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Balanço

Após cortes e ajustes na oferta, Stellantis encerra semestre no azul

Montadora registrou lucro e viu vendas aumentarem em seus maiores mercados globais

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Karen Sousa

04 ago 2026

4 minutos de leitura

Antonio Filosa, CEO global da Stellantis, em evento dos 50 anos da Fiat no Brasil (Foto: Leo Lara/Studio Cerri)

O primeiro semestre da Stellantis, de fato, apresentou números positivos depois de um certo período de incertezas e prejuízos. Se no primeiro trimestre o desempenho da companhia havia voltado para a parte azul do gráfico, no segundo trimestre – marcado pelo anúncio do plano Fastlane 2030 – veio a consolidação de um movimento de alta nos indicadores.

Entre abril e junho, a receita da companhia aumentou 13% sobre a registrada no mesmo período do ano passado, chegando a € 43,5 bilhões. O lucro operacional, que mostra como está a saúde real da companhia, foi de € 800 milhões nos três meses, segundo balanço divulgado em 30 de julho.

As vendas globais cresceram no período, somando 1,6 milhões de unidades, ou 10% a mais do que no segundo trimestre do ano passado. Destaque para as vendas realizadas na América do Norte (+38%) e na Europa (+5%), que ajudaram a empresa a faturar mais nesses três meses. A empresa quer crescer justamente nesses mercados para voltar a ter um crescimento sólido.

Afora o volume maior de vendas, a Stellantis conseguiu proteger o lucro do período cortando despesas. A redução nos custos industriais, reportada pela companhia no anúncio do seu plano estratégico, em maio, também contribuiu para o resultado.

Stellantis voltou a vender mais na América do Norte

No final de julho, a companhia informou que ganhos de eficiência operacional, redução de custos em campanhas de recall e queda nas despesas regulatórias na América do Norte foram determinantes para a construção de um cenário lucrativo.

“O segundo trimestre foi marcado por avanços consistentes, liderados pela América do Norte e apoiados por importantes contribuições de todas as demais regiões. Melhoramos nosso desempenho nos principais indicadores financeiros, com ganhos expressivos em receita líquida, lucro operacional ajustado e fluxo de caixa livre industrial”, disse o CEO Antônio Filosa, que esteve no Brasil recentemente.

Para o consultor automotivo David Wong, da Dà Wei Advisory, a Stellantis sai de um período de baixa e volta a crescer na América do Norte impulsionada também pelas mudanças nas regulamentações de emissões ocorridas principalmente nos Estados Unidos.

“Aqueles motores estavam sendo cortados por causa da regra de emissões no mercado americano, que foi relaxada. Esse redirecionamento de políticas de controle de emissão permitiu [à Stellantis] focar outra vez em produtos que o americano gosta e gerar esse crescimento de vendas e produtos que são altamente rentáveis dentro do mercado americano”, contou Wong.

Força da Stellantis está nos utilitários

Entre os produtos que combinam com o perfil americano e impulsionaram as vendas na região estão os modelos Jeep Grand Wagoneer, que cresceu 43% no segundo trimestre de 2026 em relação ao período de 2025, o Ram 1500 (+9%), Dodge Durango (+9%) e Chrysler Pacifica (+7%).

Wong explica também que, apesar de marcas como Jeep e Ram estarem presentes na América do Sul, é na América do Norte que eles ganham mais protagonismo.

“A força deles, em termos de SUVs e pickups, está na Jeep e Ram, que são produtos basicamente de mercado da América do Norte. A gente tem Jeep e Ram aqui na América do Sul, mas não são tão predominantes como na América do Norte.”

No segundo trimestre, a Stellantis continuou liderando na América do Sul mesmo com uma leve queda de 2% nas vendas em relação ao período de 2025. A liderança regional foi sustentada principalmente pelos mercados do Brasil e da Argentina.

Stellantis espera crescimento com lançamentos

Com o avanço na recuperação, a Stellantis projeta melhorias até o final de 2026. A projeção do grupo sinaliza manutenção do cenário de vendas maiores no decorrer do ano na esteira dos lançamentos futuros.

A companhia espera que a performance no segundo semestre do ano seja concentrada entre outubro e dezembro, logo após a paralisação sazonal da produção no terceiro trimestre e a continuidade das melhorias no desempenho operacional do grupo.