
Quem vê cara não vê coração. Ditado mais que batido no linguajar brasileiro, mas que encaixa perfeitamente na Kia Tasman.
Tivemos o primeiro contato ao volante da nova picape média da marca sul-coreana. Tudo bem que foi em um trajeto curto, de 20 minutos e todo fora de estrada.
Ao volante da Kia Tasman
Mesmo assim, a Kia Tasman mostrou um pouco do seu coração. Sim, a cara está longe de ser bonita. E mesmo que beleza seja subjetiva, até chamá-la de exótica é complicado.
Porém, não tem como negar que a Tasman é autêntica e diferente, como a Kia vai exaustivamente falar em suas campanhas de marketing. Só que suas virtudes estão mesmo na experiência de direção.
A cabine agrada. O desenho do painel não tem excentricidades. Superfícies macias, acolchoadas ou de tecido disfarçam bem o plástico no tablier e nas portas.
O console central elevado é elegante. O volante com partes retas tem o tamanho ideal e o quadro de instrumentos eletrônico integrado à tela multimídia remete à solução vista em outros Kias, como o Niro.

Desempenho consistente
Botão do motor acionado, o 2.2 turbodiesel joga uma certa vibração na cabine. O conjunto com câmbio automático é o mesmo do Sorento, só que com 210 cv, 16 cv a mais que no SUV.
Isso resulta em acelerações firmes e convincentes. A Kia Tasman vence as subidas de terra do test drive em um hotel fazenda na região de Itu (SP).
Estou no modo 4A, espécie de tração sob demanda, que se mostra mais que suficiente para o trecho que mescla buracos, pedras e grama – mas nada no nível Rali dos Sertões.
Alterno acelerações mais fortes e outras suaves – sem passar dos 40 km/h – e o motor mostra respostas graduais e constantes. Impressiona o nível de silêncio a bordo, o que denota um tratamento acústico exemplar.
A suspensão trabalha muito bem e a dinâmica sobressai. Com caçamba vazia, a Kia Tasman quica um pouco na buraqueira, mas não é desengonçada e o nível de trepidação no volante é mínimo.
Nos declives mais acentuados, aciono o controle de descida. Interessante porque ele adequa a velocidade de acordo com a intensidade no pedal.
Por exemplo. Aciono o dispositivo e acelero até 13 km/h. Ao soltar o pedal, a picape desce “sozinha” variando entre 11 km/h e 15 km/h.
No meio do trajeto eu piso, mas acelero menos, 8 km/h. Ele já adequa automaticamente a descida de novo, sempre próximo dessa nova velocidade.

Boa de manobrar
Em trechos de terra mais fofa, coloco no 4H e a Tasman nem titubeia. Mas nem precisava, como se provou na parte seguinte do test drive.
De novo uma subida com terra, areia e pedra. Opto por deixar no 4A, você sente uma leve perda de aderência dos pneus da frente mas imediatamente o sistema de tração joga mais força para a frente e a picape segue com dignidade.
Outro ponto que agrada é o ângulo de giro. Nos poucos momentos em que foi necessário, foi relativamente fácil manobrar a picape de mais de 5,40 metros de comprimento.
Faltou o trecho no asfalto e também na cidade, para ver como a Kia Tasman se sairá. Mas no pouco convívio na terra, a picape coreana já mostrou que guarda um coração bom. Tanto que ao volante a gente até esquece da cara.
