
O Suzuki eVitara tem uma missão para lá de ingrata no Brasil. Cabe ao SUV elétrico a responsabilidade de manter a marca viva no país. A empresa, que viveu dias de incerteza desde a interrupção das vendas do Jimny, seguirá ativa por aqui apenas com o modelo que acaba de chegar às concessionárias.
Isso não significa o adeus do Jimny, que pode voltar em breve na carroceria de quatro portas lançada no exterior em 2024. Enquanto isso não acontece, o eVitara tentará fisgar os fãs da marca – e quem ainda não tem um Suzuki.
Seu chamariz está justamente no fato de ser um carro elétrico apto para trilhas. Parece estranho, até porque são raríssimos os modelos neste perfil. E também porque nem sempre quem se aventura em trilhas longínquas quer depender da autonomia de uma bateria para seguir viagem.
O eVitara (poupe as piadas com o nome, por favor) estará à venda por R$ 259.990, valor que subirá para R$ 269.990 posteriormente. A Suzuki mira em rivais como BYD Yuan Pro e até Volvo EX30. Seria pretensioso demais?
Suzuki eVitara roda quase 300 km sem recarga

O SUV usa dois motores elétricos: o dianteiro tem 174 cv e o traseiro entrega 65 cv. A potência combinada é de 184 cv e o torque, 31,2 kgfm. A Suzuki informa aceleração de 0 a 100 km/h em bons 7,4 segundos e velocidade máxima de 150 km/h.
O porta-malas de 310 litros é pequeno perto até de alguns SUVs compactos. Pelo menos existe um fundo falso para esconder objetos mais valiosos na parte inferior. Com o banco traseiro rebatido, a capacidade sobe para 562 litros.
A autonomia é de até 293 km pelos parâmetros do Inmetro. Não dá para fazer uma viagem mais longa, mas é suficiente para uma viagem curta no fim de semana. Se você encontrar um carregador rápido, saiba que 45 minutos bastam para recarregar a bateria de 61 kWh de 10% a 80%.
Bonito por fora e confortável por dentro

Enquanto você não descobre a resposta, saiba que o Suzuki eVitara tem porte de SUV compacto. Entretanto, as formas parrudas fazem com que ele pareça maior do que um Volkswagen T-Cross, por exemplo.
As linhas são bonitas e modernas, embora a traseira tenha um visual um pouco “mais do mesmo”. Curiosamente, achei o eVitara muito parecido com o Volkswagen Tera pelo ângulo de ¾ de traseira. Deve ser só coincidência mesmo, embora o modelo da Suzuki tenha estreado pouco antes do Tera, em 2025.
O interior é sóbrio e muito bem acabado. Não existem plásticos duros e detalhes mais simples como no Jimny. Me agradou bastante a combinação de marrom com preto em várias partes da cabine. Os bancos dianteiros, inclusive, têm uma combinação elegante de couro sintético e tecido nas duas cores.
Destaque para as duas telas, a do quadro de instrumentos com 10,25 polegadas e a da central multimídia com 10,1 polegadas. O painel digital tem áreas customizáveis e nele é possível ver o GPS em uso. A interface é limpa e moderna.
Já a multimídia está um degrau acima das similares oferecidas em quase todos os carros de marcas japonesas, que não costumam se destacar nesse assunto. Apesar de alguma dificuldade para utilizar o Android Auto e de deficiências como as imagens ruins da câmera de ré, a experiência foi positiva. O sistema de som Infinity da Harman merece aplausos.
SUV elétrico encara trilhas numa boa

Agora, elogios mesmo vão para a dirigibilidade. O eVitara é bastante gostoso de dirigir na cidade ou fora dela. O SUV surpreende pela estabilidade acima da média para um SUV e as respostas ágeis dos motores elétricos convidam a acelerar.
O carro tem três modos de condução (Normal, Eco e Sport), e há ainda o modo Trail que é indicado para… trilhas.
Foi ele que usamos durante a Trilha da Placa, um percurso de média dificuldade nos arredores de Cajamar (SP). Esse recurso é eficiente em condições de baixa aderência ou quando uma das rodas perde tração ou mesmo sai do chão.
Fiquei surpreso com a desenvoltura do eVitara ao transpor obstáculos como morrinhos, pedras e inclinações. Os ângulos de ataque e saída foram suficientes para evitar danos ao assoalho e o SUV cumpriu a tarefa ileso.
As baterias, que ficam no assoalho, são integradas à estrutura da plataforma e estão protegidas contra impactos mais severos. Evidentemente não espere pela desenvoltura de um Jimny, cuja capacidade off-road está vários degraus acima da maioria dos SUVs. Mas fique feliz em saber que o eVitara não faz feio – muito pelo contrário.
O eVitara tem credenciais suficientes para manter a tradição da Suzuki por aqui. É um carro moderno, robusto e valente para o uso cotidiano, mesmo se o dono tiver uma veia mais aventureira.
Falta saber se o mercado vai concordar e notar as virtudes do novo modelo. Seja como for, é bom saber que o legado da Suzuki está em boas mãos – ou rodas.
