
A BYD dá mais um passo para diminuir a polêmica e avançar na construção da fábrica de Camaçari (BA). A empresa contratou a Sepeng Engenharia para fazer as adequações necessárias para que a obra siga sem embargos e com segurança aos profissionais que atuam ali.
O movimento é uma resposta ao flagra de trabalhadores em condições similares à escravidão na unidade: com cerceamento de liberdade, condições que feriam a dignidade humana e riscos de segurança. Os profissionais eram funcionários da também chinesa Jinjiang, com quem a BYD encerrou contrato.
BYD ainda não definiu construtora substituta à Jinjiang
Agora, a Sepeng fechou contrato de 30 dias com a empresa. O objetivo da construtora é fazer as adequações necessárias na obra, que chegou a ter algumas partes embargadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A pasta considerou inseguras duas partes da obra: parcela das escavações e a atividade de uma serra circular – ambas ficavam sob o comando da Jinjiang.
Segundo a BYD, a Sepeng vai melhorar ainda a sinalização da obra, instalar áreas de descanso, implementar medidas de proteção coletiva e regularizar as escavações. A empresa é um consórcio de duas empresas baianas, a SBE e a Pelir. Entre 50 e 100 trabalhadores da região devem ser empregados no processo de adequação.
O trabalho da companhia é temporário e, por enquanto, a BYD não definiu qual construtora vai assumir plenamente o papel que a Jinjiang tinha na obra.
Entenda a polêmica da fábrica da BYD em Camaçari (BA)
Ainda em 2023, a BYD anunciou a fábrica de Camaçari com toda pompa. O empreendimento fica no mesmo local antes ocupado pela Ford, que encerrou suas atividades fabris no Brasil em 2021.
Na época em que confirmou investimento de R$ 5,5 bilhões no Brasil, a BYD disse que tornaria a região baiana o “Vale do Silício brasileiro” – um polo tecnológico, com geração de empregos qualificados.
Depois dessa lua de mel entre a empresa e o Estado da Bahia, veio um duro choque de realidade. Trabalhadores chineses terceirizados, com vínculo com a Jinjiang, foram flagrados em condições análogas à escravidão. Eles tinham parte dos salários retidos, trabalhavam sem folga, viviam em alojamentos insalubres, sem conforto ou alimentação adequada. O MTE resgatou um grupo de mais de 160 pessoas fe enviado de volta à China.
O plano, agora, é resolver a situação trabalhista e de segurança das obras de Camaçari para começar a montar ali carros em regime SKD ainda em 2025. No fim de 2024, logo depois do escândalo de trabalho análogo à escravidão vir à tona, a montadora prometeu que empregará ali 20 mil brasileiros já em 2026.