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BYD contrata Sepeng Engenharia para adequar obras da fábrica de Camaçari

Empresa brasileira vai atuar na unidade por 30 dias para ajustar as áreas que foram embargadas após flagra de condições que feriam a dignidade humana
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Redação AB

23 jan 2025

3 minutos de leitura

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Após escândalo na construção da fábrica de Camaçari, BYD contrata Sepeng para adequar a obra

A BYD dá mais um passo para diminuir a polêmica e avançar na construção da fábrica de Camaçari (BA). A empresa contratou a Sepeng Engenharia para fazer as adequações necessárias para que a obra siga sem embargos e com segurança aos profissionais que atuam ali.

O movimento é uma resposta ao flagra de trabalhadores em condições similares à escravidão na unidade: com cerceamento de liberdade, condições que feriam a dignidade humana e riscos de segurança. Os profissionais eram funcionários da também chinesa Jinjiang, com quem a BYD encerrou contrato. 

BYD ainda não definiu construtora substituta à Jinjiang

Agora, a Sepeng fechou contrato de 30 dias com a empresa. O objetivo da construtora é fazer as adequações necessárias na obra, que chegou a ter algumas partes embargadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A pasta considerou inseguras duas partes da obra: parcela das escavações e a atividade de uma serra circular – ambas ficavam sob o comando da Jinjiang.

Segundo a BYD, a Sepeng vai melhorar ainda a sinalização da obra, instalar áreas de descanso, implementar medidas de proteção coletiva e regularizar as escavações. A empresa é um consórcio de duas empresas baianas, a SBE e a Pelir. Entre 50 e 100 trabalhadores da região devem ser empregados no processo de adequação.

O trabalho da companhia é temporário e, por enquanto, a BYD não definiu qual construtora vai assumir plenamente o papel que a Jinjiang tinha na obra.

Entenda a polêmica da fábrica da BYD em Camaçari (BA)

Ainda em 2023, a BYD anunciou a fábrica de Camaçari com toda pompa. O empreendimento fica no mesmo local antes ocupado pela Ford, que encerrou suas atividades fabris no Brasil em 2021.

Na época em que confirmou investimento de R$ 5,5 bilhões no Brasil, a BYD disse que tornaria a região baiana o “Vale do Silício brasileiro” – um polo tecnológico, com geração de empregos qualificados. 

Depois dessa lua de mel entre a empresa e o Estado da Bahia, veio um duro choque de realidade. Trabalhadores chineses terceirizados, com vínculo com a Jinjiang, foram flagrados em condições análogas à escravidão. Eles tinham parte dos salários retidos, trabalhavam sem folga, viviam em alojamentos insalubres, sem conforto ou alimentação adequada. O MTE resgatou um grupo de mais de 160 pessoas fe enviado de volta à China.

O plano, agora, é resolver a situação trabalhista e de segurança das obras de Camaçari para começar a montar ali carros em regime SKD ainda em 2025. No fim de 2024, logo depois do escândalo de trabalho análogo à escravidão vir à tona, a montadora prometeu que empregará ali 20 mil brasileiros já em 2026.