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Porto Feliz

Após um ano, Toyota reinaugura parte da produção de motores em Porto Feliz

Montadora começa a fundição do motor do Yaris Cross, com 150 colaboradores; fábrica deverá ser totalmente reinaugurada em 2028

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Natália Scarabotto

22 set 2026

7 minutos de leitura

Vista aérea da fábrica de Porto Feliz em reconstrução (08.09.26). Foto: Toyota/Divulgação

A Toyota reinaugura nesta terça-feira, 22, a área de fundição de motores do Yaris Cross na planta de Porto Feliz (SP), exatamente um ano após a tragédia que devastou a fábrica.

Nessa primeira etapa, 150 colaboradores voltam a trabalhar no local. A partir de agora, o motor 1.5 (convencional e híbrido flex) será fundido em Porto Feliz, enviado para a montagem no DVR e depois para a fábrica em Sorocaba (SP), onde é montado o Yaris Cross.

No dia 22 de setembro de 2025, um forte vendaval destruiu toda a fábrica de motores da empresa, arrancando o telhado e derrubando parte da infraestrutura. A produção precisou ser interrompida e o lançamento do Yaris Cross, previsto para outubro, foi adiado. Os 800 funcionários foram evacuados em segurança e alguns tiveram apenas ferimentos leves.

Imediatamente, a Toyota instalou um comitê de crise no Brasil e acionou a matriz no Japão para juntos encontrar uma solução em poucos dias.

A decisão foi continuar a produção do motor 1.5 do Yaris Cross em outra instalação, por ser exclusivo para o mercado nacional, e internacionalizar a produção do motor 2.0 do Corolla para o Japão e a Indonésia.

Reconstrução da fábrica deve terminar em 2028

Nova área de fundição da fábrica de Porto Feliz. Foto: Toyota/Divulgação

A reconstrução de Porto Feliz está prevista para terminar em 2028. Atualmente, 250 contratados trabalham na obra, sendo 75 colaboradores brasileiros e japoneses especialistas na parte de fundição.

“Tudo está sendo reconstruído, apenas o piso ficou. Mesmo as estruturas do prédio atendendo todas as normas, o que aconteceu lá nenhuma estrutura aguentaria porque foi como uma bomba”, explicou o diretor industrial de Porto Feliz, Gilberto Paulino Junior.

“Agora instalamos estruturas metálicas 45% mais reforçadas que as anteriores. Retomar a fundição é a primeira fase de 1/6 do que planejamos para a fábrica.”

Com a reabertura da fundição, 150 colaboradores voltam a trabalhar na fábrica.

A Toyota não fala o tamanho do prejuízo financeiro, mas afirma que as máquinas de fundição e de cabeçote, por exemplo, foram perdidas. Os mais de 800 equipamentos restantes foram removidos de lá e encaminhados para o DVR.

Produção foi transferida temporariamente para o DVR

O DVR é um condomínio de galpões de logística a 11 km da fábrica, alugado pela Toyota provisoriamente, para continuar sua produção e estocar maquinário. A reportagem de Automotive Business esteve no local para conhecer a linha de produção.

No espaço de 45 mil m², a montadora remontou a linha de produção do motor 1.5 de forma parecida com a de Porto Feliz. No dia 26 de janeiro, quatro meses após a tragédia, foi produzido o primeiro motor do Yaris Cross.

O ritmo de produção continua normal. Desde janeiro, já foram produzidos 42 mil motores. Atualmente, 373 colaboradores trabalham no DVR, sendo 20% mulheres.

Já no caso do motor 2.0 flex do Corolla, a Toyota passou a enviar o molde e 23 componentes exclusivos (como pistão, injetor, válvula, vela, flauta, bomba, entre outros) para ser fundido no Japão e enviado de volta ao mercado brasileiro.

Essa internacionalização foi decidida com a matriz japonesa em reuniões de gestão de crise e deve continuar até 2028, quando a fábrica de Porto Feliz deve ser totalmente reinaugurada.

Atualmente, todo o maquinário do motor 2.0 está armazenado em uma parte do galpão do DVR, onde devem permanecer até a remontagem da linha de produção em 2028.

Vista geral do DVR, onde estão sendo produzidos os motores do Yaris Cross. Foto: Toyota/Divulgação

Protocolos de segurança e mudanças climáticas

Com a experiência, a Toyota teve alguns aprendizados com a tragédia. O primeiro deles, segundo o diretor industrial Gilberto Paulino, foi a importância dos protocolos.

“Vimos a importância dos protocolos para salvar vidas naquele dia. Duas semanas antes tínhamos feito uma simulação de evacuação, então, as pessoas lembravam o que fazer”, disse ele. “Apenas três minutos após a evacuação da fábrica, o teto desabou na linha de montagem, mas todos estavam seguros. Algumas pessoas tiveram apenas ferimentos leves.”

Segundo ele, a montadora agora está mudando seus protocolos pensando também nos impactos climáticos. “Criamos um comitê dentro da Toyota já para se preparar para lidar com a chegada do El Niño”.

Além disso, ele relembra a solidariedade que deu a volta ao mundo. “Foi emocionante como todos os colaboradores da Toyota em diferentes países se solidarizaram. Trabalhadores japoneses que atuaram aqui voltaram para ajudar nessa gestão de crise.”

Linha do tempo: Como a Toyota respondeu à crise?

Na segunda-feira, 22 de setembro de 2025, às 13h28, uma forte chuva derrubou a energia da fábrica de Porto Feliz. Os colaboradores evacuaram o local e se abrigaram numa área segura. Três minutos depois, o teto da fábrica desabou em cima da linha de montagem.

Às 13h50, a Toyota confirmou que todos os colaboradores estavam seguros, alguns apenas com ferimentos leves, e a brigada de bombeiros e enfermeiros havia sido acionada.

Logo em seguida, toda a gestão da Toyota, inclusive o CEO do Brasil, Rafael Chang, chegaram em Porto Feliz. Ainda no mesmo dia, por volta das 18h, foi iniciada uma avaliação inicial dos danos.

Duas horas depois, foi realizada uma reunião com a alta gestão da Toyota do Brasil e do Japão para informar sobre a situação. O contato permaneceu diário por três meses, com atualizações sobre o andamento do caso.

No dia seguinte, 23, às 6h, a Toyota instalou um comitê de crise e o dividiu em quatro grupos de trabalho: 1) identificar quais componentes poderiam ser importados para manter a operação; 2) mapear a fábrica destruída e definir o que precisava ser feito; 3) remover os mais de 800 equipamentos, encontrar um espaço para armazená-los — o DVR — e remontar a linha de produção; 4) organizar, pelo RH, férias e lay off, além de fazer contato com o sindicato da categoria, manter os empregados informados e garantir apoio psicológico.

Já no dia 24, todas as lideranças da fábrica de Porto Feliz se reuniram para comunicar quais decisões já tinham sido tomadas e mostrarem um cenário para todas as áreas se reorganizarem, como vendas e contato com fornecedores.

Em reunião com a matriz japonesa, ficou definido que a Toyota do Brasil focaria na produção do motor 1.5 injeção direta (convencional, híbrido e flex) do Yaris Cross, por ser um produto exclusivo do nosso mercado.

Enquanto, a produção do motor 2.0 de injeção indireta (convencional e híbrido) do Corolla está sendo produzido no Japão e na Indonésia, com moldes e componentes enviados daqui.

Vista aérea dos danos na fábrica de Porto Feliz. Foto: Toyota/Divulgação

Na sexta-feira, 26, Gilberto afirma que “já tínhamos uma ideia de como íamos iniciar a produção do motor 1.5. O principal era retomar algumas linhas que precisavam de pelo menos 28 mil m² e achar abrigo para armazenar os equipamentos.”

Ele visitou alguns fornecedores, mas o tamanho era menor que o necessário. “Não tinha como separarmos as linhas de montagem em vários locais. Então, achamos o DVR, que tinha inaugurado dois meses antes.”

No dia 18 de dezembro, a operação já estava montada, com 622 máquinas, exceto a fundição.

Em 26 de janeiro, quatro meses após a tragédia, a Toyota recomeçou a produção do motor 1.5 na linha montada no DVR. No dia seguinte, foi fabricado o primeiro Yaris Cross.

Segundo Gilberto, a previsão é que a operação em massa volte para Porto Feliz em 2028, com produção diária de 700 motores.

“A ideia é voltar tudo, com prioridade para o motor 2.0 porque estamos importando. O motor 1.5 ainda estamos planejando, porque vamos ter que parar a operação aqui para transferir os equipamentos para Porto Feliz aos poucos.”