
A Volkswagen meteu uma pressão forte para cima do Tera. Ao lançar o SUV de entrada, a marca alemã jamais escondeu que aposta no modelo como uma espécie de sucessor do Gol.
Tanto que no vidro traseiro do crossover compacto estão lá os dois carros mais emblemáticos da história da fabricante e da própria indústria brasileira: o Fusca e o Gol. Seguidos do… Volkswagen Tera.
Volkswagen Tera já desponta nas vendas
O mercado parece ter comprado a ideia. Não dá ainda para cravar se ele será o sucessor do Gol, mas em pouco tempo já se tornou o carro de passeio mais vendido do país e puxou as exportações da montadora no ano.
Segundo a Volks, inclusive, recentemente o Tera atingiu a marca de 60 mil unidades produzidas em sete meses.
De quebra, o modelo é um dos finalistas do prêmio Lançamento do Ano 2026, da Automotive Business, na categoria Carro Digital até R$ 200 mil.
Mas o que será que explica essa boa performance comercial? Automotive Business dirigiu o Volkswagen Tera na versão topo de linha High por 10 dias e mais de 300 km, em roteiro predominantemente na cidade, e vai contar agora fatos que mostram as virtudes e os defeitos do modelo.
7 fatos sobre o Volkswagen Tera
É SUV ou um hatch parrudo?

O mais recente lançamento da marca alemã quer disputar o segmento dos chamados SUVs de entrada, mas, assim como alguns rivais, não é propriamente um. Isso pela frieza dos números.
O Volkswagen Tera tem ângulo de ataque de 20,1 graus e ângulo de saída de 33,4 graus. O vão livre do solo é de 17,8 cm, praticamente o mesmo do Polo e menor que a do Renault Kardian (20,9 cm) e do Fiat Pulse (22,4 cm).
Por isso, dizem que o carro é um hatch parrudo. Mas vamos combinar que ele tem um porte mais de SUV mesmo, e que acaba competindo com os demais crossovers de entrada do que o Polo. Então, vamos tratá-lo como SUV, combinado?
Como anda o Volkswagen Tera High
Na versão topo de linha High o Tera é equipado com o motor TSI e câmbio automático dde seis marchas. Conjunto que tem uma legião de fãs, em especial pelo propulsor 1.0 turbo de três cilindros e 12 válvulas produzido em São Carlos (SP).
No caso do SUV, são 116 cv com etanol e 109 cv, com gasolina, números iguais ao do Polo TSI – que teve a potência reduzida na reestilização de 2022. Com isso, o Volkswagen Tera está longe de entregar um desempenho estimulante.
Não, ele não é lerdo, nem manco. Mas os delays nas acelerações – o que pode ser explicado como aquela velha estratégia da VW para segurar as emissões – seguram demais o crossover. O 0-100 km/h, segundo a marca, é feito em 11,7 segundos com etanol (11,8 s, com gasolina).
Nas retomadas o motor se mostra mais esperto. Os 16,8 kgfm com qualquer mistura no tanque se apresentam desde as 1.750 rpm até mais de 4 mil giros. A transmissão de seis marchas responde bem e o turbo entra certeiro para garantir força em ultrapassagens e subidas.
Desta forma, o Volkswagen Tera demonstra uma boa eficiência. Dentro do padrão do Inmetro para o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), o carro faz médias urbanas com etanol de 8,6 km/l na cidade e de 10,3 km/l, na estrada. Com gasolina, as médias são de 12,2 km/l e 14,5 km/l, respectivamente.
Na nossa avaliação, o Tera High em questão anotou média majoritariamente em ciclo urbano de 9,4 km/l, com etanol.
Parece (só parece) um Polo
A dirigibilidade lembra algo do Polo. Não surpreende, visto que o Tera é feito na fábrica da Volkswagen em Taubaté (SP) sobre a mesma arquitetura modular MQB do hatch. Contudo, há diferenças na dinâmica.
O SUV tem uma construção sólida, porém o acerto da carroceria, e mesmo da suspensão (McPherson na frente e eixo de torção, atrás), são mais suaves do que estamos acostumados em outros modelos da VW – como o próprio Polo e o T-Cross.
Já a direção com assistência elétrica oferece aquela resposta direta que se espera dos carros da marca alemã. Nas curvas, o Tera se mostra obediente e a carroceria torce dentro do esperado.
Espaço e conforto

Com 4,15 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,50 m de altura e 2,57 metros de entre-eixos, o Tera é um compacto. Então, não espere grandes generosidades em termos de espaço interno.
A posição de dirigir lembra a do Polo, porém é mais alta. E há mais sensação de espaço para as pernas graças ao painel recuado. A ergonomia é um dos destaques: os principais comandos estão muito bem posicionados e o motorista tem uma boa visão de tudo que ocorre dentro e fora da cabine.
No banco traseiro não há milagres. O SUV dispõe de vão limitado para pernas e joelhos. E o espaço é mais condizente para dois adultos. Um terceiro passageiro ao centro vai ter cãibra nos pés com o console recuado e o alto túnel da transmissão.
Um ponto que vale ser destacado: o Tera provavelmente é um dos carros da Volkswagen com melhor acabamento interno dos últimos anos. Há muito plástico rígido, porém uma clara preocupação com, encaixes e até design. Dá um banho no que vemos em Polo, Nivus e T-Cross, por exemplo.
Já é o mais vendido…
Em setembro a Volkswagen revelou ter atingido o ramp up da produção do Tera em Taubaté, e em outubro o SUV foi o carro de passeio mais vendido do país. Foram 10.162 unidades negociadas, com uma margem apertada, é verdade.
Isso porque, no mesmo mês, o Fiat Argo anotou 9.981, diferença inferior a 200 unidades. Mesmo o Hyundai HB20 teve 9.687 licenciamentos e o Polo, 9.150, o que aponta que o Tera não canibalizou tanto o hatch como se imaginava.
Ainda no recorte de outubro, o Tera vendeu mais que o dobro que seu rival direto, o Pulse, que contabilizou 3.965 unidades. E também que o Kardian, que ficou em 1.533 licenciamentos.
Os números expõem também a crescente do Volkswagen Tera no mercado. Em agosto, foram 4.157 emplacamentos. Em setembro, outros 7.610 carros foram vendidos.
… e o mais exportado
Pois é, o Tera também foi o Volkswagen feito no Brasil mais exportado em outubro. O SUV superou os embarques do Polo no referido mês. No acumulado do ano, já são mais de 22 mil unidades enviadas para 18 mercados da América Latina.
As exportações do Tera deram uma força e tanto para as exportações totais da Volkswagen do Brasil, que chegam a quase 108 mil unidades no janeiro-outubro, alta de 37,4% em relação a igual período de 2024.
Preço e equipamentos do Vokswagen Tera High

O Volkswagen Tera é vendido em quatro versões. A de entrada é a MPI, com motor 1.0 aspirado de até 84 cv, câmbio manual e preço de R$ 105.890. Logo acima vem a TSI manual, por R$ 118.890.
Mas são as versões mais caras que respondem por mais da metade das vendas. A Comfort, com motor turbo e câmbio automático de seis marchas, sai por R$ 128.890.
A High avaliada (ainda com os adereços da edição limitada Outfit The Town) é a topo de linha e custa R$ 141.890.
Toda a linha do Volkswagen Tera sai de fábrica com 85% de nacionalização e itens de segurança como seis airbags, frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres, detector de fadiga do motorista, assistente à partida em rampas, sensor de ré e faróis de LED com DRL de LED integrada.
A central VW Play também é comum à toda gama. Ela tem tela de 10” e conexão sem fio com Apple CarPlay e Android Auto. Quadro de instrumentos eletrônico em display de 8”, trio elétrico, ar-condicionado, ajustes de altura e profundidade do volante também são de série em todas as versões.
O Tera High se destaca pelo pacote ADAS mais abrangente, que começa na versão Comfort. Com isso, ele agrega controle de cruzeiro adaptativo. Também oferece câmera de ré, retrovisor eletrocrômico e sensor de estacionamento dianteiro.
O modelo também recebe painel de instrumentos digital configurável com tela de 10,25″, carregamento de celular por indução, sistema de som touchscreen VW Play Connect, ar automático, rodas de liga leve aro 17”, revestimento premium dos bancos, entre outros.
