
O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, desembarcou pela segunda vez no país este ano. Na terça-feira, 21, esteve em Betim (MG) junto com membros do board do grupo para tratar dos 50 anos da Fiat. Filosa falou sobre passado – 18 milhões de carros da marca produzidos ali desde 1976 – e também sobre futuro – a chegada do Argo X. Apesar das festividades em torno da efeméride, o executivo sabe que o dia mais importante para a empresa este mês é o 30 de julho, quando divulgará aos investidores os resultados obtidos pela companhia no primeiro semestre.
A data é importante porque servirá de termômetro para medir a temperatura do mercado depois de anunciado o Fastlane 2030, o novo norte da companhia para os próximos quatro anos. As diretrizes, que corrigem os equívocos do Dare Forward 2030, são medidas de longo prazo e, portanto, ainda não houve tempo hábil para se notar a efetividade do novo planejamento. Mas não há como negar que o mercado está de olho em tudo o que a Stellantis faz desde que registrou prejuízo por dois anos seguidos, além de queda no valor de suas ações.
Há muito para se demonstrar ao mercado, sobretudo os efeitos das medidas do novo plano estratégico nos Estados Unidos, onde são os utilitários esportivos das marcas Jeep e RAM, e não os compactos da Fiat, que proporcionam as maiores oportunidades comerciais. A região norte-americana é vista por analistas internacionais como primordial para que a Stellantis consiga reverter as perdas dos últimos dois anos. Não à toa esse mercado seja aquele em que a companhia vai mais investir daqui pra frente. Serão US$ 60 bilhões até 2030, segundo o Fastlane.
Stellantis reverteu prejuízo no primeiro trimestre
A Stellantis está confiante acerca da sua performance no segundo semestre. A reportagem apurou com fontes da empresa em Betim, durante solenidade dos 50 anos da Fiat, que no segundo trimestre os resultados globais da empresa apresentaram “números positivos”. Algo que, é bom registrar, já ocorreu no primeiro trimestre do ano. Entre janeiro e março houve aumento de 6% na receita líquida ante o indicador registrado em igual período no ano passado. Houve também reversão de prejuízo para lucro na mesma base de comparação: € 377 milhões.
O quadro foi possível por meio do aumento das vendas nos principais mercados da companhia, como Estados Unidos, Europa e América do Sul. A aposta é a de que esse crescimento siga em 2026 na esteira dos lançamentos programados. Afora a expectativa de vendas maiores, a empresa também conta forte corte de custos para que sua operação siga no azul.
Em termos de lançamentos, houve a renovação da linha de utilitários Jeep nos EUA, como novos Cherokee e Wagoneer; Na Europa, Citroën C5 Aircross e o Jeep Compass; na América do Sul, entre os principais lançamentos do trimestre estão a nova picape Ram Dakota, os Jeep Renegade e Commander nas versões MHEV e o Leapmotor B10. Com a chegada do Jeep Avenger, Fiat Argo X e pelo menos outros cinco modelos inéditos nos próximos meses, a tendência é a de que, ao menos nos volumes de vendas, a Stellantis mantenha os números na parte positiva do gráfico.
Cinquentona, Fiat é a grande força na América do Sul
Abaixo da linha do Equador, no Brasil, o primeiro semestre da montadora teve 372 mil veículos emplacados. Desses, 198 mil foram registrados no segundo trimestre, 13,6% a mais do que no primeiro trimestre do ano. Os veículos da marca Fiat representaram 270 mil unidades desse total vendido no período, 30 mil unidades a mais que no mesmo período em 2025. A picape Fiat Strada é a responsável por segurar o desempenho no mercado, já que não é apenas o modelo mais vendido da marca, mas de todo o mercado doméstico.
“A Fiat mudou Betim e também a minha vida. Assim como a marca, também me considero meio italiano e meio brasileiro”, disse Filosa na fábrica de Betim sob os olhares da imprensa, fornecedores, concessionários, funcionários e membros do alto escalão da fabricante, como Olivier François, CEO global da Fiat, e o chairman e herdeiro da família Agnelli, John Elkann. Considerando o fato da empresa iniciar a produção da Leapmotor em novembro, em Goiana (PE), e a vontade manifesta de costurar mais parcerias do tipo, o executivo poderia também se considerar mezzo chinês.
Se conseguir nos Estados Unidos resultados similares, é possível que os acionistas tenham mais subsídios para acreditar que Filosa, de fato, é o executivo certo para conduzir a empresa durante este “crunch point”, termo muito usado no meio empresarial para descrever momentos cruciais na jornada de empresas que buscam dias melhores. Seu plano de estruturação da Stellantis na América do Sul após fusão entre FCA e PSA Peugeot Citröen o credenciou para assumir a posição global. Veremos em 30 de julho se o seu novo plano, desta vez, levará esperança para as bolsas de Nova York, Paris e Milão.
