a tabela 2025 do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), a opção Audace Hybrid flex anota médias de 8,9 km/l com etanol e de 12,6 km/l, com gasolina no ciclo urbano.

Se comparado à performance do Fastback Audace sem o híbrido leve pela tabela 2024 do mesmo programa, este anotava médias de 8,4 km/l e 11,9 km/l, respectivamente. Ou seja, o ganho varia entre 4,7% e 5,8%.

Na estrada, a configuração Audace eletrificada perde em consumo. Faz 9,8 km/l com etanol e 13,9 km/l, com gasolina. Entre 4 e 4,7% menos eficiente que as respectivas médias de 10,2 km/l e 14,6 km/l das versões sem o o conjunto híbrido leve.

Com o Fiat Fastback híbrido na versão Impetus avaliada pela reportagem o ganho de consumo é maior e fica na casa dos 10%. Pelo PBEV no ciclo urbano, são 8,9 km/l (E) e 12,6 km/l (G), contra 8,1 km/l e 11,3 km/l, respectivamente dos sem o sistema.

No ciclo rodoviário, há quase um empate. O Fiat Fastback Impetus híbrido anota 9,8 km/l com o combustível vegetal e 13,9 km/l, com o fóssil. O 100% combustão registra respectivos 9,7 km/l e iguais 13,9 km/l.

7. Vende bem

Em fevereiro, o Fiat Fastback híbrido respondeu por 38% das vendas totais do SUV-cupê. Em janeiro, esse mix foi ainda maior: 46%. Isso significa mais de 3 mil unidades no primeiro bimestre de 2025.

No fim de fevereiro, a propósito, o Fastback anotou a marca de 100 mil unidades fabricadas em Betim desde o lançamento da linha, em 2022.